Whiplash: Em Busca da Perfeição

Nota9.6
9.6

Ao final da cena apoteótica que encerra “Whiplash: Em Busca da Perfeição”, filme dirigido e escrito por Damien Chazelle, é impossível não imaginar Andrew (Milles Teller) incorporando uma Nina (Natalie Portman, no filme “Cisne Negro”, de Darren Aronofsky) e afirmando para si mesmo: “Eu senti. Perfeito. Eu fui perfeito”. As semelhanças não param por aí. Assim como Nina, Andrew é alguém que está começando na forma artística que decidiu abraçar e que está prestes a ter a sua primeira grande chance. Assim como Nina, que enfrentou o temido Thomas Leroy (Vincent Cassel), Andrew terá no mestre Terence Fletcher (J.K. Simmons, numa atuação monstruosa, merecedora do Oscar 2015 de Melhor Ator Coadjuvante), ao mesmo tempo, a pessoa que vai fazer com que ele queira ir além do que ele sempre alcançou e o seu maior carrasco.

Quando “Whiplash: Em Busca da Perfeição” começa, Andrew tem, dentro de si, muito certo aquilo que ele mais quer. Movido pelo desejo de se transformar em um grande músico e marcar seu nome na história da música norte-americana, Andrew tem plena consciência de que, para alcançar aquilo que os teóricos musicais chamam de virtuose, é preciso muita dedicação, horas exaustivas de prática musical e, principalmente, sacrifício.

De uma certa maneira, esse diferencial de Andrew é percebido por Fletcher, que o convida a fazer parte, como baterista reserva, da orquestra principal do Shaffer Conservatory of Music. É aqui que começa a transformação de Andrew. A partir do momento em que ele começa a ser confrontado com o assédio moral que Fletcher impõe aos seus músicos (que acredita, piamente, estar fazendo o bem a eles), Andrew transforma o que era dedicação em obsessão, perdendo a noção dos seus limites (físicos e emocionais) e transcendendo, transformando a si mesmo na música que ele quer dominar.

Aqui, entra, mais uma vez, a inevitável comparação entre “Cisne Negro” e “Whiplash: Em Busca da Perfeição”. Nos dois filmes, os personagens principais são artistas que tem a obsessão em dominar a técnica, mas se esquecem de algo tão importante: a emoção, se jogar por completo dentro do que eles se propõem a passar para a plateia e sentir de verdade cada passo de dança/cada toque na bateria. A jornada de Nina e de Andrew no decorrer dos dois filmes é rumo ao encontro com a arte naquilo que poucos artistas conseguem alcançar: a simbiose entre o que se vive, o que se sente e o que se quer passar.

Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, 2014)
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle
Elenco: Miles Teller, J.K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist, Austin Stowell, Nate Lang

Oscar 2015
Melhor Ator Coadjuvante – J.K. Simmons (VENCEDOR!)
Melhor Edição - Tom Cross (VENCEDOR!)
Melhor Mixagem de Som (VENCEDOR!)
Melhor Filme
Melhor Roteiro Adaptado – Damien Chazelle

7 comments

  1. Paulo Ricardo 26 julho, 2015 at 23:03 Responder

    Assino embaixo sua crítica.Montagem expecional,Milles Teller e J.K Simons estão ótimos e surge um cineasta promissor, esse foi um dos melhores filmes da última temporada de prêmios.E concordo em relação a “Cisne Negro”.

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