400 Contra 1 - A História do Comando Vermelho

Antes do início de “400 Contra 1 – A História do Comando Vermelho”, do diretor Caco Souza, letreiros fazem uma contextualização histórica do período no qual que se passa o filme. Na época da Ditadura Militar, tanto os presos comuns quanto os presos militares eram enviados ao Instituto Penal Cândido Mendes, localizado na Ilha Grande (Rio de Janeiro). Lá, eles viviam separados em alas e isolados uns dos outros, sem se misturarem. Mesmo assim, tal situação não impediu que alguns deles se juntassem para a criação do Comando Vermelho, organização criminosa brasileira fundada em 1979 e que se transformou em uma das facções mais poderosas do Rio de Janeiro, especialmente durante a década de 90.

O filme dirigido por Caco Souza faz um retrato justamente da rotina daqueles que se tornariam os líderes do Comando Vermelho dentro do “Caldeirão do Diabo” (como o Instituto Penal Cândido Mendes era popularmente conhecido) e de como a interação entre eles e os presos políticos serviram de aprendizado para que eles pudessem aprender técnicas que seriam empreendidas em numerosos assaltos a instituições bancárias, os quais tinham o objetivo de arrecadar dinheiro para financiar a fuga de outros presos – uma vez que a maioria dos membros do Comando Vermelho era recapturada facilmente ou morta pela polícia.

Esta história nos é contada, principalmente, através do olhar de William da Silva Lima (Daniel de Oliveira), vulgo “Professor”. Inteligente e articulado, era natural que ele assumisse a posição de líder dentro da ala de presos comuns do Cândido Mendes. Foi ele, principalmente, um dos mentores por trás da criação do Comando Vermelho. Apesar da importância que este personagem tem para a trama de “400 Contra 1 – A História do Comando Vermelho”, em nenhum momento o roteiro escrito por Victor Navas fundamenta bem o protagonista. Ele prefere seguir um retrato clichê e mostra William como alguém vítima de maus tratos e tortura e revoltado.

Está bem claro, desde a primeira cena deste filme, que o diretor Caco Souza emulou demais o estilo Fernando Meirelles de filmar em “Cidade de Deus”. A montagem é quase uma tentativa de imitação (mal sucedida, aliás) do trabalho de Daniel Rezende na obra de Meirelles. Um outro grande problema de “400 Contra 1 – A História do Comando Vermelho” é que o longa é mais um daqueles que glamuriza o crime organizado. Me incomodou muito o retrato de homens de coragem que o roteiro faz dos envolvidos neste episódio. Isto é uma coisa muito errada, na minha opinião.

Cotação: 2,0

400 Contra 1 – A História do Comando Vermelho (2010)
Direção: Caco Souza
Roteiro: Victor Navas (com base no livro de William de Souza Lima)
Elenco: Daniel de Oliveira, Daniela Escobar, Negra Li, Jonathan Azevedo, Jefferson Brasil, Anderson Jader, Rodrigo Brassoloto, Fabrício Boliveira, Lui Mendes, Branca Messina

13 comments

  1. Candy Pop 7 outubro, 2010 at 00:36 Responder

    Bom, como ja citou o roberto, não sou fã desses filmes, que envolvem violencia, favela, realidades, e essas coisas… Eu ainda não sei se vejo, mas ja que não suporto muitos filmes Brasileiros ( há excessões ) , provavelmente, não irei ver, esses tipos de filme não me agradam mesmo, e normalmente, os que abordam temas parecidos com esse, são todos iguais, não vejo a diferença neles… O Que nos resta em um filme desse, ou em qualquer outro do genero, é pelo menos, uma boa atuaçâo, beijos!

  2. Paulo Ricardo 7 outubro, 2010 at 09:23 Responder

    Kamila,quando um filme vai e volta no tempo sem sentido narrativo é porque o material filmado é bem fraco.Olha o caso(muito bem sucedido)de Tropa de Elite.Daniel Rezende afirmou que na edição do filme notou que o narrador da história era o Capitão Nascimento e não Mathias.Sem dúvida o potencial de Wagner Moura ajudou pra isso e quem ganhou foi o filme.Toda critica que leio(todas negativas)sobre 400 contra 1-A História do Comando vermelho,ressalta essa “desordem” na montagem.Bem o roteirista desse filme sabe como humanizar bandidos.Afinal,Victor Navas foi um dos roteiristas de Carandiru.Beijos.

    • Kamila 7 outubro, 2010 at 20:52 Responder

      Candy Pop, eu tento sempre prestigiar os filmes nacionais. Neste caso, uma pena ter assistido a uma obra irregular. Beijos!

      Reinaldo, verdade. É um grande problema do nosso cinema essa questão da glamurização do crime organizado. Beijos!

      Paulo, nem me lembrava do Victor Navas! Beijos!

    • Kamila 7 outubro, 2010 at 20:53 Responder

      Pedro, irregular e bagunçado demais.

      Cleber, mas deveria dar. Eu sempre tento prestigiar o nosso cinema.

      Luís, eu odeio esse tipo de glamurização e, sinceramente, eles não fazem favor a ninguém com isso.

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