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Os Kennedys

publicado em:12/08/11 8:25 PM por: Kamila Azevedo TV

Minissérie dividida em oito capítulos, “Os Kennedys”, do diretor Jon Cassar, como o próprio nome já diz, fala sobre aquela que é considerada a Família Real norte-americana, cujos membros se tornaram figuras proeminentes da política e do serviço público dos Estados Unidos. Um detalhe importante já a se considerar desde o princípio é que esta foi uma versão bastante controversa da vida da família Kennedy, uma vez que existe a “acusação” de que muitos dos fatos retratados aqui foram bastante modificados por propósitos dramáticos.

A verdade é que o roteiro escrito por Stephen Kronish e Joel Surnow passa longe da ousadia. O retrato que eles fazem não acrescenta nada do que a gente já não soubesse sobre os Kennedys. Os oito capítulos, diga-se de passagem, só fazem reforçar todos os estereótipos e imagens que já são relacionados a esta família. Estão lá a riqueza, a beleza, o glamour, a rivalidade, as inúmeras conquistas – pessoais e amorosas – e, principalmente, o caráter trágico que parece estar sempre à sombra desta família.

A estrutura narrativa se passa em dois tempos distintos. Para os efeitos da minissérie, o presente é o exercício de mandato da Presidência da República dos Estados Unidos por John Fitzgerald Kennedy (Greg Kinnear), de 1961 a 1963, bem como a trajetória bem sucedida de Robert Francis Kennedy (Barry Pepper) como Senador pelo Estado de Nova York e a sua campanha à Presidente dos Estados Unidos, em 1968; e o passado fundamenta em valores e em acontecimentos todo o caminho percorrido pelo patriarca da família, o embaixador Joe Kennedy (Tom Wilkinson), para a realização do seu grande propósito de vida: colocar um dos seus filhos no cargo político mais poderoso do mundo (o de Presidente dos EUA) – as fichas dele eram apostadas, especialmente, nos seguintes filhos: Joseph Patrick Jr., John e Robert – os quais, todos, tiveram destinos trágicos.

Neste sentido, os oito capítulos nos revelam que a família Kennedy tinha uma verdadeira obsessão pelo poder. O patriarca Joe, por exemplo, é quase que mostrado como um Poderoso Chefão, um ser altamente manipulador capaz de todas as jogadas – desde as mais limpas até as mais sujas – para alcançar aquilo que mais desejava. Enquanto isso, a subtrama que envolve seus filhos os mostra como homens cientes das responsabilidades deles como membros dessa família, mas que travavam uma luta interna também pela afirmação de um próprio caminho deles, independente daquilo que Joe havia planejado para eles. As mulheres desta família – as mais importantes, para esta história, são Rose (Diana Hardcastle), Jacqueline (Katie Holmes) e Ethel (Kristin Booth) – por mais que tivessem personalidades fortes eram completamente engolidas pelo caráter submisso de suas relações com os respectivos maridos (Joe, John e Bobby) e se transformavam, também, em engrenagens para as pretensões políticas da família.

Minissérie indicada a 4 Primetime Emmy Awards 2011 (duas das indicações, para Tom Wilkinson e Barry Pepper, foram mais do que merecidas), o grande problema de “Os Kennedys” é justamente não conseguir sair do terreno do novelão. Se a minissérie tivesse um caráter documental, com certeza a grande mensagem desta narrativa (seria a tragédia o preço pago pela família Kennedy para alcançar o que eles queriam?) teria muito mais força. A versão nacional que foi ao ar, simultaneamente, em três canais da TV por assinatura (A&E, History Channel e o The Biography Channel) ainda tem um agravante maior: a péssima dublagem, com destaque para a voz monocórdia e sem qualquer sentimento de Marina Person (eu quero crer que ela se inspirou na própria inexpressividade da performance de Katie Holmes para fazer seu trabalho aqui).

Cotação: 4,0

Os Kennedys (The Kennedys, 2011)
Direção: Jon Cassar
Roteiro: Stephen Kronish e Joel Surnow
Elenco: Greg Kinnear, Barry Pepper, Katie Holmes, Tom Wilkinson, Diana Hardcastle, Kristin Booth



Jornalista e Publicitária


Comentários


Que ducha de água fria … Seria interessante em ver com som original … DUBRADO NUM ROLA!

Algumas vezes, preferem caminhar no óbvio, aspirando a esperança no espectador algo arrojado … uma lastima.

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João, tendo em vista a péssima dublagem, com certeza, seria excelente ter visto esse programa em som original… Mas, acho que a dublagem é uma política dos três canais que passaram a minissérie, uma vez que a maioria dos programas que lá passam são dublados mesmo.

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Pois é Ka. E vale lembrar que Joel Surnow e Jon Cassar são dois republicanos convictos e históricos. Não vi toda a série. Parei, por pura impossibilidade mesmo, no segundo episódio. Mas a dublagem desencorajava msm. Verei quando sair em DVD.

Bjs

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Oi Kamila, acho que o Tom Wilkinson é o grande destaque. O grande mistério que cerca esta minissérie é o porquê pensaram em Marina Person para dublar. Gosto dela como VJ, sei que ela é cineasta , filha de cineasta e entendida da Sétima Arte – mas dublagem não é a praia dela.
Deveriam ter chamado alguém do ramo, conheço umas 20 dubladoras que mandariam bem.

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Reinaldo, exatamente. Bem notado o detalhe dos dois republicanos convictos e históricos envolvidos em dois papeis importantes dessa minissérie. Beijos!

Flávio, o Tom Wilkinson arrasa nessa minissérie. Eu também não entendo o porquê de terem chamado a Marina Person pra dublar a Jackie…. Nada a ver….

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Evito assistir este tipo de produção dublado, porque dependendo de quem dubla acaba tirando boa parte do contexto da história. Veria pelo elenco, menos por Katie Holmes que não engulo. rsrsrs.

Beijos! 😉

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Ahh que pena, é o tipo de história que já teria meio caminho pronto para uma grande produção. Os Kennedys sempre tiveram um certo ar de misticismo, meio que como os Beatles da sociedade. Uma pena!

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Mayara, o problema é que não tinha outra alternativa: esse programa teve que ser visto em sua versão dublada! rsrsrsrs Beijos!

Victor, pois é, mas a abordagem da história foi muito equivocada…

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Assisti um pequeno trecho dessa série na casa da namorada e, obviamente, me interessei, por ser historiador… fiquei particularmente surpreso com a escolha de Greg Kinnear pra interpretar JFK: eles realmente se parecem um pouco, mas nunca tinha pensado nessa semelhança antes. Que pena que seja tão melodramática como você disse, mas, de qualquer forma, saindo em dvd, devo tentar assisti-la.

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Wallace, eu também achei curiosa essa escolha e não acho que o Greg Kinnear tenha passado vergonha no papel.

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