>Longford (2006)

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Em 1964, a polícia londrina desvendou aquele que seria chamado de “o crime do século” no país. Um casal, formado por Ian Brady (Andy Serkis, o homem por trás da criatura Gollum, na trilogia “O Senhor dos Anéis”) e Myra Hyndley (Samantha Morton), foi responsável pela morte de cerca de oito crianças. Um crime brutal e que comoveu a opinião pública inglesa.

Um dos personagens mais importantes na discussão desses crimes foi o Lorde Frank Longford (interpretado por um irreconhecível Jim Broadbent), membro proeminente da sociedade inglesa, bem como da Câmara dos Lordes. O telefilme “Longford”, do diretor Tom Hooper (da minissérie “Elizabeth I”) e do roteirista Peter Morgan (o mesmo de “A Rainha” e “O Último Rei da Escócia”), segue o trabalho que Longford realizava com os presos ingleses e, em especial, o relacionamento que estabeleceu com Myra Hyndley – durante anos, ele iria lutar a favor da liberdade condicional para ela.

O roteirista Peter Morgan utiliza a personalidade e o trabalho do Lorde Frank Longford para fazer um importante debate: existe a possibilidade de reinserção na vida em sociedade, no caso de uma assassina fria – e calculista – como Myra Hyndley? Ou criminosos como ela têm mais é que mofar na cadeia? Para ilustrar essa discussão, Tom Hooper e Morgan utilizam imagens de arquivo, de noticiários e programas sobre o caso (com entrevistas dos pais das crianças que foram vítimas do casal); bem como dos fortes argumentos de Longford – que vira uma persona non grata dentro de seu próprio país, além de colocar em risco o relacionamento com sua família.

Do ponto de vista estético, a direção de Tom Hooper se assemelha muito ao trabalho que Stephen Frears realizou em “A Rainha”. Tudo em “Longford” é muito discreto e chama a atenção o fato de que o trabalho de reconstituição de época é simplesmente perfeito – a competência do telefilme foi reconhecida com as cinco indicações conquistadas no Emmy 2007. No entanto, o grande trunfo de “Longford” são mesmo o roteiro de Peter Morgan e as excelentes atuações do trio Jim Broadbent, Samantha Morton e Lindsay Duncan (que interpreta Lady Elizabeth, a esposa de Longford).

“Longford” marca mais uma investida do roteirista Peter Morgan no segmento dos filmes com temas políticos e sociais. Sendo que, ao invés de uma rainha dividida entre o seu papel e o que o seu povo deseja, ou um jovem médico seduzido – e, depois, atormentado – pelo poder, temos um homem deveras comum, de aparência frágil e fala mansa. Ele pode, à primeira vista, parecer ingênuo, mas, na realidade, é um homem extremamente otimista. Lorde Frank Longford acreditava na possibilidade de redenção e, principalmente, no poder da segunda chance.

Cotação: 9,0

Longford (Longford, 2006)
Diretor(es):
Tom Hooper
Roteirista(s): Peter Morgan
Elenco: Jim Broadbent, Samantha Morton, Lindsay Duncan, Andy Serkis, Kate Miles, Sarah Crowden, Robert Pugh, Caroline Clegg, Alex Blake, Roy Barber, Ian Connaughton, Charlotte West-Oram, Roy Carruthers.

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