Sicario – Terra de Ninguém

publicado em:22/12/15 2:21 PM por: Kamila Azevedo Cinema

A parte mais importante de Sicario – Terra de Ninguém, filme dirigido por Denis Villeneuve, se passa na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Um local em que os limites se confundem, em que a lei não existe, em que se tem um clima inóspito e propício para a violência – qualidades reforçadas pela excelente direção de fotografia do longa. Em resumo, um lugar em que tudo pode acontecer. O roteiro escrito por Taylor Sheridan tem como foco principal uma história em que as autoridades norte-americanas tentam encontrar uma maneira de vencer um grande cartel mexicano de tráfico internacional de drogas.

A história nos é contada pelo olhar de Kate Macer (Emily Blunt), uma agente do FBI que trabalha diretamente na linha de fogo contra os grandes cartéis. Por mais que seu trabalho dedicado consiga ir exterminando com alguns pontos de vendas de drogas, Macer dificilmente chegará até o topo da cadeia de comando. É a sua curiosidade e a sua vontade em chegar até o final desse ciclo que a leva a aceitar o convite para trabalhar com a força-tarefa liderada por Matt Graver (Josh Brolin).

O objetivo de Graver é claro: acabar com o cartel mexicano! E para conseguir isso de uma forma eloquente, é preciso misturar um pouco os limites entre o que é legal e o que é ilegal. É a partir desse momento que Sicario – Terra de Ninguém se torna ainda mais interessante, pois ele trabalha com o contraste e com a tensão advinda entre a ética de trabalho de Macer e a forma própria de resolver os problemas que Alejandro (Benicio del Toro), um dos membros da força-tarefa de Graver, possui.

No início de Sicario – Terra de Ninguém, ficamos sabendo que este é um termo que faz referência a um assassino que é contratado para cometer qualquer espécie de crime. Neste sentido, na visão de Denis Villeneuve, Alejandro não é muito diferente do policial corrupto que ajuda o cartel ou do chefão do crime mexicano que ordena crimes da sua própria casa. Para todos eles, os fins justificam os meios. O que impressiona nesse cenário é que as Kate Macers que cruzam os caminhos deles, com sua inclinação ética forte, pouco podem fazer. A mensagem do filme é clara: os tempos são outros. Para enfrentar de igual para igual uma organização criminosa, é preciso deixar de lado qualquer livro de regras que o diga o que fazer e, principalmente, não confiar em ninguém!

Sicario – Terra de Ninguém (Sicario, 2015)
Direção: Denis Villeneuve
Roteiro: Taylor Sheridan
Elenco: Emily Blunt, Benicio del Toro, Josh Brolin, Victor Garber, Jon Bernthal, Daniel Kaluuya, Jeffrey Donovan



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


filme espetacular. um dos melhores de 2015. não esperava menos de denis villeneuve. além da história ser extremamente intrigante, as escolhas narrativas também colaboram bastante para o sucesso do filme. e o que dizer das atuações? todos comprometidos e inspirados, principalmente a emily blunt.

sicario é mais um trabalho que aborda o tráfico e suas mazelas, com o foco nos carteis mexicanos. a violência na cidade de Juarez é algo aterrador. e o diretor tem a coragem necessária para nos mostrar.

esse ano tive contato com 3 materiais que se complementam quando o assunto é o narcotráfico: sicario, narcos e o livro zero zero zero. vale a pena investir um tempinho nesses três para começarmos a ter uma ideia do tamanho do caos.

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Bruno, concordo com vários pontos de seu comentário. Sem dúvida, “Sicario” é um dos grandes filmes do ano. Uma obra competente, bem dirigida, escrita e atuada. Das obras complementares que você citou, ainda preciso assistir a “Narcos”, que está na minha lista do Netflix.

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OI, Kamila! Tudo bem?
Passando aqui para curtir a temporada de premiações. Saudades da época que conseguia acompanhar todos os blogs e ainda escrever no Cinema em Casa. Hehe!
Gostei bastante de Sicário. Mas acho que a cena em que buscam um chefão do crime lá no México é a mais tensa do filme. Deveria ter acontecido mais para o final.

Feliz 2016!

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ramonsonar, também tenho saudades de uma época em que eu tinha mais tempo para assistir filmes e poder me dedicar mais ao blog! Achei Sicario um filme bem tenso, do início ao final. Não acho que essa cena seja a mais tensa da obra!

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