Rango

publicado em:28/03/11 11:22 PM por: Kamila Azevedo Cinema

À primeira vista, chama a atenção em “Rango”, filme de animação da Paramount, os nomes que encabeçam a ficha técnica da obra. Além do diretor Gore Verbinski (de franquias populares do cinema como “Piratas do Caribe”), temos o roteirista John Logan (que tem um currículo respeitadíssimo e foi indicado a dois Oscars por “Gladiador” e “O Aviador”). Em segundo lugar, temos um protagonista inusitado, um camaleão chamado Rango (dublado na versão original por Johnny Depp), alguém que não sabe ainda o papel que deve desempenhar em vida e que, talvez, por isso, tenha uma enorme imaginação.

O longa retrata a jornada deste personagem principal, que se vê perdido, um dia, em uma pequena e empoeirada cidade do Velho Oeste. Uma das coisas que salta à vista em Rango é que ele é um líder nato, então, nesta cidadezinha, ele acaba assumindo a liderança das tarefas e acaba movimentando o dia a dia da comunidade, especialmente porque faz de seu objetivo naquele local a luta para preservar a água que é tão escassa em uma cidade que é aplacada por um enorme calor (uma briga por um bem maior que, na verdade, vem satisfazer o próprio bem de Rango, que está com uma sede terrível desde que começou a viagem dele por aquele deserto).

Se temos um heroi que é cheio de particularidades, a cidade na qual Rango finca raízes também revela-se um ambiente repleto de pessoas como ele, que possuem boa vontade (ou não, uma vez que sempre fica essa sensação dúbia), mas não sabem ainda o que fazer de suas vidas ou que ainda não sabem qual o tipo de papel certo a ser desempenhado. É nesse cenário e na medida em que os acontecimentos do roteiro vão se desenrolando que se desenha a verdadeira motivação desse filme: retratar o momento em que se é forçado (ou não) o nascimento de um heroi, em que se revela quem tem mesmo as qualidades para exercer esta função.

Repleto de referências à cultura pop, ao universo dos filmes westerns, com uma direção ágil em que sempre tem algo diferente e interessante acontecendo, “Rango” acaba sendo um filme muito “acelerado” para as crianças, o que faz com que ele seja muito mais adequado aos adultos. É fato que estamos diante também de uma obra que não possui aqueles elementos clássicos dos filmes de animação. O interesse de “Rango” não é estabelecer uma lição de moral ou ensinar alguma coisa importante sobre a vida aos pequenos. O filme está aí para entreter. É justamente por ter esta intenção diferenciada que “Rango” merece uma conferida.

Cotação: 6,5

Rango (Rango, 2011)
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: John Logan (com base na história de Gore Verbinski e James Ward Byrkit)
Com as vozes de: Johnny Depp, Isla Fisher, Abigail Breslin, Ned Beatty, Alfred Molina, Bill Nighy, Harry Dean Stanton, Timothy Olyphant, Ray Winstone, Vincent Kartheiser



Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Vontade de ver esse filme tenho, mas ao mesmo tempo de muitos disserem que ele é um dos melhores de 2011 … EPA … something is wrong …

Um dia verei … se minha irmã também quiser ver …

Beijos Milla …

Responder

Realmente, por um lado ele afasta as crianças, mas tem alguns gags típicas com trejeitos engraçados, principalmente na cidade. Mas, eu gostei bastante do filme.

Responder

João, não é um dos melhores de 2011, não pra mim… Mas, assista! Beijos!

Amanda, eu gostei também! Achei engraçado e diferente.

Responder

Eu achei uma animação diferente e que entra na sessão ‘só para adultos’, até com referências sexuais em alguns casos. É interessante e contorno o clichê de maneira suave. Mas pena que vi no Moviecom e o áudio estrondoso me incomodou mais do que qualquer falha do filme.

Responder

Robson, exatamente. Eu assisti no Cinemark e lá não teve áudio assombroso! 🙂

Responder

Olha não entendo como tantas pessoas gostaram. Minha bunda ficou quadrada quando fui assistir. O personagem é simpático e tem um bom visual. Mais isso é obrigação para as animações hoje em dia, não é? Enfim… não virei me agradou muito.

[]s

Responder

Não me senti atraído, acho que posso até me surpreender, mas tenho lido mais opiniões negativas sobre ele. Seu texto até me deu mais força pra conferir, quem sabe no dvd? Beijo! 😉

Responder

Esse filme não me chamou atenção, mas vou conferir. Quem sabe eu até goste 😉

bjos.

Responder

Raspante, verdade. Ter um personagem simpático e um bom visual é obrigação para as animações de hoje em dia. Abraços!

Cristiano, acho que no DVD fica melhor! Beijo!

João Linno, espero que goste, se o assistir. Beijos!

Responder

Aí, Kamila! Não deixe “Rango” escapar! Eu acho que o filme chegou atrasado. Outro herói verde (Shrek) chegou antes e revolucionou com esse papo de referências à cultura pop e o descompromisso com o que é considerado tradicional.

“Rango” é obviamente lindo de se ver, mas vazio. O que me lembra de um certo filme que falarei ainda nesta semana no Hollywoodiano. E “Rango” é muito melhor que ele. Bjs!

Responder

Ainda não assisti, mas estou bastante curioso. De qualquer jeito, é pertinente sua observação de como certas animações estão “acelerando” e já não se preocupam mais tanto com aquela famigerada moral e se contentando em ser entretenimento. Esse movimento colabora para o firmamento da animação como gênero cinematográfico e seu deslocamento do gênero infantil.
Bjs

Responder

Estou para ver este filme, mas estou esperando um momento mais calmo, sabe? rsrsrs. A conferir, mas para ver como o Gore Verbinski se sai numa animação.

Beijos! 😉

Responder

Otavio, eu acho que o filme é vazio…. Mas, ele tem ação desenfreada que disfarça esse oco do roteiro. Aguardo pelo post sobre esse filme misterioso… 🙂 Beijos!

Reinaldo, concordo com seu comentário! Beijos!

Mayara, ele até se saiu bem, sabia?? Beijos!

Responder

….DE LENDDA PARA LENDA…. Gostei da coragem de Rango apesar da astucia do prefeito da cidade, Rango impós ordem e trouxe a tão esperada ÁGUA.

Responder

…QUEM CONTROLA A ÁGUA, CONTROLA QUALQUER COISA……dizia o astuto prefeito da cidade de poeira…. Rango tinha razão: o poder tem seus privilegios…

Responder

Deixe uma resposta