O Universo no Olhar

Existe um ditado popular que afirma que os olhos são a janela para a alma. Se o Dr. Ian Gray (Michael Pitt), personagem principal do filme “O Universo no Olhar”, dirigido e escrito por Mike Cahill, pudesse acrescentar algo a esse ditado, ele diria que existe um universo diferente dentro de cada olhar. E ele falaria isso com a propriedade de quem é um especialista em biometria por íris ocular que devotou a sua vida acadêmica a provar cientificamente que o olho humano chegou ao seu grau de evolução máximo, sem qualquer ajuda tecnológica, digamos assim.

Como todo bom cientista, Ian só acredita naquilo que pode ser provado após a realização de pesquisas científicas. Ou seja, neste sentido, o que “O Universo no Olhar” acaba sendo é mais um filme de ficção científica que coloca em xeque a ciência e a religião. O roteiro de Mike Cahill acaba retratando a jornada que Ian vive após ele ser confrontado com a possibilidade de que a íris do olho de cada ser humano é única e, na medida em que esse ser reencarna, essa íris permanece com ele, como se fosse algo inerente à nossa mais pura essência.

Desta maneira, podemos perceber que “O Universo no Olhar” introduz, especialmente em seu último ato, uma discussão muito interessante acerca da reencarnação e da possibilidade que todos nós teríamos de reencontrar aquele determinado par de olhos que modificou o nosso mundo. O problema é que, por apostar na tensão entre a visão científica que Ian segue fielmente e a visão religiosa que é utilizada como princípio para uma outra pesquisa científica, Cahill acaba falhando, especialmente no quarto final do filme, deixando mais perguntas do que respostas na mente de sua plateia.

6 comments

  1. Paulo Ricardo 5 março, 2015 at 03:05 Responder

    Fiquei curioso pra ver esse filme.Do Mike Cahill conferi “A Outra Terra” um filme que lembra “Melancolia” e “A Árvore da Vida” bem contemplativo e que passou em sundance.Michael Pitt anda sumido dos cinemas,lembro dele em “Os Sonhadores” de Bernardo Bertolucci,”Últimos Dias” de Gus Van Sant e o pesado “Violência Gratuita” de Michael Haneke.E um tema que você cita na sua critica me interessa nesse filme:reencarnação.

    • Kamila Azevedo 5 março, 2015 at 11:15 Responder

      Paulo, assisti esse filme com o meu noivo e, apesar de não ser a maior fã de ficção científica, confesso que adorei essa obra, apesar também da mesma ter seus clichês, justamente por causa da abordagem sobre a reencarnação e como isso confronta diretamente a visão científica do personagem do Michael Pitt. Tinha ouvido falar no Mike Cahill justamente por causa de “A Outra Terra”, um filme que foi muito bem recebido pela crítica quando estreou.

  2. Grasiele Maria 24 setembro, 2016 at 00:40 Responder

    Oi!
    Queria saber si tem o livro desse filme, pos estou pesquisando muito ele na internet e não estou encontrando! Já assisti o filme umas 3x e estou afim de saber mais sobre a história desse filme..
    #Mim_Ajudem_pfv ?

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