>Tropa de Elite (2007)

>

Para citar uma frase bastante usada pelo nosso presidente, o Sr. Luís Inácio Lula da Silva, “nunca antes na história deste país” se houve uma crise ética tão profunda. O brasileiro não mais acredita nas suas instituições e, pior, chegou ao ponto em que não mais se espanta quando vê uma notícia sobre violência ou corrupção. Isto já está tão enraizado na nossa sociedade que passamos a achar tudo muito normal – o que é bastante perigoso e alarmante. É justamente aí que entra o Capitão Nascimento (interpretado de forma brilhante por Wagner Moura), o personagem principal – e narrador – de “Tropa de Elite”, filme do diretor José Padilha.

Nascimento é um dos líderes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), um grupo de elite da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Policial por vocação e por instinto, ele odeia corrupção e sente mesmo que o seu dever é combater todo o sistema podre – para ele, os traficantes, os policiais corruptos e os usuários de drogas são todos inimigos que merecem ser encarados da mesma maneira. No entanto, quando encontramos o Capitão, no início de “Tropa de Elite”, ele está em uma encruzilhada: a sua esposa Rosane (Maria Ribeiro) está grávida do primeiro filho do casal e exige que ele saia do BOPE e tenha uma vida mais calma.

Para a vaga de Nascimento, temos dois candidatos: os aspirantes da Polícia Militar – e amigos de infância – Neto (Caio Junqueira) e André Matias (o estreante André Ramiro). O primeiro é muito parecido com Nascimento: age com a emoção e tem instinto e vocação para ser policial. O segundo encara a polícia como um caminho temporário que ele tem que percorrer, enquanto não se forma em Direito. Em dois atos, “Tropa de Elite” nos mostra todo o funcionamento da Polícia Militar: o sistema corrupto; aquele que tenta fazer a coisa funcionar; a divisão entre policiais que se corrompem, se omitem e os que decidem ir para a guerra e a dura rotina de trabalho e de treinamento do BOPE (grupo que não aceita corrupção nos seus quadros). Além disso, o roteiro do filme – que foi escrito por José Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani (tendo como base o livro “Elite da Tropa”, de André Batista, Rodrigo Pimentel e Luís Eduardo Soares) – não se exime de criticar a sociedade hipócrita que compra maconha no morro, faz passeata contra a violência e trabalha em ONGs; mas que é tão culpada pelo caos da violência urbana, pois financia de forma direta o tráfico que domina as mais de 700 favelas do Rio de Janeiro.

“Tropa de Elite” é o filme mais marcante a ser produzido pelo cinema brasileiro desde a produção de “Cidade de Deus”, do diretor Fernando Meirelles, e do documentário “Ônibus 174”, do mesmo José Padilha. Em comum entre esses filmes, além da alta qualidade da produção, o fato de que eles tratam de problemas que são permanentes na história do Brasil. Mas, ao contrário de “Cidade de Deus” ou “Ônibus 174”, que falam sobre a ascensão da violência ou as causas sociais por trás da formação de um criminoso, “Tropa de Elite” é um filme bem mais atual ao momento em que estamos vivendo e é muito difícil ficar indiferente a ele.

Cotação: 9,0

Tropa de Elite (Tropa de Elite, Brasil, 2007)
Diretor(es):
José Padilha
Roteirista(s): Bráulio Mantovani, José Padilha, Rodrigo Pimentel
Elenco: Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro, Milhem Cortaz, Luiz Gonzaga de Almeida, Fernanda de Freitas, Bruno Delia, André Mauro, Thelmo Fernandes, Emerson Gomes, Bernardo Jablonsky, Fábio Lago, Daniel Lentini, Fernanda Machado, Alexandre Mofatti

Deixe uma resposta