>A Marcha dos Pinguins (March of the Penguins/La Marche de L’Empereur, 2005)

publicado em:21/01/06 4:24 PM por: Kamila Azevedo Uncategorized

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Toda a narrativa do documentário “A Marcha dos Pingüins”, do diretor francês Luc Jacquet, se passa no inverno da Antártica, o local mais inabitável da Terra, a uma temperatura de 41º C negativos. Para o homem, esse é um ambiente completamente inóspito e devastador. O documentário mostra que, para milhares de pingüins imperadores, a Antártica se transforma no local ideal para a realização de diversas marchas, todas elas servindo de apoio para aquele que é o maior ato que um ser pode fazer: o de dar a vida a alguém.

A cada inverno, mais precisamente no terceiro mês de cada ano, os pingüins imperadores abandonam o oceano – o seu lar mais seguro e do qual eles tiram a sua sobrevivência – e iniciam uma longa jornada rumo ao interior da Antártica, aonde eles encontram outros pingüins imperadores. Pelo período de nove meses, esses pingüins passarão por um ritual que inclui um casamento, a geração de um filhote e a conseqüente luta pela sobrevivência deles e dos filhos que eles conceberam.

Durante “A Marcha dos Pingüins”, as passagens mais importantes do documentário (como o seu início, a dança nupcial, a volta da pingüim fêmea para o oceano e os primeiros passos do filhote) são pontuados por belas canções. No resto do filme, somos brindados com uma narração (na versão brasileira, esta ficou a cargo de Antonio Fagundes, Patrícia Pillar e Matheus Perissè), que tenta colocar em palavras todo um ritual que, aparentemente, só faz sentido para os pingüins imperadores.

“A Marcha dos Pinguins” pode ganhar de algumas pessoas o título de “Documentário Discovery”, pois mostra como os pingüins imperadores se comportam num determinado período de tempo. Esta alcunha não faz jus ao documentário, uma vez que o filme vai além do comportamento dos pingüins. O feito do diretor Luc Jacquet se torna ainda mais extraordinário se levarmos em consideração o fato de que, ao contrário de outros documentários, “A Marcha dos Pinguins”, por ter sido filmado em um ambiente natural, teve que ficar à mercê das condições normais de temperatura e clima. Os pingüins imperadores que vemos na tela não foram treinados, pelo contrário, eles foram flagrados em seus momentos mais íntimos pelas câmeras de Jacquet.

Através de suas belas imagens, Luc Jacquet fez de “A Marcha dos Pinguins” um filme muito sensível, emocionante e que quebra barreiras ao mostrar que os seres humanos e animais seguem trajetórias semelhantes de vida. Todos temos os mesmos instintos de sobrevivência e de proteção e, num momento ou outro, aprendemos que, na verdade, na vida nós temos que aprender a andar com as nossas próprias pernas sozinhos.



Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



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