>Syriana - A Indústria do Petróleo (Syriana, 2005)

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A primeira cena de “Syriana – A Indústria do Petróleo”, do diretor e roteirista indicado ao Oscar 2006 de Melhor Roteiro Adaptado Stephen Gaghan, já é bastante emblemática. Vemos o agente da CIA Robert Baer (George Clooney, indicado ao Oscar 2006 de Melhor Ator Coadjuvante e também produtor executivo do filme) numa festa, confraternizando com o homem com quem ele pretende fazer negócios. A cena mostra meticulosamente o método de trabalho adotado por Baer: se aproximar das pessoas certas, mas se for traído por algumas delas, ele não irá hesitar em assassiná-las ou, na melhor das hipóteses, em acabar com todos os seus planos.

Robert Baer é só o primeiro vértice de uma narrativa dividida em vários personagens – bem ao estilo de “Traffic”, o outro filme escrito por Stephen Gaghan. São eles: Bryan Woodman (Matt Damon), um analista de energia que é dono de uma pequena empresa de derivados na Suíça e que, depois de uma tragédia familiar, se afunda no trabalho e ganha a confiança do filho do governante máximo de um país do Oriente Médio; Bennett Holiday (Jeffrey Wright, mais conhecido pelo seu trabalho como o enfermeiro da premiada peça e série de TV “Angels in America”), um advogado que está investigando a fusão entre duas empresas que se dedicam à exploração de petróleo no Oriente Médio, a Connex e a Killen; e um jovem muçulmano, que trabalhava em uma empresa de extração de petróleo, mas, depois que perdeu o emprego, fica sem qualquer possibilidades de arrumar um outro trabalho.

Estes quatro personagens possuem alguns elos entre si: todos eles estão brigando – alguns sabendo e outros não – pelos direitos de extração de petróleo em um país do Oriente Médio, além de estarem em busca de algum tipo de poder (seja ele político ou econômico). “Syriana – A Indústria do Petróleo” mostra que esta luta pelo poder é um embate ainda mais grave, pois envolvem interesses (políticos e, em alguns casos, pessoais) que estão além de qualquer escrúpulo que o ser humano pode ter.

Nesse sentido, “Syriana – A Indústria do Petróleo” é um veículo de crítica a várias organizações. A primeira delas, é claro, é o governo dos Estados Unidos, que é o país que mais consome petróleo no mundo, mas não produz o suficiente para atender à sua demanda interna. Por isso que existe tanto interesse dos políticos e dos grupos econômicos norte-americanos para que o país exerça uma influência decisiva dentro do Oriente Médio - a área mais rica em produção de petróleo no mundo, além de ser um local cheio de países altamente manipuláveis. Em segundo lugar, o filme faz uma crítica à CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, por deixar que suas ações sejam pautadas por um fim mais político e que favoreça a entrada dos Estados Unidos nos países em que eles tenham mais interesses econômicos e comerciais.

Em alguns momentos, “Syriana – A Indústria do Petróleo” parece mais um ensaio teórico e crítico do que com um filme. Por esta razão, o que se sobressai mais na película não são as boas atuações de seu elenco ou a segura direção de Stephen Gaghan, e sim o roteiro escrito pelo diretor. “Syriana – A Indústria do Petróleo” é um grande tratado sobre a corrupção nos Estados Unidos e, para tanto, Gaghan entrega à platéia um roteiro rico em informações – o que exige atenção máxima da platéia, pois, cada dado perdido, pode resultar num mau entendimento das histórias que compõem o filme. O final de “Syriana – A Indústria do Petróleo” é extremamente pessimista e não mascara a realidade; mas, Stephen Gaghan não se propôs a apresentar soluções com seu filme, e sim a relatar fatos e a contar uma história – e ele fez isso de uma maneira incrível.

Crédito Foto: Yahoo! Movies

1 comment

  1. Cena da Semana: “Garotas Sem Rumo” | :: Cinéfila por Natureza :: 10 abril, 2016 at 12:34 Responder

    […] A história por trás de Garotas Sem Rumo, filme dirigido por Barbara Kopple, é muito interessante. O longa foi escrito por Jessica Kaplan, quando ela tinha somente 16 anos, tendo como base as adolescentes que ela conheceu quando frequentava um colégio em Los Angeles. Kaplan faleceu em 2003, aos 24 anos, num acidente de avião, pouco tempo antes das filmagens de Garotas Sem Rumo começarem, e o roteiro acabou sendo finalizado por Stephen Gaghan (de Syriana: A Indústria do Petróleo). […]

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