>As Torres Gêmeas (World Trade Center, 2006)

publicado em:30/09/06 9:13 PM por: Kamila Azevedo Uncategorized

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Numa das – poucas – passagens bonitas do filme “A Dama na Água”, do diretor e roteirista M. Night Shyamalan, a ninfa Story (Bryce Dallas Howard) afirma que os seres humanos pensam que estão sozinhos no mundo até que existem acontecimentos que nos unem de uma forma irreversível. Os atentados terroristas de 11 de Setembro foram um desses acontecimentos. Neste dia, o mundo todo parou em frente à televisão para acompanhar o passo a passo de algo que todos achavam ser impossível acontecer e para o qual ninguém estava preparado – inclusive as autoridades norte-americanas.

O que se sucedeu neste dia em particular ainda é um assunto muito doloroso para muitas pessoas, especialmente para os norte-americanos. Aos poucos, foram surgindo livros e programas de TV que mostravam os bastidores dos atos terroristas. Cinco anos depois chegou a vez de Hollywood explorar o tema a seu modo. Nos dois filmes lançados sobre o tema – “Vôo United 93”, de Paul Greengrass, e “As Torres Gêmeas”, de Oliver Stone –, o foco estão nos heróis – naqueles que foram “altruístas” a ponto de se sacrificarem em prol de um bem maior (evitar a morte de mais pessoas inocentes) ou naqueles que viram o bem no meio de tanto mal.

“As Torres Gêmeas” joga o olhar sob a cidade de Nova York e os seus heróis – até aquele dia – anônimos (os policiais). As primeiras cenas do filme retratam os policiais enquanto eles deixam as suas famílias e partem rumo a mais um dia de trabalho como outro qualquer – em que o ponto mais “arriscado” seria a expulsão de algum mendigo de algum local. Logo o chão começa a tremer e, com o mínimo de informações possíveis, os policiais da autoridade portuária partem para o World Trade Center – local onde o Sargento John McLoughlin (Nicolas Cage) reúne a equipe formada por Will Jimeno (Michael Pena, o chaveiro de “Crash – No Limite”), Antonio Rodrigues (Armando Riesco), Dominick Pezzulo (Jay Hernandez), Christopher Amoroso (Jon Bernthal) e Giraldi (Danny Nucci) para entrar na torre cinco do World Trade Center e resgatar o máximo possível de pessoas.

O diretor Oliver Stone opta por não mostrar nenhuma cena dos aviões se chocando com a torre – afinal, esta imagem já está completamente solidificada em nossa mente. Para ele – e para nós da platéia – o momento mais chocante (e novo) será acompanhar o desespero que se instala naqueles que estavam na torre quando os dois prédios que formavam o World Trade Center começam a colapsar. Outro elemento importante – e poderoso – da narrativa de “As Torres Gêmeas” começa a acontecer a partir do momento em que passamos a seguir o desespero de Allison (Maggie Gyllenhaal) e Donna (Maria Bello), as esposas de Jimeno e McLoughlin (os únicos da equipe de policiais a sobreviver), que estão em busca de notícias dos dois.

O 11 de Setembro não é o primeiro acontecimento histórico dos Estados Unidos a ser retratado em filme pelo diretor Oliver Stone. Ele já abordou o Vietnã (nos filme “Platoon” e “Nascido em 4 de Julho”) e o assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy (no filme “JFK – A Pergunta que Não Quer Calar”) e sempre apresentou as suas teorias conspiratórias sobre tais temas. Stone surpreende com “As Torres Gêmeas”, pois optou por contar de forma direta e sem floreios sua história (o roteiro de Andrea Berloff foi desenvolvido com base nos depoimentos daqueles que estiveram presentes nas duas torres no dia 11 de Setembro). No único momento em que ele é Oliver Stone (na cena em que Will Jimeno vê Jesus Cristo), a situação soa manipuladora e destoa do trabalho que ele acaba construindo em “As Torres Gêmeas”.

Mais do que contar a história de dois sobreviventes, “As Torres Gêmeas” retrata metaforicamente como uma cidade pode mudar devido a um único acontecimento. E não foi só Nova York que mudou a partir do dia 11 de Setembro de 2001. O mundo todo se transformou e não foi mais o mesmo desde aquele fatídico dia.

Cotação: 9,5

Crédito Foto: Yahoo! Movies



Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



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