Cena da Semana: "Redentor"

("Redentor" [2004] - diretor: Cláudio Torres)

Célio Rocha (Pedro Cardoso) não nasceu em uma família abastada, não teve uma vida de luxos, mas, apesar disto, nunca passou necessidades. O grande amigo dele, durante a infância, era Otávio (Miguel Falabella), filho do construtor Evandro Saboya (José Wilker). Ao contrário de Célio, Otávio possuía melhores condições de vida, tinha tudo o que queria e fazia aquilo que lhe desse vontade. Bem dentro do seu íntimo, Célio desejava ser como Otávio e levar a vida que o amigo levava.

O interesse mútuo que une Célio a Otávio será o pano de fundo no qual Cláudio Torres, o diretor e co-roteirista de “Redentor”, destilará as suas críticas a certos aspectos da sociedade brasileira (a corrupção, a injustiça, a miséria, a má distribuição de renda, a fé desmedida, a falência do sistema penitenciário, entre outros), mostrando como a pressão e o sentimento de culpa invadem o cidadão comum brasileiro e o obriga a tomar atitudes impróprias e – até certo ponto – criminosas.

De certa maneira, a história de “Redentor” e de Célio é o retrato da vida de um brasileiro comum, que possui o desejo de melhorar de vida, o sonho de ter a casa própria, que tem que lidar com a desonestidade dos outros, que tem que encarar as tentações existentes dentro de cada um e que tem que, no final do dia, solucionar os problemas com aquele jeitinho brasileiro. Desculpando as fantasias e os devaneios criativos de Cláudio Torres (que acabam prejudicando o filme), “Redentor” é a maior prova de que cada ação possui uma conseqüência e Célio aprenderá isto da pior forma.

2 comments

  1. Paulo Ricardo 29 setembro, 2015 at 21:02 Responder

    Claudio Torres é um diretor que apareceu muito bem com “Redentor” mas que não confirmou as expectativas nos filmes seguintes(“A Mulher Invisível” com Selton Mello e “O Homem do Futuro” com Wagner Moura).Kamila,da Conspiração Filmes eu só gosto dos filmes de Breno Silveira “2 Filhos de Francisco” e “Gonzaga:De Pai pra Filho”.Diferente da 02(“Não Por Acaso”,”À Deriva”,”O Ano em que…”,”Xingu”…) os filmes da Conspiração tem muita ambição e pouco conteúdo(“Casa de Areia” é o melhor exemplo).

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