Operações Especiais

publicado em:22/10/15 12:16 AM por: Kamila Azevedo Cinema

Operações Especiais, filme dirigido e co-escrito por Tomás Portella, se passa em 2011, quando as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) começaram a proliferar no Estado do Rio de Janeiro. As UPP instituíam polícias comunitárias nas favelas, com o objetivo de desarticular as quadrilhas de traficantes que controlavam essas comunidades. Uma das consequências da implantação das UPP foi que essas quadrilhas, que não encontravam mais espaço para agir na capital carioca, passaram a invadir o interior do Estado, aumentando o índice de criminalidade onde isso não existia anteriormente.

O filme acompanha a história de Francis (Cleo Pires), jovem formada em Turismo, e que trabalhava como recepcionista em uma grande rede de hotéis do Rio de Janeiro. Após sofrer na pele com a violência urbana, em um assalto ocorrido no seu local de trabalho, Francis enxerga a possibilidade de ascender socialmente ao ingressar na carreira de Policial Civil. Depois de passar no concurso público e se destacar no curso de formação de investigadora, Francis ingressa na prestigiada equipe do delegado Paulo Fróes (Marcos Caruso), que é conhecida por reunir os policiais com a ficha mais limpa da corporação.

O seu primeiro local de atuação será na cidade fictícia de São Judas do Livramento, no interior do Rio de Janeiro. A equipe do delegado Paulo Fróes chega na cidade para solucionar um crime que chocou a, antes, pacata comunidade: o assassinato de duas crianças. A presença dos policiais civis na cidade, além de mexer com a rotina da localidade, é o pretexto perfeito para que o roteiro escrito por Mauro Lima, Tomás Portella e Martina Rupp, aborde alguns dos problemas crônicos da nossa sociedade, como a corrupção, a violência urbana e as milícias.

Entretanto, o mais interessante de Operações Especiais foi a forma como o roteiro decidiu abordar esses problemas. Seguindo o exemplo de um longa como Tropa de Elite, dirigido por José Padilha, vemos uma crítica social séria sendo abordada como o pano de fundo de uma história de ascensão profissional de um (a) policial que começa a sua carreira no meio de um verdadeiro furacão, tendo que se firmar diante de toda a desconfiança (e machismo) de seus colegas e aprendendo a lidar com a sua própria insegurança até conseguir encontrar o seu próprio caminho de dureza e de imposição do medo. Neste sentido, é surpreendente o trabalho desenvolvido por Cleo Pires, que consegue passar muito bem para a plateia toda a gama de sensações, de pensamentos, de medo e de ansiedade que giram em torno de Francis nessa primeira grande missão e no retrato de que a trajetória que ela decidiu seguir é uma daquelas decisões que não têm mais volta.

Operações Especiais (2015)
Direção: Tomás Portella
Roteiro: Tomás Portella, Mauro Lima e Martina Rupp
Elenco: Cleo Pires, Fabrício Boliveira, Marcos Caruso, Fábio Lago, Thiago Martins, Fabiula Nascimento, Analu Prestes, Antonio Tabet



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Impressionante como o cinema de José Padilha fez escola depois do sucesso de “Tropa de Elite”.Filmes como “Segurança Nacional” de Roberto Carminati,”Federal” de Erik Castro,”Alemão” de José Eduardo Belmonte,”Rota Comando” de Elias Júnior entre outros.”Operações Especiais” parece seguir para o mesmo caminho com uma única diferença:uma protagonista feminina.

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Paulo, mas dos filmes que você citou, que são filhotes diretos de “Tropa de Elite”, pra mim, “Operações Especiais” é o melhor!

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