A Forma da Água | Resenha Crítica

publicado em:8/02/18 10:56 AM por: Kamila Azevedo Cinema

A Forma da Água, filme dirigido e co-escrito por Guillermo del Toro, é uma obra bem típica da filmografia desse diretor. Uma fábula de contornos fantásticos, que se passa nos Estados Unidos dos anos 60, e que envolve uma zeladora muda chamada Elisa (Sally Hawkins, indicada ao Oscar 2018 de Melhor Atriz), seu vizinho – e narrador da história – Giles (Richard Jenkins), sua companheira de trabalho Zelda (Octavia Spencer), um cientista chamado Dr. Robert Hoffstetler (Michael Stuhlbarg), um chefe de segurança chamado Richard Strickland (Michael Shannon) e, por fim, um homem anfíbio (Doug Jones) que é tratado e visto como um monstro.

Podemos enxergar muitos paralelos entre todas essas personagens, como, por exemplo, o fato deles serem pessoas extremamente solitárias, que vivem inseridas dentro de um mundo muito particular, mas que, por um motivo ou outro, acabam podendo contar uns com os outros (para o bem ou para o mal), especialmente a partir do momento em que Elisa desenvolve uma conexão especial com o homem anfíbio.

O filme enfoca justamente a relação que nasce entre Elisa e o homem anfíbio, com contornos de uma linda história de amor, que tem o objetivo justamente de nos relembrar que o amor não tem uma forma definida, não tem significado, não enxerga o exterior e não tem um motivo certo para explicar o por quê de ele ocorrer. Ou seja, o amor não tem explicação. Quando a gente o sente, é porque alguma faísca acendeu dentro de nós.

É justamente isso que se passa com Elisa. Ela enxerga no homem anfíbio algo além de um monstro potencialmente perigoso e, por meio das interações diárias que estabelece com ele, passa a perceber que o dito monstro tem muita sensibilidade, tem uma inteligência peculiar e consegue sentir os sinais que ela passa, se inserindo dentro do mundo dela.

A situação que A Forma da Água retrata pode parecer, por muitas vezes, estapafúrdia, mas é tão bem desenvolvida pelo roteiro escrito por Guillermo del Toro e por Vanessa Taylor que, em nenhum momento, você questionará o que está vendo em tela, mesmo quando o filme se torna caricatural demais – especialmente na maneira como constrói o vilão interpretado por Michael Shannon, cujos passos são um tanto previsíveis.

No discurso que proferiu após vencer o Globo de Ouro 2018 de Melhor Diretor pelo trabalho no filme A Forma da Água, o diretor mexicano Guillermo del Toro explicou um pouco sobre o seu fascínio pelo universo fantástico dos monstros, que tanto permeia a sua filmografia: “desde a infância, fui fiel aos monstros. Eu fui salvo e absolvido por eles, porque eu acredito que os monstros são os santos padroeiros de nossa imperfeição, e eles permitem e encarnam a possibilidade de falhar”.

Com essa frase, Guillermo del Toro descreve muito bem o universo narrativo de A Forma da Água, um filme que nos traz pessoas falíveis, que cometem erros, mas que, acima de tudo, tentam fazer aquilo que eles acreditam ser o correto e que vem do coração deles. É um filme muito bonito, sensível, de um primor técnico sem igual e que vem carregado de muita emoção. Não à toa é o grande favorito ao Oscar 2018.

A Forma da Água (The Shape of Water, 2017)
Direção: Guillermo del Toro
Roteiro: Guillermo del Toro e Vanessa Taylor (com base na história de Guillermo del Toro)
Elenco: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Octavia Spencer, Michael Stuhlbarg, Doug Jones, David Hewlett, Nick Searcy

Indicações ao Oscar 2018
Melhor Diretor – Guillermo del Toro
Melhor Filme
Melhor Atriz – Sally Hawkins
Melhor Atriz Coadjuvante – Octavia Spencer
Melhor Trilha Sonora Original – Alexandre Desplat
Melhor Roteiro Original – Guillermo del Toro e Vanessa Taylor
Melhor Fotografia – Dan Laustsen
Melhor Figurino – Luis Sequeira
Melhor Edição de Som
Melhor Mixagem de Som
Melhor Edição – Sidney Wolinsky
Melhor Direção de Arte – Paul D. Austerberry, Shane Vieau e Jeffrey A. Melvin

Avaliação/Nota

Nota
9.5

Média Geral



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária


Comentários


Há um primor técnico mesmo, não dá para negar, mas acho que o roteiro poderia ser melhor, ainda prefiro o Labirinto do Fauno.

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gostei desse filme, bem realizado, mas suas indicações ao Oscar, e provável favoritismo é muito exagerado.

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Cassiano, discordo em relação ao possível exagero nas indicações e favoritismo ao Oscar. Até agora, “A Forma da Água” é meu filme favorito, dentre os indicados.

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