O Grande Hotel Budapeste

O diretor e roteirista Wes Anderson é um daqueles casos de profissional na indústria cinematográfica hollywoodiana que atingiu o auge de sua carreira sem comprometer o seu estilo e a sua identidade artística. Sua obra mais recente, “O Grande Hotel Budapeste”, completa o ciclo que ele iniciou em “Moonrise Kingdom”, na medida em que, além de ser um sucesso de crítica, obteve o reconhecimento da premiação mais importante da sétima arte, sendo um dos filmes com o maior número de indicações ao Oscar 2015.

Inspirado pelos escritos de Stefan Zweig, “O Grande Hotel Budapeste” trabalha muito com o conceito de metalinguagem, por meio de uma trama que insere uma narração literária dentro de uma obra cinematográfica. O nosso narrador onisciente (F. Murray Abraham) é uma personagem que conhece bem a história por trás do hotel que dá nome ao filme e que tenta passar para o escritor interpretado por Jude Law toda a mitologia por trás daquele local.

Por mais que o filme dirigido e roteirizado por Wes Anderson tente nos passar a impressão de que o hotel é a personagem mais importante para o longa, na realidade as personagens fundamentais para o enredo de “O Grande Hotel Budapeste” são o lendário M. Gustave (Ralph Fiennes), que foi concierge do hotel durante muitos anos, e o seu parceiro Zero (Tony Revolori), que ele adestrou como seu braço direito.

Através do relato da amizade – e das aventuras – entre os dois, Wes Anderson desfila em tela todos os conceitos que permeiam a sua filmografia; ao mesmo tempo em que confirma o amadurecimento artístico que ele vive por meio de um filme competente do ponto de vista técnico, em que se destacam a direção de arte, a fotografia e a trilha sonora. Além, claro, do elenco repleto de atores conceituados, que mostram que a companhia de Wes Anderson (um diretor bastante fiel aos seus colaboradores mais assíduos) tem se tornado uma das mais finas do cinema atual.

Indicações ao Oscar 2015
Melhor Filme
Melhor Diretor – Wes Anderson
Melhor Roteiro Original – Wes Anderson e Hugo Guinness
Melhor Fotografia – Robert D. Yeoman
Melhor Edição – Barney Pilling
Melhor Direção de Arte – Adam Stockhousen e Anna Pinnock
Melhor Figurino – Milena Canonero
Melhor Maquiagem
Melhor Trilha Sonora Original – Alexandre Desplat

2 comments

  1. Paulo Ricardo 21 fevereiro, 2015 at 04:26 Responder

    Nunca fui fã de Wes Anderson.Os filmes dele não atinge meu coração como os do Scorsese,Alexander Payne,Clint Eastwood,irmãos Coen e PTA.O virtuosismo dele até me irrita um pouco,traveling,cor amarela,corta,mais traveling,Owen Wilson e corta…fico até um pouco tonto.”Moonrise Kingdom”foi um ponto de virada.Um filme sobre amadurecimento,adultos covardes e um roteiro autobiográfico,misturado a uma direção madura e objetiva.E agora “O Grande Hotel Budapeste” que confirma a grande fase de Anderson.M. Gustave (Ralph Fiennes) é um personagem adorável e sua linda amizade com o garoto Zero (Tony Revolori).Gostei muito de rever F.Murray Abraham e a curta e excelente participação de Tilda Swinton.Figurinos e direção de arte excepcionais.Possivelmente o filme leva a estatueta de roteiro original e Wes Anderson finalmente ganha seu Oscar.

    • Kamila Azevedo 21 fevereiro, 2015 at 19:34 Responder

      Paulo, também não sou a maior fã de Wes Anderson. O estilo dele é muito “bizarro” pra mim, mas admiro o fato de ele não comprometer sua identidade para ser bem-sucedido em Hollywood. Acho que “Moonrise Kingdom” levou ele a outro patamar e essa transformação foi consolidada com “O Grande Hotel Budapeste”. Concordo que o filme levará o Oscar de Melhor Roteiro Original.

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