Dunkirk

Nota9.5
9.5
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Dunkirk, filme dirigido e escrito por Christopher Nolan, se passa durante a II Guerra Mundial, quando após a invasão da França pelas tropas nazistas, em 10 de maio de 1940, os alemães conseguiram avançar no território francês rapidamente, ao ponto de deixarem sitiados mais de 300 mil soldados das forças francesas, inglesas, belgas e holandesas. Em decorrência disso, uma missão que ficou conhecida como Operação Dínamo foi deflagrada e, tendo como líder o Vice-Almirante Bertram Ramsey, o resultado foi o resgate de quase 340 mil soldados das tropas aliadas, sob intenso bombardeio das tropas alemãs.

O roteiro escrito por Christopher Nolan se divide entre o que acontece na cidade francesa de Dunquerque (a Dunkirk que dá nome ao filme), por meio do retrato da situação em que os soldados estavam, bem como por meio das especulações do alto comando sobre as verdadeiras intenções do então Primeiro-Ministro Winston Churchill (e que residia na resposta à pergunta de ouro: quantos homens seriam evacuados?) e aquilo que estava acontecendo em solo inglês, quando a Marinha britânica ordena que barcos civis e mercantes saiam em busca do resgate desses verdadeiros heróis de guerra.

É interessante notar a maneira como Nolan estrutura seu filme. A ameaça das tropas nazistas é quase velada, na medida em que os soldados em Dunquerque não tocam no nome dos inimigos e nem mesmo nós, da plateia, conseguimos vê-los. Eles estão sempre à espreita, bombardeando, atacando e esperando um momento de distração desses soldados. Ainda assim, Nolan também acerta por enfocar o seu olhar sob os soldados que estavam naquele campo de batalha. Mesmo sem conhecermos as suas histórias pregressas, iremos torcer para que eles saiam dali sãos e salvos.

É difícil tentar definir uma obra como Dunkirk. O filme é um longa de ação, que se passa num panorama histórico e que tem uma carga dramática fortíssima. Chega a ser interessante demais ver um filme que se passa na II Guerra Mundial, em que, pela primeira vez, a coragem e o heroísmo não estão do lado dos norte-americanos, e sim dos ingleses. A convergência entre os trabalhos do diretor, do elenco e da equipe técnica está muito presente – em destaque na montagem de Lee Smith, na maravilhosa trilha sonora de Hans Zimmer (e que tem um papel fundamental na trama de Dunkirk) e no trabalho da equipe de som. Para voltar um pouco à reflexão do início desse parágrafo, é como se essa convergência nos mostrasse que Dunkirk nada mais é do que um grande suspense psicológico sobre a dinâmica da guerra e sobre os efeitos que ela possui naqueles que estão envolvidos diretamente – e indiretamente, uma vez que, mesmo não estando no campo de batalha, não estamos imunes ao conflito – nela.

Dunkirk (Dunkirk, 2017)
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: Barry Keoghan, Mark Rylance, Tom Hardy, Jack Lowden, Will Attenborough, Kenneth Branagh, James D’arcy, Cillian Murphy, Harry Styles

2 comments

  1. Amanda Aouad 12 agosto, 2017 at 18:05 Responder

    Não me empolguei tanto, mas é um filme tecnicamente muito bem feito mesmo. Só acho que o fato dele manter o nível de tensão o tempo todo acaba nos anestesiando, poderiam ter pausas para a ideia fluir melhor.

    • Kamila Azevedo 13 agosto, 2017 at 12:52 Responder

      Amanda, mas eu também não me empolguei muito, não. Pelas críticas que li, fui com altas expectativas que foram satisfeitas, em parte. De certa maneira, concordo com sua consideração sobre o clima alto de tensão no filme.

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