O Fada do Dente

Chega um momento na carreira de todo astro brucutu de filmes de ação em que ele quer mostrar diversidade. Foi assim com Arnold Schwarzenegger, quando ele fez “Um Tira no Jardim da Infância”. Foi assim com Vin Diesel, quando ele fez “Operação Babá”. Também foi desta forma que Dwayne “The Rock” Johnson deve ter embarcado na jornada de fazer “O Fada do Dente”, comédia dirigida por Michael Lembeck, profissional bastante conhecido pelo currículo em séries de TV como “Friends”, “Everybody Loves Raymond”, “Veronica’s Closet”, “Newsradio”, entre outras.

Na obra, The Rock interpreta o jogador de hóquei Derek Thompson, famoso pelas trombadas que dá nos adversários, as quais resultam na perda de dentes dos mesmos (por isso, ele ganhou a alcunha de “O Fada do Dente”). Com sorte no jogo e no amor (ele está num relacionamento com a personagem interpretada por Ashley Judd), Derek ainda precisa aprender a lidar com as pessoas. Ele não consegue falar aquelas mentiras que são necessárias para que, por exemplo, os sonhos das crianças que tanto o procuram e o admiram não sejam encerrados de uma forma brusca. A verdade é que Derek é realista. Ele viu sua vida seguir caminhos que ele não queria e meio que quer preparar os outros para um futuro que não seja aquele que foi planejado.

Mas, é justamente por desacreditar as fantasias e os sonhos que tanto nos movem que Derek Thompson irá receber uma sentença que, para ele, será cruel: servir por duas semanas como uma verdadeira “Fada do Dente”, recolhendo os dentinhos caídos que as crianças deixam embaixo do seu travesseiro, colocando o dinheiro no lugar deles e mantendo, desta forma, vivas as crenças de que a fantasia existe e que podemos acreditar nela sem medo.

O roteiro de “O Fada do Dente” tira seu lado cômico da resistência de Derek Thompson em cumprir a sua pena, das situações absurdas as quais ele se submete ao exercer seu novo papel e ao se relacionar com as pessoas da Terra das Fadas do Dente e, ao mesmo tempo, mostra uma redenção do personagem, na medida em que ele mesmo se aprimora como pessoa, melhorando não só o relacionamento dele com Carly (Judd) e os dois filhos dela, bem como com os seus companheiros de time. E sendo uma pessoa melhor, Derek está pronto e preparado para conquistar (ou reconquistar, se for o caso) tudo aquilo que ele deseja.

“O Fada do Dente” é um filme leve e daquele tipo que sai da nossa mente a partir do instante em que ele termina. Dwayne Johnson não compromete, ainda mais porque está apoiado por um bom elenco de apoio (além de Judd, temos nomes como Julie Andrews, Billy Crystal e Stephen Merchant). E, por causa da mensagem do filme, foram relevados todos os muitos furos do roteiro. Pelo instante em que “O Fada do Dente” dura, nós também acreditamos em situações fantásticas e, principalmente, na possibilidade de redenção do ser humano – mesmo se, no caso de Derek, ele não tenha mudado a sua verdadeira essência por um instante sequer.

Cotação: 3,0

O Fada do Dente (Tooth Fairy, 2010)
Direção: Michael Lembeck
Roteiro: Lowell Ganz, Babaloo Mandel, Joshua Sternin, Jeffrey Ventimilia e Randy Mayem Singer (com base na história de Jim Piddock)
Elenco: Dwayne Johnson, Ashley Judd, Stephen Merchant, Seth McFarlane, Julie Andrews

17 comments

  1. Reinaldo Matheus Glioche 21 janeiro, 2011 at 12:40 Responder

    É, pois é. Outro filme fraquinho. O the Rock, que não quer mais ser chamado de The rock, até que é um bom em comédias (na sequência de O nome do jogo ele é um achado), mas essa sina de astros de ação enveredarem pela comédia já não rende frutos tão bons quanto Um tira no jardim de infância…
    bjs

    • Kamila 21 janeiro, 2011 at 22:22 Responder

      Bruno, nunca seria melhor! rsrsrsrsrsrsr Eu assisti justamente porque estava de bobeira!

      Raspante, eu adoro a Andrews, também não gosto do The Rock, mas assisto aos brucutu para crianças! rsrsrsrs

      Reinaldo, eu concordo que ele é bom em comédias. Beijos!

  2. Flavio 21 janeiro, 2011 at 13:38 Responder

    Não sei exatamente qual será o futuro do the Rock em Hollywood. Ele não é irritante igual ao Vin Diesel , nem carismático igual ao Bruce Willis. De todo , torço pra que ele tenha melhores oportunidades…

    • Kamila 21 janeiro, 2011 at 22:23 Responder

      Flavio, eu também torço por isso, por incrível que pareça!

      Brenno, fútil, não. Faz questão de ser ruim mesmo! Beijos! E acho que a Julie Andrews faz esse tipo de filme porque deve ter algum contrato vitalício com a Disney! rsrsrsrs

      Cassiano, adoro sua ironia! 🙂

  3. Weiner 21 janeiro, 2011 at 15:39 Responder

    Nossa, tenho verdadeiro horror a qualquer coisa protagonizada por The Rock, e como não gostei muito da sinopse deste aí, sinceramente vou deixar passar.
    Beijos!

  4. Mayara Bastos 21 janeiro, 2011 at 16:10 Responder

    Realmente, depois do filme, esquecemos completamente dele. È para crianças bem pequenas e só. Uma pena ver gente como Julie Andrews, Billy Crystal e Ashley Judd ai. Mesma nota. rsrs.

    Beijos! 😉

    • Kamila 21 janeiro, 2011 at 22:24 Responder

      Weiner, pois então, passe mesmo! Beijos!

      Mayara, pois é.. Um desperdício de grande talento! Beijos!

      Otavio, hahahahahahah! Beijos!

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