O Regresso

publicado em:19/02/16 8:57 PM por: Kamila Azevedo Cinema

A jornada vivida por Hugh Glass (Leonardo DiCaprio, favoritíssimo ao Oscar 2016 de Melhor Ator), em O Regresso, filme dirigido e co-escrito por Alejandro González-Iñarritu, é uma verdadeira odisseia. No meio do desconhecido deserto norte-americano, enfrentando a adversidade de clima, a solidão, a inabilidade de comunicação diante da condição em que se encontrava, além dos animais selvagens que ali existem (em especial um urso que brutalmente lhe ataca); a maior luta de Glass, com certeza, é pela sobrevivência. Entretanto, mais do que tudo, é o desejo de se vingar que lhe fortalece e lhe move face a todos esses obstáculos.

É certo dizer que O Regresso é um filme que leva tanto o seu diretor, como a sua equipe técnica, assim como o seu elenco, por caminhos bem taciturnos e sombrios. Basta ver o embate que é estabelecido, logo de cara, entre o protagonista Glass e o antagonista John Fitzgerald (Tom Hardy, em atuação indicada ao Oscar 2016 de Melhor Ator Coadjuvante). Enquanto Glass é um homem fiel aos seus valores e, principalmente, à sua família (representada aqui pelo seu filho); Fitzgerald é um homem ambicioso e movido por aquilo que ele deseja alcançar – independente do fato de isso levá-lo a escolhas morais bastante questionáveis.

Apesar de essas dualidades estarem bastante claras para a plateia, a verdade é que O Regresso se exime de fazer um trabalho mais cuidadoso de construção de personagens. A intenção de Iñarritu, com seu filme, na realidade, é levar esses mesmos personagens às últimas consequências, explorando os seus limites, aquilo que eles podem aguentar ou, até mesmo, levando-os à delicada situação de poder sustentar algo que está para ruir a qualquer momento.

Neste sentido, é que se tem a ênfase na força quase animal e primitiva de Hugh Glass. Em O Regresso, ele resiste à dor profunda, à traição e ao sofrimento. Confinado a uma maca improvisada, em silêncio na maior parte do filme, chega a ser impressionante tentar analisar o por quê de tanto favoritismo de Leonardo Di Caprio, que defende um personagem raso, cujos motivos só são revelados no ato final do longa. É Hugh Glass que move a trama de um filme que usa a ação e a reação como desculpa para esconder os seus grandes defeitos – especialmente de roteiro. E é aqui que se revela também a genialidade de Iñarritu, que, com sua virtuose, soube revelar bem para a plateia aquilo que O Regresso tem de melhor – o seu elenco.

O Regresso (The Revenant, 2015)
Direção: Alejandro González-Iñarritu
Roteiro: Mark L. Smith e Alejandro González-Iñarritu (baseado parcialmente no livro escrito por Michael Punke)
Elenco: Leonardo Di Caprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Poulter, Forrest Goodluck, Paul Anderson, Lukas Haas

Indicações ao Oscar 2016
Melhor Filme
Melhor Ator – Leonardo Di Caprio
Melhor Ator Coadjuvante – Tom Hardy
Melhor Diretor – Alejandro González-Iñarritu
Melhor Fotografia – Emmanuel Lubezki
Melhor Edição – Stephen Mirrione
Melhor Figurino – Jacqueline West
Melhor Cabelo e Maquiagem
Melhor Mixagem de Som
Melhor Edição de Som
Melhor Efeitos Visuais
Melhor Direção de Arte – Jack Fisk e Hamish Purdy



Post Tags

Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


O elenco e a fotografia, eu diria. Gosto do filme, acho que enquanto espetáculo filme me empolgou. Quanto a Di Caprio, na verdade, acho que o favoritismo dele vai mais pela trajetória, pela quantidade de vezes que ele bateu na trave. E também pelos concorrentes, não tendo nenhum destaque absoluto na categoria.

Responder

Amanda, como filme, achei “O Regresso” bem competente, entretanto o roteiro me incomodou muito. Ali, na realidade, não existe roteiro, existe um fiapo de roteiro. Concordo com seu comentário sobre o Leonardo DiCaprio e seu favoritismo.

Responder

Deixe uma resposta