Ben-Hur

Nota6.5
6.5
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Apesar de ter como título Ben-Hur, o filme dirigido por Timur Bekmambetov não pode ser considerado como uma refilmagem do clássico dirigido por William Wyler. Mesmo se levarmos em consideração o fato de que alguns elementos das histórias dos dois filmes serem muito parecidos, a verdade é que a motivação por trás do Ben-Hur interpretado por Charlton Heston é muito diferente da do Judah Ben-Hur interpretado por Jack Huston.

No filme de Timur Bekmambetov, Ben-Hur e Messala (Toby Kebbell) foram criados como irmãos e, mesmo o destino tendo separado os caminhos que eles passaram a percorrer, eles mantiveram o cultivo de uma relação de amizade e de respeito, que, infelizmente, não resiste à divisão – e ao domínio político – que os romanos impetraram durante aquela época, especialmente na Jerusalém de Ben-Hur – aqui é importante ressaltar o fato de que Messala retorna ao seu antigo lar na condição de um dos mais proeminentes oficiais do exército romano.

Dessa maneira, quando encara a escravidão e o fim cruel que teve a sua família, o que passa a mover Ben-Hur, mais do que o desejo de ser livre novamente, é a vontade de se vingar de todo o sofrimento que lhe foi causado pelas decisões equivocadas tomadas por Messala no exercício de seu dever. Importante observar, no entanto, que, no desenho do plano de vingança de Ben-Hur, o roteiro escrito por Keith R. Clarke e John Ridley, ainda encontra espaço para uma trama de redenção, unindo a trajetória do príncipe Judah Ben-Hur com os caminhos tortuosos percorridos pelo filho do Rei, Jesus Cristo (Rodrigo Santoro).

Chama a atenção em Ben-Hur a maneira segura com que Timur Bekmambetov conduz a trama, captando por completo a atenção da plateia. O diretor cazaque também impressiona na maneira como concebeu a técnica de seu filme, com destaque para os ótimos trabalhos de direção de arte, figurinos e, principalmente, efeitos visuais e montagem – notem a excelente maneira como a cena da tradicional corrida de bigas é mostrada.

Por isso mesmo que chega a ser decepcionante a maneira como, após o grande clímax emocional que é a cena que retrata a conquista da liberdade de Ben-Hur, o filme se perde por se estender desnecessariamente, na tentativa de aparar todas as arestas entre Ben-Hur, Messala e seus familiares – já que, dentro da motivação principal dessas personagens, a história estava encerrada muito tempo atrás...

Ben-Hur (Ben-Hur, 2016)
Direção: Timur Bekmambetov
Roteiro: Keith R. Clarke e John Ridley (com base no livro escrito por Lew Wallace)
Elenco: Jack Huston, Toby Kebbell, Rodrigo Santoro, Nazanin Boniadi, Ayelet Zurer, Pilou Asbaek, Sofia Black-D’Elia, Morgan Freeman

7 comments

  1. Amanda Aouad 30 setembro, 2016 at 18:33 Responder

    É um filme com problemas, acho que até mais do que só essa parte final que você cita. Sai do cinema com vontade de rever o filme de 1959 ou até conhecer o de 1925 que nunca tive o prazer de ver e tanto falam tão bem.

  2. Paulo Ricardo 1 outubro, 2016 at 02:11 Responder

    Não conferi o original(e uma lacuna imperdoável na minha vida de cinéfilo) mas fiquei impressionado com a repercussão negativa que “Ben-Hur” teve antes de ser lançado(principalmente dos fãs do filme estrelado por Charlton Heston).Eu considero o filme de Timur Bekmambetov um “épico de ação” e destaco a interpretação de Rodrigo Santoro no papel de Jesus Cristo.Infelizmente o público não abraçou essa nova versão de “Ben-Hur”(média baixa de nota no imdb 5,7 e fracasso de bilheteria,custou 100 milhões de dólares e retornou 87,1 não conseguindo pagar os custos de produção).

    • Kamila Azevedo 3 outubro, 2016 at 21:24 Responder

      Amanda, também acho que o filme tem problemas sérios, de roteiro, especialmente. Se servir para fazer com que mais pessoas assistam ao filme de Charlton Heston, melhor ainda!

      Paulo, o filme, realmente, teve uma repercussão muito ruim; passando, quase, despercebido.

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