A Teoria de Tudo

Durante uma entrevista realizada ao jornal inglês Daily Mail para divulgar o filme “A Teoria de Tudo”, a atriz Felicity Jones afirmou o seguinte: “eu leio sobre esses grandes homens que fizeram história e sempre terá uma grande mulher por trás de tudo fazendo o trabalho tedioso e menos glamoroso que mantém tudo funcionando. Essas mulheres não deveriam permanecer invisíveis”. Ela se referia, principalmente, à Jane Hawking, personagem que ela interpreta no filme, e que veio a ser, durante os 30 anos mais importantes da vida do cosmólogo britânico Stephen Hawking, a sua esposa.

“A Teoria de Tudo” é justamente baseado no livro de memórias que foi escrito por Jane sobre o período em que ela conviveu com uma mente tão brilhante como a de Stephen. Ao assistirmos ao filme, fica a certeza de que, mais do que o relato sobre como Stephen Hawking superou todas as dificuldades que lhe foram impostas pela ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), doença degenerativa com a qual ele foi diagnosticado em meados dos anos 60, para se transformar em uma das mentes mais proeminentes no que diz respeito ao estudo do tempo e da criação do universo; este é um filme sobre o sacrifício que Jane se impôs ao escolher se casar com Stephen.

Jane Hawking colocou a sua vida (profissional, principalmente) por completo, em segundo plano, de forma a poder proporcionar à Stephen Hawking uma vida plena, dentro de suas limitações. E que plenitude os dois tiveram (vivenciaram): criaram 3 filhos, viajaram e se divertiram – ao mesmo tempo em que Stephen, com o apoio de Jane, também teve toda a rede de suporte para enfrentar a sua doença e alcançar tudo aquilo que ele sempre imaginou, em termos de seu trabalho científico. Entretanto, “A Teoria de Tudo” é também muito sincero ao retratar que uma vida de sacrifício pessoal sempre coloca uma sombra diante de quem faz essa escolha, na medida em que existe o ressentimento por parte de Jane de não ter tido a coragem de brigar pela sua própria felicidade e realização pessoal.

Chega a ser acalentador que um filme com um sentimento tão denso não caia no terreno da angústia e da tristeza sem fim. Isso acontece porque Jane se sentia plenamente confortável com o que escolheu e porque Stephen tinha a plena consciência de (ou a sensibilidade de perceber) que sua esposa precisava de um tempo para ela mesma. Apesar dessa não ser uma história com um típico final feliz hollywoodiano, “A Teoria de Tudo” se destaca pela perfeita interação entre o seu casal central de atores: a já citada Felicity Jones (indicada ao Oscar 2015 de Melhor Atriz) e Eddie Redmayne (vencedor do Oscar 2015 de Melhor Ator). São eles, com a ajuda da bonita trilha sonora composta por Jóhan Jóhansson, que nos levam numa viagem pelos altos e baixos de um relacionamento peculiar, mas que representa bem o verdadeiro significado da palavra amor; afinal, mais do que ceder, sacrificar e renunciar; amar de verdade significa também saber o momento certo de saber partir e de deixar para trás.

Indicações ao Oscar 2015
Melhor Filme
Melhor Ator – Eddie Redmayne – VENCEDOR!!!
Melhor Atriz – Felicity Jones
Melhor Roteiro Adaptado – Anthony McCarten
Melhor Trilha Sonora Original – Jóhan Jóhansson

6 comments

  1. Pablo 19 março, 2015 at 03:21 Responder

    Belíssima critica Kamila!!!
    Eu adorei esse filme, pela história e também pela química perfeita que teve o casal de protagonistas.
    Muita gente pode ficar se perguntando por Michael Keaton não ganhou o Oscar esse ano, mas não tem como não assistir esse filme e dizer que Eddie não mereceu a estatueta, o q ele fez durante o filme para interpretar Stephen com todos os seus problemas, trejeitos e acima de tudo, a comunicação através dos gestos e do olhar, e coisa de outro mundo, eu fiquei pensando que estava vendo o próprio Stephen atuando e não Eddie.
    Só o amor pode explicar porque uma mulher bonita e inteligente como Jane, aceitou se casar com Stephen mesmo sabendo que ele tinha uma doença degenerativa e que na época os médicos só deram 2 anos de vida para ele?
    A cena mais emblemática, bonita e emocionante do filme é quando ele esta comemorando a aprovação de sua dissertação em casa com os amigos e Jane, e ele decide se retirar da mesa sozinho, ir se arrastando para o quarto sem querem a ajuda de ninguém, deixando no ar que apesar da comemoração ser para ele, ele é um coadjuvante naquela festa.
    Já disse e não canso se dizer, esse para mim foi o melhor filme do Oscar 2015, tanto é que recebeu 5 indicações e todas elas nas 5 principais categorias do premio.

    • Kamila Azevedo 20 março, 2015 at 00:18 Responder

      Pablo, obrigada! Eu gosto tanto da atuação de Michael Keaton quanto da de Eddie Redmayne e o Oscar estaria em boas mãos independente de quem vencesse. Porém, após assistir “A Teoria de Tudo”, é impossível não se impressionar com o excelente trabalho de Eddie Redmayne. Ele mereceu demais o Oscar. Acho que esse filme é uma grande história de amor, de sacrifício e de renúncia. Gostei muito mesmo!

  2. Paulo Ricardo 21 março, 2015 at 02:16 Responder

    Um filme tem que “fincar” o coração do cinéfilo.Scorsese sabe me pegar de jeito.Qualquer filme dele me leva nas nuvens.Alexander Payne com aqueles protagonistas em crise existencial sabe “fincar” meu coração e me torno cumplice de seus heróis.”A Teoria de Tudo” é um filme bem realizado,bem interpretado,que como você mesmo diz uma história de sacrificio e renúncia,uma fotografia linda(a cena da convenção que Stephen Hawking imagina pegando a caneta para a moça é soberba e muito bem realizada) e total interação(vc tbm cita isso na sua critica) entre Eddie Redmayne e Felicity Jones.Aliás Eddie Redmayne está ótimo,mas não concordo com a vitória dele(por diversas razões que não cabe nesse post).Recomendo dois grandes trabalhos de James Marsh:”The King” com Gael Garcia Bernal como um filho rejeitado de um pastor(William Hurt) e o documentário “O Equilibrista” no qual Marsh ganhou o Oscar(esse ano Robert Zemeckis lança a versão ficcional dessa história em 3D).

    • Kamila Azevedo 22 março, 2015 at 23:52 Responder

      Paulo, acho que o Oscar ficou em excelentes mãos com a vitória de Eddie Redmayne. A atuação dele é excelente e rivaliza de igual para igual com a de Michael Keaton. Dos trabalhos anteriores do James Marsh, só assisti ao documentário “O Equilibrista”, que, realmente, é um grande filme.

Deixe uma resposta