Carlos

publicado em:15/09/11 10:45 PM por: Kamila Azevedo TV

Minissérie dividida em três capítulos, “Carlos”, do diretor Olivier Assayas, teve uma trajetória bem interessante, uma vez que, antes de encontrar espaço para distribuição na televisão norte-americana, a obra foi veiculada em alguns dos festivais de cinema mais importantes da indústria, como o de Cannes, por exemplo, sendo indicado ou vencendo premiações prestigiadas como o European Film Awards, o London Critics Circle Film Awards, o Los Angeles Film Critics Association Awards, a National Society of Film Critics Awards, o Golden Globe Awards e o New York Film Critics Circle Awards.

O programa conta a história de Ilich Ramírez Sánchez, o popular “Carlos, o Chacal”, terrorista e assassino que atuou nas décadas de 70 e 80, especialmente no continente europeu, local onde trabalhou em prol das causas comunistas, árabes e islâmicas. Neste sentido, o roteiro escrito por Olivier Assayas, Dan Franck e Daniel Leconte tem uma estrutura um tanto convencional, uma vez que contextualiza a entrada de Carlos na vida terrorista, na medida em que o vemos se envolvendo em diversas ações, como assassinatos de políticos, policiais e funcionários de embaixadas; explosões e invasões de prédios e locais públicos; culminando naquele que foi o trabalho que mais lhe deu notoriedade: o ataque à sede da Organização dos Países Exploradores de Petróleo (OPEP), em 1975, em Viena (Áustria).

Apesar de termos inúmeros personagens relacionados à Carlos, nenhum será tão importante para a minissérie quanto o próprio protagonista. Os três capítulos do programa nos mostram que Ilich Ramírez Sánchez tinha uma reputação tão grande que a mesma o precedia. Além de ser um militante muito vibrador, ele se dedicou à causa palestina de corpo e alma, com toda a frieza, coragem e intolerância à traição que este dever exige. Talvez, por isso mesmo, a ironia do destino dele, antes de ele ser preso pelas autoridades francesas, em 1994: apesar do seu histórico de ações a favor de muitos líderes políticos árabes, após a queda do comunismo na Europa e a necessidade dos países terem um bom relacionamento com os Estados Unidos, Carlos virou uma espécie de “persona non grata” e renegada pelos regimes que ele tanto ajudou, vivendo uma existência de isolamento – como se ele fosse um fantasma – que muito o atingiu emocionalmente.

Talvez, por isso mesmo, o elemento mais importante de “Carlos” acaba sendo a atuação do venezuelano Édgar Ramírez. O ator está presente em todas as cenas da minissérie e a sua entrega emocional ao personagem foi tão grande que Ramírez se sujeitou a uma transformação física notável para ficar ainda mais parecido com Carlos. Chama a atenção também na minissérie indicada a 2 Primetime Emmy Awards 2011 a impecável reconstituição de época e a trilha sonora maravilhosa. Com certeza, um programa que cumpre o seu papel de apresentar a história do destino de um homem, ao mesmo tempo em que faz a análise de um momento histórico cujas ressonâncias ainda podem ser encontradas nos dias de hoje, tendo em vista a própria indefinição da situação palestina e das ações cada vez mais constantes de terror ao redor do mundo.

Cotação: 8,5

Carlos (Carlos, 2010)
Direção: Olivier Assayas
Roteiro: Olivier Assayas, Dan Franck e Daniel Leconte
Elenco: Édgar Ramírez, Alexander Scheer, Alejandro Arroyo, Fadi Abi Samra, Ahmad Kaboour, Talal El-Jordi, Juana Acosta, Nora von Waldstatten, Christoph Bach, Rodney El Haddad



Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Sou doido para assistir esse, a duração q me desmotivou um pouco. Foi premiado esse ano, nê? Vou ver se consigo conferir. Abração!

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Celo, o programa passou recentemente na HBO, dividido em três partes. Tente assistir, sim. Abraços!

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Queria ter visto na HBO, mas não consegui. Sua avaliação faz coro a todas as críticas que li a respeito dessa minissérie do Assayas.
Eu, particularmente, achei muito interessante o debate que “Carlos” instaurou no fetsival de Cannes a respeito da legitimidade da produção em um festival de cinema.
Bjs

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Também adorei. Claro, Ramírez merece todos elogios possíveis (ficava impressionado toda vez que ele começava a falar uma nova língua, ou aparecia fisicamente diferente, ou nas constantes sutilezas corporais — que atuação!). Mas, como os créditos informam, não se deve ver a minissérie como veracidade histórica, uma vez que faz várias concessões e adições apenas por fins dramáticos. O que, no entanto, pouco muda os fatos: que é bem escrita, bem dirigida, bem montada e, claro, muito empolgante.
[8/10]

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Estou sem HBO, então tenho que recorrer ao download, mas quero MUITO ver este! Espero – acho que vou – gostar! Beijo, ótimo texto contextualizado! 😉

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Lembro da indicação dessa minissérie no último Globo de Ouro(não tenho certeza,acho que ganhou).Não vai demorar muito para o venezuelano Edgar Ramírez participar de vários filmes hollywoodianos,fazendo cia aos talentosos parceiros latinos Diego Luna,Rodrigo Santoro e Gael Garcia Bernal.Há proposito de projetos feitos para TV estou com o DVD “Você Não conhece Jack” com Al Pacino.Eu não vi na tv e vou ter a chance agora,você já viu Kamila? beijos.

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Mateus, perfeito comentário! Assino embaixo.

Cristiano, obrigada! Beijo!

Paulo, ganhou, sim. Também acho que não demorará para a carreira do Edgar Ramírez deslanchar em Hollywood. Já vi esse telefilme que você citou. Inclusive, tem crítica dele por aqui! 🙂 Beijos!

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Que maravilha, Kamila. Gostei do texto. Esse filme (eu só vi ele como filme mesmo, não dividido) é como um manto pra mim, simplesmente te pega e pronto, não há escapatória.

Abração!

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Confesso que estou muito interessado nesse filme, achei ele algumas vezes pra baixar na internet, mas vou ver se consigo ver em DVD.

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Pedro, obrigada!! Imagino que deve ter sido uma experiência legal ver essa obra de uma tacada só! 🙂 Abraço! E sim, você poderá assinar o RSS do blog no link que se encontra na parte direita do site, abaixo do logo da SBBC. 🙂

Cleber, tente assistir sim!

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