Cinderela

Baseado em um dos contos de fadas mais populares que existem, “Cinderela”, filme dirigido por Kenneth Branagh, nos apresenta a uma personagem que não é a típica heroína desse tipo de gênero, uma vez que a história dela é repleta de dor e de sofrimento até que seja alcançada a sua redenção final. Porém, o que chama a atenção em Cinderela (interpretada aqui por Lily James) é que ela, apesar de todas as experiências negativas pela qual passa, mantém a sua força e a sua fé diante da esperança de que dias melhores virão.

Essa atitude que ela adota é resultado de uma promessa que ela fez à sua mãe (Hayley Atwell), quando ela estava no seu leito de morte: “eu tenho que lhe contar um segredo que vai lhe ajudar durante todas as provas que a vida irá lhe oferecer. Tenha coragem e seja gentil”. E é assim, sendo corajosa e gentil, que Cinderela superará a morte de sua mãe; posteriormente a do seu pai (Ben Chaplin); e os maus tratos que passa a sofrer de sua madrasta (Cate Blanchett, numa performance deliciosa como a grande vilã do filme) e das suas irmãs (Sophie McShera e Holliday Grainger), que as tratam como se ela fosse a sua empregada e estivesse ali somente para servi-las.

Também sendo corajosa e gentil, Cinderela aguarda pacientemente pelo momento em que as coisas vão mudar para ela. E é aqui que entra o elemento "contos de fadas" dessa história. Quais seriam as chances de alguém como Cinderela, que vive reclusa dentro de uma casa, de conhecer alguém que significará para ela a chance do “felizes para sempre”? Pois é justamente isso que acontece quando os caminhos dela cruzam com o do príncipe (Richard Madden) do seu reino e, numa noite mágica, digna dos grandes romances, com a ajuda de uma Fada Madrinha (Helena Bonham Carter, irreconhecível) em um baile real, ela tem a chance de se transformar naquilo que ela sempre foi: uma linda menina, repleta de sonhos e planos que, um dia, ela espera realizar.

Para os corações mais duros, alguém como Cinderela é impossível de existir, afinal quem é que ainda consegue manter um espírito positivo diante de tanta provação? Mas, é justamente essa atitude dela que é inspiradora. A personagem é um exemplo muito positivo, pois, ao nos mostrar que a crença na coragem, nos valores, na bondade genuína e na gentileza de graça rendem seus frutos, passamos a crer que todos nós temos a chance de encontrar o nosso próprio sapatinho de cristal. E aí está a magia por trás do belo filme dirigido por Kenneth Branagh, que é mais um exemplar recente do novo caminho traçado pelos estúdios Disney, que, depois de tentarem modernizar as suas princesas (em filmes como “Encantada” e “Valente”), agora fazem o caminho contrário, reforçando valores que precisam ser reencontrados no mundo cínico em que vivemos.

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