Invencível

Louis Zamperini foi salvo duas vezes. A primeira, quando ele era criança (e um menino problema na vizinhança onde residia), e seu irmão mais velho Pete (John D'Leo quando mais jovem e Alex Russell quando mais velho) enxergou o potencial na velocidade de Louie ao correr de policiais após se meter em encrencas, inscreveu-o na equipe de atletismo da escola, transformando-o, quando adolescente, num dos atletas mais rápido dos Estados Unidos – Louis chegou até mesmo a participar dos Jogos Olímpícos de 1936, em Berlim, na Alemanha, onde ele confirmou ser uma das grandes promessas do esporte.

A segunda vez foi já adulto, quando, no dia 08 de maio de 1945, foi formalizada a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, e Zamperini foi resgatado, com mais uma centena de prisioneiros de guerra, dos campos em que eles se encontravam na cidade de Tóquio, após anos de maus tratos sofridos pela tropa japonesa, que via aqueles prisioneiros como inimigos número um de seu país. É a essa história que assistiremos durante “Invencível”, segundo filme dirigido pela atriz Angelina Jolie.

Louis Zamperini (interpretado por C.J. Valleroy quando jovem, e por Jack O'Connell quando mais velho) se torna um prisioneiro de guerra quando o avião em que ele se encontrava para realizar uma missão de resgate cai em pleno mar. A luta constante de Louie é pela sobrevivência, uma vez que ele e mais dois amigos, Phil (Domhall Gleeson) e Mac (Finn Wittrock), ficam confinados em um bote salva-vidas, esperando pelo socorro que só chega após 47 dias em pleno mar.

Resgatado pela Marinha japonesa, e jogado nos campos de prisioneiros mantidos pelo país, sofrendo as maiores humilhações e atos de violência por parte do líder do campo (Takamasa Ishihara) que não vai com a sua cara, é nesse momento em que se destacam em Louis Zamperini a sua resiliência e a força com a qual ele enfrenta as adversidades que se colocam em seu caminho. É sem dúvida, uma história de vida inspiradora e heroica, claramente próxima ao coração de sua diretora Angelina Jolie.

Está claro durante os 137 minutos de “Invencível” o respeito e o cuidado que Jolie possui pela história de Zamperini. Por isso mesmo a decisão dela por enfatizar a força física e psicológica que Louie possuía e que, com certeza, foram fundamentais para ajudá-lo a sobreviver a tudo pelo que ele passou. Chama também a atenção no filme, o ótimo trabalho desenvolvido pelo jovem Jack O'Connell, que passa, de uma forma contida, muitas vezes expressa no olhar, todo o peso que Zamperini passou a carregar advindo das experiências que viveu. O fato de Louis Zamperini ter sobrevivido e ter transformado toda essa carga negativa em amor e perdão mostram que existe muito mais em comum entre ele e Angelina Jolie do que a gente pensa, por isso que ela quis contar essa história. De uma certa maneira, ela também foi salva.

Indicações ao Oscar 2015
Melhor Fotografia -
Roger Deakins
Melhor Mixagem de Som
Melhor Edição de Som

4 comments

  1. Paulo Ricardo 12 fevereiro, 2015 at 21:11 Responder

    Eu tenho muito receio da Angelina Jolie diretora,”Na Terra de Amor e ódio” era uma história de amor com um pano de fundo na guerra da iugoslávia(atual Sérvia).Um filme equivocado e tempo depois Ana Maria Bahina denunciou que o filme foi plagiado.Muito chato para senhora Angelina Jolie que conseguiu uma nomeação ao Globo de Ouro(coisas de amigos…).Estou curioso em relação a esse filme.Na sua critica você diz que Angelina Jolie teve muito respeito pela história de Louis Zamperini,isso é um alivio e sinal de respeito pelo biografado.Nas entrevistas ela se mostrou entusiasmado pelo projeto.Vou assistir o filme e depois reler sua critica.

    • Kamila Azevedo 13 fevereiro, 2015 at 23:40 Responder

      Paulo, não assisti ao primeiro filme dirigido por Angelina Jolie e nem tinha conhecimento dessas alegações feitas por Ana Maria Bahiana. Esse tipo de denúncia é uma coisa séria, enfim… Em relação à “Invencível”, eu gostei muito do filme! Achei bem sólido e com uma ótima história.

  2. Reinaldo Glioche 17 fevereiro, 2015 at 14:15 Responder

    Gostei muito da atuação do Jack o´Connell também. O academicismo do filme não chega a incomodar, mas Angelina Jolie não vai além do que a forte história de Zamperini oferece. Se ela se sai bem no comando de um filme “grande”, decepciona por não ir a fundo na jornada interna do personagem.

    bjs

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