Ricki and the Flash: De Volta Para Casa

publicado em:22/09/15 12:43 AM por: Kamila Azevedo Cinema

Considerada por muitos como a maior atriz viva da atualidade, Meryl Streep é uma das poucas que pode analisar a sua carreira atual e dizer que, para ela, oportunidades em Hollywood é o que não faltam. Indicada 19 vezes ao Oscar, com três vitórias no prêmio mais importante da indústria cinematográfica, em Ricki and the Flash: De Volta Para Casa, filme dirigido por Jonathan Demme, Streep tem a oportunidade de interpretar uma personagem completamente diferente em sua filmografia: uma cantora de rock ‘n roll, fato que a permite aparecer com um visual bastante moderno.

Não é por ser uma cantora de rock ‘n roll que isso significa que Ricki tem valores diferentes. Por força do amor à sua verdadeira vocação e ao dom da música, ela escolheu sacrificar o convívio com o – agora – ex-marido Pete (Kevin Kline) e os três filhos Julie (Mamie Gummer, filha de Streep na vida real), Josh (Sebastian Stan) e Adam (Nick Westrate). A mãe ausente se transformou numa figura folclórica na anedota familiar e, na medida em que foi “substituída” pela perfeita nova esposa do seu marido, Maureen (Audra McDonald), viu a importância de seu papel na vida dos filhos decair cada vez mais.

O roteiro escrito por Diablo Cody (de Juno) faz uma análise bastante interessante das consequências da escolha de Ricki. Não só ela não conseguiu se transformar numa estrela do rock, como está falida financeiramente, num emprego como caixa de um supermercado que ela é obrigada a ter para poder pagar as suas contas e, além disso, não consegue encontrar estabilidade na sua vida amorosa. A sua chance de redenção vem da oportunidade de se reconectar com seus filhos, no momento em que Julie está passando por um divórcio doloroso.

A mãe que era alijada do convívio familiar, agora tem a chance de poder, com suas particularidades, ensinar aos filhos um pouco sobre leveza, sobre se manter fiel àquilo que se é verdadeiramente e sobre ter a resiliência necessária para encarar as porradas que a vida, de vez em quando, nos dá. De uma certa maneira, tais temas encontram uma ressonância muito importante dentro da própria filmografia de seu diretor, que já explorou famílias disfuncionais antes em filmes como O Casamento de Rachel.

Entretanto, existe algo de muito diferente em Ricki and the Flash: De Volta para Casa e que está diretamente relacionado ao diálogo entre o clássico e o moderno. Este elemento está inserido na personalidade de Ricki, na maneira sutil e, às vezes, desastrada, como ela consegue se aproximar de sua filha (e tenho certeza de que Demme se aproveitou muito da dinâmica natural existente entre Meryl e Mamie); e na excelente trilha sonora do filme, cujas músicas rendem alguns dos momentos mais legais desta obra, nos lembrando de que a arte tem, sim, o poder de alcançar os nossos sentimentos mais íntimos, nos unindo em prol de um interesse comum. É assim que Ricki se comunica e é assim que ela vai ser aceita de verdade por aqueles que deveriam amá-la.

Ricki and the Flash: De Volta Para Casa (Ricki and the Flash, 2015)
Direção:
Jonathan Demme
Roteiro: Diablo Cody
Elenco: Meryl Streep, Rick Springfield, Adam Shulman, Kevin Kline, Mamie Gummer, Bill Irwin, Sebastian Stan, Nick Westrate, Audra McDonald



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Quero conferir esse filme por Meryl Streep e Jonathan Demme.E o encontro entre mãe e filha.Aposta em Meryl nomeada a atriz comédia/musical no Golden Globe?

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Excelente crítica. E a relação com “O casamento de Rachel” foi muito bem observada. O uso da música em “Ricki and the flash”, como vc bem sublinhou, é triunfante e triunfal!

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Gostei muito desse filme, Kamila! É super simples e tão delicado ao falar sobre tantas coisas. Família, carreira, música, relações… Tudo com a habitual esperteza da Diablo Cody. E você tocou em um ponto importante: as canções são fundamentais para a construção da história – e por isso acho uma verdadeira pena que elas não estejam legendadas aqui no Brasil!

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Reinaldo, obrigada! O casamento de Rachel e o casamento do filho de Ricki possuem muito em comum. Os dois momentos são de pura comunhão, em que as diferenças existentes entre aquelas pessoas não existem enquanto aquilo durar. A música é a maneira como Ricki se comunica e isso está muito forte em “Ricki and the Flash”.

Matheus, pois é. Eu concordo. Achava que as músicas seriam legendadas em português, mas isso não aconteceu. Acredito que isso tirou um pouco da carga dramática de algumas cenas, por a gente não compreender bem o quanto aquelas letras casavam com o drama particular de Ricki ao voltar pra casa.

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Concordo, Kamila, o filme consegue nos tocar e as cenas com música sempre crescem muito. A cena em que os dois estão no palco após ela perceber o que aconteceu com a guitarra, por exemplo, é sensacional.

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Amanda, exatamente. Acho que a música atua, nesse filme, como um pano de fundo bem interessante à história dos personagens.

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