Na Natureza Selvagem

A jornada em busca do autoconhecimento é algo cheio de nuances. Tome-se como exemplo aquela que é vivida pelo personagem principal de “Na Natureza Selvagem”, do diretor e roteirista Sean Penn. Christopher McCandless (Emile Hirsch, numa bela atuação) descobrirá a sua identidade em uma viagem que não será nada solitária. Ao entrar em contato consigo mesmo, ele acabará influenciando não só a vida de sua família, como as daqueles que cruzarão o seu caminho.

 

Após se formar com honras na universidade, Chris pega o dinheiro do fundo que investiria num curso de Direito em Harvard, doa grande parte da quantia para a Oxfam (fundação que luta contra a fome e exclusão social) e fica com o pouco que restou. Com a cabeça voltada para uma vida menos materialista, Chris adota o nome de Alexander Supertramp e passa a viver como um andarilho cujo objetivo maior é chegar ao Alasca.

 

Para entender o por quê da decisão tomada por Chris, Sean Penn nos apresenta ao núcleo familiar do jovem. O pai (William Hurt) e a mãe (Marcia Gay Harden) viviam um relacionamento inconstante e marcado por muitas brigas. Talvez, por causa disso, Chris se transformou num garoto sensível, porém retraído e que se abria somente com a irmã mais nova chamada Carine (Jena Malone). Mesmo assim, nos dois anos em que fica “desaparecido” (os quais são, na realidade, os 24 últimos meses de sua vida), ele não dá nenhuma notícia aos entes queridos sobre o seu paradeiro.

 

Fica claro, após assistir “Na Natureza Selvagem”, que a história de Christopher McCandless (a qual foi retratada no livro de Jon Krakauer) afetou bastante a vida de Sean Penn. O ator acalentou o desejo de adaptar esta obra por muito tempo – mais precisamente 10 anos (período necessário para que ele conseguisse o total apoio da família McCandless). Tanto cuidado é justificado pelo fato de que Penn queria passar para o espectador o mesmo que ele sentiu ao ler o livro de Krakauer. A julgar pelo que experimentamos, ao assistir “Na Natureza Selvagem”, é correto dizer que o diretor/roteirista cumpriu por completo seu objetivo.

 

Cotação: 9,7

 

Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007)

Diretor: Sean Penn

Roteiro: Sean Penn (com base no livro de Jon Krakauer)

Elenco: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Catherine Keener, Vince Vaughn, Kristen Stewart, Hal Holbrook

29 comments

  1. Cesar 13 agosto, 2008 at 22:23 Responder

    Esse filme é um dos melhores que eu assisti nos últimos tempos. Muito bom mesmo.
    Sean Penn está de parabéns. E também Emile Hirsch, que atuou muito bem.

    Por sinal, muito bom o seu blog. Sempre leio.
    Parabéns!

  2. Vinícius P. 14 agosto, 2008 at 03:39 Responder

    Não cheguei a gostar tanto do filme quanto você, mas realmente é um belo trabalho do Sean Penn – acho até que o diretor é o grande responsável pelo êxito de “Into the Wild”, não há destaque maior que seu roteiro. Na minha humilde opinião, o Emile Hirsch merecia uma indicação ao Oscar, mas até do que o Depp, o Mortensen e o Lee Jones. Abraço!

  3. Vulgo Dudu 14 agosto, 2008 at 03:42 Responder

    É, eu acho que fui um dos únicos a não gostar do filme. Para mim, é cheio de excessos, clichês melodramáticos e um roteiro meio embolado – com aquela narração fraca demais. Enfim, não gostei. Tá resenhado no meu blog…

    Bjs!

  4. Rafael Carvalho 14 agosto, 2008 at 04:57 Responder

    Já disse aqui que não sou grande fã do filme, mas não posso desconsiderar toda a leveza e o senso de liberdade que Sean Penn confereriu a sua obra. Imagens belíssimas da natureza em seu estado mais puro, que encontram nos mais diversos personagens que aparecem na tela também a pureza da alma (em alguns). O personagem de Hal Holbrook é um deles. Mas não acho sua atuação digna de indicação a Oscar, não. Prefiro muito mais a novata Kristen Stewart.

    Ah, outra coisa: assisti a A Múmia: A Tumba do Imperador Dragão e detestei. Extremamente fraco, apelativo, mal escrito e com personagens mal desenvolvidos.

  5. Kau 14 agosto, 2008 at 11:20 Responder

    Kami, eu sou suspeito à falar de Na Natureza Selvagem. Achei um dos filmes mais lindos desta última temporada. Tinha dado uma nota máxima, porém ap rever ela acabou caíndo um pouquinho.

    A sensibilidade inserida neste filme é ímpar, a direção é impecável, a montagem totalmente não-linear… elenco SENSACIONAL!! Achei Hal e Catherine maravilhosos e Emile é uma revelação.

    Bjos.

  6. Marcel Gois 14 agosto, 2008 at 13:24 Responder

    O filme é realmente excelente. O Sean Penn fez um trabalho de mestre, dá pra perceber no resultado tão bem acabado do filme toda a paciência e dedicação da produção, inclusive por parte dos atores.

    O livro do Jon Krakauer é dos que estão na minha ‘pequena’ listinha. rsrs

  7. Kamila 14 agosto, 2008 at 14:01 Responder

    Vinícius, concordo com seu comentário. Acho que o Emile merecia uma indicação ao Oscar! Abraço!

    Dudu, não achei o filme melodramático. Acredito que o Sean Penn mostra a história de uma forma muito sensível. Os sentimentos que ela desperta na gente são genuínos. Vou dar uma olhada na resenha do blog! Beijos!

    Rafael, já cheguei à conclusão de que serei a única a gostar de “Tumba do Imperador Dragão”. Quanto à Kristen Stewart: a participação dela, na minha opinião, não chega a ser tão marcante quanto a de Hal Holbrook.

    Kau, concordo totalmente!

    Marcel, eu também fiquei interessada em ler o livro do Jon Krakauer! 🙂

  8. Ramon 14 agosto, 2008 at 16:10 Responder

    Bom, já comentei isso naquela cena do filme que você postou anteriormente: Amo Na Natureza Selvagem! Filmão… super injustiçado no Oscar desse ano. Podia figurar entre os melhores filmes, no lugar de Michael Clayton (esse sim, foi superstimado!).

    Grande post… concordo muito com sua última frase!

  9. Pedro Henrique 14 agosto, 2008 at 16:49 Responder

    Sean Penn tentou fazer de “Na Natureza Selvagem” um filme narrativo. Fez. Tentou fazer um filme emocionante. Feito. Tentou, também, apresentar um filme questionativo. Missão cumprida. Filmaço e subestimado.

    Abraço, Kamila!

  10. Roberto Queiroz 14 agosto, 2008 at 17:28 Responder

    Kamila,

    Não tive ainda a honra de ver o mais novo filme do Sean Penn (por incompetência, pura e exclusivamente, das salas de projeção), mas estou na procura. Até em DVD aqui no RJ ele tem sido uma febre. Mas pelo que vi no trailer, na época em que fui assistir Onde os Fracos não têm vez, dos Irmãos Coen, fiquei deslumbrado com o capricho. É o tipo de filme que deveria ter passagem obrigatória por todo o circuito, mas que infelizmente não acontece (eles só pensam em cifras em nada mais…).

    Mídia e cultura:
    http://robertoqueiroz.wordpress.com

  11. Rafael Moreira 14 agosto, 2008 at 19:32 Responder

    Fantástico, ótimo filme. Só peço desculpa por não ter lido todo o texto, Kamila! Emile Hirsch está numa ótima atuação, eu já gostava muito do trabalho dele e agora então… É uma pena que o filme não tenha tido o destaque merecido!

    Abraço!

  12. Alex Gonçalves 14 agosto, 2008 at 21:27 Responder

    Ah, eu também não gostei tanto de “Na Natureza Selvagem”. Acho que essa história conduzida por Sean Penn só adquire o esperado valor nos instantes finais, quando aqueles que cruzaram o caminho de Christopher tem as suas vidas marcadas pela presença do jovem. E eu não consegui me comover com o filme, mas o resultado obtido é bem melhor daquele adquirido na fita anterior de Penn, “A Promessa”.

  13. Robson Saldanha 14 agosto, 2008 at 22:23 Responder

    Kamila, talvez Na Natureza Selvagem, tenha sido um dos filmes que mais me tocou esse ano juntamente com Desejo e Reparação. Ele tem um singularidade que o torna especial. Que vai da trilha asonora a atuação excelente de Emile. Foi um conjunto que deu muito certo.

  14. Kamila 14 agosto, 2008 at 22:56 Responder

    Ramon, exatamente! Finalmente, alguém que concorda comigo sobre “Michael Clayton”, um filme superestimado em todos os sentidos!!!!

    Pedro, você foi perfeito em seu comentário! Abraço!

    Roberto, enquanto isso, filme como “Mais do que Você Imagina”, que deve ter sido lançado, nos EUA, direto em DVD, chegam em nossos cinemas. Aqui, já vai entrando na segunda semana em cartaz.

    Rafael, sem problemas! O filme do Sean Penn é daqueles que merece ser descoberto! Abraço!

    Alex, eu concordo com você que o filme ganha mais sentido na parte em que o Hal Holbrook entra em cena e a gente vê os efeitos de tudo nas vidas daqueles que entraram em contato com Chris. E acho que é justamente por isso que o filme do Penn tem um significado pungente.

    Mayara, eu também! Beijos!

    Robson, concordo totalmente!

  15. Rogerio Scheidemantel 15 agosto, 2008 at 15:46 Responder

    Oi Kamila,só faltou comentar da trilha magnífica né. A primeira vez que vi “Na Natureza Selvagem”, nao gostei tanto assim. Mas depois o filme ficava voltando na minha cabeça, embalado pela trilha do Eddie Vedder, e fiu conferir o filme novamente. Gostei muito mais. Acho que o filme tem alguns cliches, claro, mas é uma liçao de vida diferente. O envolvimento do Sean Penn deve ter sido ao extremo mesmo. O filme foi feito com muito carinho.
    E a trilha, ahhhh, que beleza!!!

  16. Romeika 15 agosto, 2008 at 21:01 Responder

    Kamila, apesar de eu ser contra o que Chris fez, de deixar seus pais, e a irma que ele tanto amava sem uma unica noticia por 2 anos, respeito o seu desejo de se desligar por completo do materialismo que o mundo possui. Julgamentos a parte, concordo que Sean Penn fez um belissimo filme, cujas imagens e momentos ficaram comigo por muito tempo. A direcao dele, mais a atuacao de Hirsch transmitiram muito bem todo o sentimento do rapaz acerca da natureza, aquela cena em que ele fica cheio de lagrimas nos olhos ao observar uma matilha de lobos (?) eh linda. E a q vc postou aqui com o velhinho, de cortar o coracao.

  17. Kamila 15 agosto, 2008 at 21:07 Responder

    Rogerio, a trilha é maravilhosa, sim. Ainda bem que você mencionou aqui, já que as canções compostas por Eddie Vedder são parte importante para a narrativa adotada por Sean Penn.

    Romeika, eu concordo com todo o seu comentário. Deixar as pessoas amadas sem notícias por dois anos foi um ato muito extremista. O filme nos mostra um ponto de vista diferente sobre a vida e isto é algo que fica conosco por um bom tempo.

  18. Nath 20 agosto, 2008 at 18:56 Responder

    Oi Kamila,

    não sabia que Sean Penn sustentou essa idéia por tanto tempo. Sendo assim, ainda bem! Ele pode nos presentear com uma grande história, uma lição de vida!
    Após assistir o filme, as reflexões eram tantas que demorei a levantar da cadeira.
    Um dos melhores filmes que assisti!
    Ah, e a própósito, a trilha é maravilhosa, realmente!

  19. Bárbara 19 outubro, 2009 at 03:13 Responder

    Na Natureza Selvagem é um ótimo filme com belas imagens . A trilha sonora é fantástica . O Eddie Vedder é incrível ! Quero muito ler o livro .
    Nota : 9,9
    Adorei o post .

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