Para Sempre Alice

Existem notícias que tiram o nosso chão. Para Alice Howland, isso acontece quando ela, num consultório médico, recebe o devastador diagnóstico de que possui uma forma rara de Mal de Alzheimer, devido à sua idade. A descoberta da doença não só afeta Alice em si, como também à sua família, pois, como ela possui uma forma rara da enfermidade, isso advém de uma mutação genética que, provavelmente, afetará seus filhos (interpretados por Kate Bosworth, Hunter Parrish e Kristen Stewart).

“Para Sempre Alice”, filme dirigido e escrito pela dupla Richard Glatzer e Wash Westmoreland, acaba sendo inédito em obras com temática parecida com essa. Ao contrário do visto em “Longe Dela”, filme de Sarah Polley, por exemplo, não temos a visão da doença pelo ponto de vista de quem fica: o cuidador. Ou seja, a história do longa é contada por Alice e acompanhamos a visão dela sobre como é ir perdendo, cada vez mais, a sanidade, as suas lembranças e a sua identidade, na medida em que ela vai se transformando em uma estranha para si mesma – e para a sua família, o que redefine todo o relacionamento que ela possui com eles.

Deve ser horrível ter que passar (ou ver alguém que amamos muito vivenciar isso) por uma situação desse tipo. E, para Alice, o diagnóstico é pungente. Uma professora renomada de linguística, dona de uma mente criativa e bastante ativa, mãe participativa na vida dos seus filhos, mulher independente e fascinada pela oportunidade de se comunicar com os outros. Para ela, a sensação e a certeza de que o caráter degenerativo de sua doença vai fazer com que ela perca as coisas que, provavelmente, ela mais valoriza, é algo muito doloroso.

Talvez, por isso mesmo, o elemento que acaba mais se sobressaindo num filme simples como “Para Sempre Alice” (que foi filmado em 23 dias e foi originalmente concebido como um telefilme) é a atuação de Julianne Moore, que, após cinco indicações, finalmente conseguiu a sua tão cobiçada estatueta do Oscar de Melhor Atriz por esse filme. A atuação dela, além de forte, é repleta de compaixão e de humildade diante de uma situação que causa uma impotência tão grande na gente. O discurso dela na conferência de pacientes com Mal de Alzheimer justifica todos os prêmios conquistados por ela nesta temporada.

Indicação ao Oscar 2015
Melhor Atriz - Julianne Moore - VENCEDORA!!!

6 comments

  1. Matheus Pannebecker 10 Março, 2015 at 02:10 Responder

    Eventualmente lembro de “Para Sempre Alice” com carinho e emoção, mas aí paro para pensar um pouco e percebo que isso é consequência apenas de mais um ótimo desempenho de Julianne Moore, uma das atrizes mais sensíveis e humanas que temos. Tenho problemas com o filme, que está longe de alcançar aquela beleza de “Longe Dela”, por exemplo. Se não tivesse sido lançado na temporada de premiações e em uma disputa de melhor atriz que sequer tinha qualquer interpretação que pudesse despontar algum favoritismo sem a presença de Julianne Moore, “Para Sempre Alice” sequer teria sido lembrado por prêmios ou até mesmo por público. Pena, queria ver a consagração da queridíssima Moore com um trabalho inventivo e poderoso. Nesse filme, é óbvio que ela daria conta do recado!

    • Kamila Azevedo 10 Março, 2015 at 21:23 Responder

      Matheus, o filme também me trouxe carinho e emoção em vários momentos, mas isso se decorreu à atuação de Julianne Moore. O filme, em si, é muito simples e não chama a atenção por causa de outros detalhes. Não assisti ainda a todas as indicadas ao Oscar de Melhor Atriz, mas, pra mim, estava muito claro que o prêmio de Moore foi pelo conjunto da sua obra. Ela merecia esse Oscar há muito tempo.

  2. Paulo Ricardo 10 Março, 2015 at 02:51 Responder

    Esse filme é tão convencional,mas com mais uma excelente atuação de Julianne Moore.Uma grande atriz que merecidamente ganhou o Oscar(todos nós cinéfilos ou blogueiros torcíamos por essa vitória).Em comparação com o canadense “Longe Dela” esse filme tem uma abordagem diferente(como você mesmo disse no seu texto) mas “Para Sempre Alice” poderia ser bem melhor.Dentre os filmes que abordam o alzheimer eu ainda prefiro “Longe Dela” e “Amor” de Michael Haneke.Mas “Para Sempre Alice” tem o mesmo peso que “Perfume de Mulher” teve para Al Pacino:o filme que deu o Oscar para uma das melhores interpretes americana.

    Top 5 Julianne Moore:

    1-“Longe do Paraíso,2002 Todd Haynes”-Uma mulher traída pelo marido,começa um relação com o jardineiro negro e acena com um novo recomeço em sua vida amorosa.Só temos um problema:estamos em Connecticut em plena década de 50.O visual desse filme é explêndido e Dennis Quaid tem a melhor atuação da carreira como um homem que não aceita a homosexualidade.

    2-“As Horas,2002 Stephen Daldry”-Laura Brown tem marido,filho e uma vida confortável.Lê “Sra. Dalloway” de Virginia Woolf e desconhece sua homosexualidade até um inesperado beijo na vizinha(cena belissima com a também ótima Toni Collete).As atitudes de Brown respinga no futuro no filho(na fase adulta interpretado por Ed Harris).Meryl Streep e Nicole Kidman completam o elenco desse mosaico de Stephen Daldry.

    3-“Fim de Caso,1999 Neil Jordan”-Mais um show de Julianne nesse belo filme de Neil Jordan(que anda sumido do cinema).Uma atuação corajosa com cenas de sexo com Ralph Fiennes.Do top 5 é o único que eu assisti apenas uma vez.

    4-“Magnólia,1999 Paul Thomas Anderson”-Julianne Moore percebe estar apaixonada pelo marido no leito de morte.O que era um “golpe do baú” se transforma em amor,afinal o velho está prestes a morrer e ela aos poucos percebe a importância dele em sua vida.A cena que Tom Cruise “vomita” sua mágoas na cara do pai ausente me fez chorar que nem criança,PTA apronta cada uma comigo…

    5-“Boogie Nights,1997 Paul Thomas Anderson”-Julianne Moore é a atriz pornô que estrela um filme com Mark Wahlberg.Esse filmaço de Paul Thomas
    Anderson retrata a fama e queda de uma trupe de astros de filmes adultos.Essa “gema” que retrata a chegada do vhs(que ajudou a afundar a indústria pornográfica.Afinal nos anos 80 ninguém mais ia ao cinema ver filme pornô) e um elenco com Philip Seymour Hoffman,um renascido Burt Reynolds,William H.Macy e Julianne Moore que recebeu sua primeira indicação ao Oscar por esse filme.Deu uma vontade de rever…

    Tem “Ensaio Sobre a Cegueira” com Fernando Meirelles,a lésbica de “Minhas Mães e Meu Pai”,a alcoólatra amiga de Colin Firth em “Direito de Amar”,”Short Cuts” do mestre Robert Altman e a esposa desconfiada do marido em “O Preço da Traição” de Atom Egoyan(o filme não é tão bom,mas ela está muito bem).Um curriculo desses é pra poucas.

    • Kamila Azevedo 10 Março, 2015 at 21:20 Responder

      Paulo, sim, “Para Sempre Alice” poderia ser um filme melhor, mas ele acaba se sobressaindo por causa da atuação de Julianne Moore. Nessa mesma temática, eu ainda prefiro “Longe Dela” e “Amor”.

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