Cena da Semana: "Melinda e Melinda"

(Melinda e Melinda [2004] - diretor: Woody Allen)

Em “Melinda & Melinda”, o diretor e roteirista Woody Allen tenta responder a uma pergunta que, de tão simples, acaba se tornando extremamente difícil: afinal, qual é a essência da vida? Para tanto, Allen reúne quatro amigos dentro de uma cafeteria. No grupo estão dois escritores: um especialista em idealizar dramas e outro em criar comédias. Quando um dos amigos relata uma história que ele escutou, os dois autores começam a desenhar a resposta da pergunta – que é a história do filme propriamente dita.

Cada um deles, então, irá apresentar a sua história sob dois pontos de vista diferentes: um dramático e outro cômico. O tema é simples: Melinda (a atriz australiana Radha Mitchell, de “Em Busca da Terra do Nunca”) chega inesperadamente em dois apartamentos de Nova York e interrompe dois jantares importantíssimos, nos quais dois casais tentam convencer duas pessoas a embarcar em um projeto que eles estão visualizando. A chegada de Melinda irá desencadear uma série de situações – que sempre descambam ou para o lado cômico ou para o dramático -; todas elas ilustrando a luta de uma mulher que tentar reencontrar a sua vontade de viver e acaba despertando nos outros a mesma vontade de mudança e reestruturação na vida.

Ao assistir “Melinda & Melinda” é impossível não comparar as duas histórias que nos são apresentadas. Surpreendentemente, o ponto de vista dramático de Melinda é bem mais rico do que o cômico – em todos os sentidos. Por causa disso, incomoda o fato de Woody Allen ter deixado o drama de lado e optado por dar um fechamento somente à história cômica do filme. A impressão que se tem disso é que só terá um final feliz aqueles que encaram a vida sem seriedade. Será essa a essência da vida que Allen procurava encontrar?

2 comments

  1. Paulo Ricardo 9 Março, 2015 at 02:04 Responder

    Qual é a essência da vida?Quem conseguiu responder essa pergunta(pra mim) foi Terrence Malick em “A Árvore da Vida”. “Melinda e Melinda” é um dos momentos menos criativos de Woody Allen.No meio do excelente “Desconstruindo Harry” à “Match Point”(renascido para uma nova geração),Allen dirigiu filmes sem nenhuma inspiração e seguindo a cartilha do “sorteio de idéias”(vale a pena lembrar que o diretor tinha uma caixinha com várias anotações de idéias para filmes e a cada ano ele tirava uma idéia da caixa.Essa entrevista esta disponível nos extras de “Dirigindo no Escuro”).Alguns me divertiram como “Trapaceiros”(o plano de arrombar o muro que dividia uma confeitaria de um banco dá errado,o motivo?a confeitaria começa dar muito dinheiro rsrsrs) e o belissimo “Poucas e Boas”(Sean Penn arrasando como o genioso cantor Emmett Ray).Nem a parte dramática e a cômica de “Melinda e Melinda” funciona.Gostei da sua observação quanto a impressão de que só terá um final feliz aqueles que encaram a vida sem seriedade.Quando conferi esse filme observei um microfone vazando nas costas da Radha Mitchell.Considero esse um dos piores filmes dele(não o pior,esse posto é de “Scoop”).Todo mundo erra,até um cineasta genial como Woody Allen.

    • Kamila Azevedo 10 Março, 2015 at 01:11 Responder

      Paulo, concordo que “Melinda e Melinda” é um dos momentos menos criativos de Woody Allen como diretor e roteirista, mas acho que a premissa do filme é muito bacana.

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