As Aventuras de Tintin: O Segredo de Licorne

Baseado no personagem da série de histórias em quadrinhos criadas pelo desenhista belga Hergé, o filme “As Aventuras de Tintin: O Segredo de Licorne”, marca a segunda parceria de duas mentes afeitas ao cinema de aventura e fantasia: o norte-americano Steven Spielberg e o neo-zelandês Peter Jackson (que já haviam trabalhado juntos em “Um Olhar do Paraíso”). Na adaptação escrita por Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish, a essência da personagem principal é mantida, uma vez que Tintin (dublado por Jamie Bell) é um jovem repórter, interessado basicamente em matérias de espírito investigativo, que vão de encontro ao seu caráter aventureiro e curioso.

Essas características principais do protagonista de “As Aventuras de Tintin: O Segredo de Licorne” já estão bastante explicitadas para a plateia já na primeira sequência do filme. Em uma feira pública, Tintin está com o seu cachorro de estimação, chamado Milu - o qual, é importante frisar, é tão esperto quanto seu dono -, quando este começa a seguir um ladrão que estava surrupiando as carteiras dos transeuntes da feira. Enquanto seguia seu cachorrinho, Tintin dá de encontro com a miniatura do Unicorn, um navio célebre na sua época. Fascinado, ele compra o objeto. O que vem em seguida (pessoas bastante interessadas na sua nova aquisição, oferecendo até grandes quantias de dinheiro por ela) é uma prova do princípio de uma nova aventura para Tintin.

Desta forma, a trama de “As Aventuras de Tintin: O Segredo de Licorne” acompanha as investigações que Tintin faz sobre o Unicorn e os segredos que ele guardava (especialmente, as riquezas e tesouros que ele escondia). Todas as interações desta personagem acontecem com a companhia, é claro, do seu inseparável cão Milu e do Capitão Haddock (dublado por Andy Serkis) e o antagonismo de Sakharine (dublado por Daniel Craig). Interessante perceber também que o diretor Steven Spielberg imprime um ritmo muito forte ao seu filme e chama a atenção o cuidado com que ele desenha as cenas de ação de seu longa - preste atenção, em particular, àquela que mostra Tintin, Haddock e Milu perseguindo o pássaro enviado por Sakharine para roubar os pergaminhos que estavam escondidos nas miniaturas do Unicorn.

2011 foi o ano que marcou um capítulo interessante para a história de dois dos diretores mais renomados do cinema norte-americano, uma vez que, tanto Steven Spielberg, quanto Martin Scorsese, decidiram embarcar no gênero de aventura e em filmes especialmente dirigidos ao público infanto-juvenil, no formato 3D - que é a grande menina dos olhos do cinema norte-americano atualmente. Ainda não assistimos ao filme de Scorsese (“Hugo”), mas, analisando “As Aventuras de Tintin: O Segredo de Licorne”, percebemos que Spielberg (em seu primeiro trabalho no gênero de animação) acerta no ritmo ágil que dá à sua narrativa (“Tintin” é um filme com bastante informação) e na deixa que faz para uma provável continuação. Porém, o diretor, conhecido pela criação de personagens clássicos que movem as emoções da plateia, erra feio na concepção digital de suas personagens, as quais possuem olhos “mortos”, sem qualquer expressividade ou vida. A impressão que dá é a de que estamos assistindo a um longa dirigido por Robert Zemeckis.

Cotação: 7,0

As Aventuras de Tintin: O Segredo de Licorne (The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn, 2011)
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Steven Moffar, Edgar Wright e Joe Cornish (com base na série de histórias em quadrinhos criada por Hergé)
Com as vozes de: Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Simon Pegg, Toby Jones, Cary Elwes

21 comments

  1. João Paulo Rodrigues 3 fevereiro, 2012 at 22:34 Responder

    BAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH …
    Pelo menos a questão dos olhos foram usados bem melhores do que os filmes de Robert, além claro que desbancou Rango no GG.

    Merecido sim.
    Uma história fabulosa, sim.
    Andy Serkis provando que é um ator do cacete, sim.
    O time Wright, Cornish, Pegg e Frost é foda, sim.
    A sequencia do barco detonando e dando tapa na cara em toda a franquia de Piratas do Caribe, SIM …

    Um ótimo filme de aventura, alias, um evento que sem duvida vale a pena conferir

  2. Otavio Almeida 4 fevereiro, 2012 at 00:32 Responder

    Não concordo, querida! Além do mais, não tive tempo pra prestar atenção nos olhos, afinal estava completamente envolvido pela aventura. Acho que a proposta era essa. Aliás, eu deveria ter nascido como Tintim por apenas duas horinhas pra viver essa aventura fantátsica. Mas, não. Nasci pra trabalhar e dirigir por duas horas no trânsito. A vida real é a vida real. Viva a fantasia, viva os sonhos, viva o cinema!

    Bjs!

    • Kamila 4 fevereiro, 2012 at 19:40 Responder

      João, sim, eu concordo que a questão dos olhos está bem melhor concebida do que nos filmes do próprio Robert Zemeckis. E é mesmo um ótimo filme de aventura, pena que ficou de fora do Oscar. Merecia a indicação. Beijos!

      Amanda, eu achei muito ruim. Olhos totalmente inexpressivos. Foi a parte que destoou de uma técnica impressionante.

      Otavio, pode discordar! 🙂 Eu também estava envolvida pela aventura, mas aqueles olhos inexpressivos me incomodaram demais. E viva a fantasia!! Viva o cinema! 🙂 Beijos!

  3. Paulo Ricardo 4 fevereiro, 2012 at 03:40 Responder

    Legal vc ter citado Martin Scorsese como um dos diretores mais renomados do cinema americano,considero que ele e Spielberg tem a melhor filmografia.Kamila discordo que Spielberg errou na concepção digital,o roteiro poderia ser mais bem trabalhado.Não gosto do Capitão Haddock não beber muito(Isabela Boscov chamou atenção no videoblog e quando eu assisti pude confirmar esse detalhe).Eu respeito Spielberg,mas fiquei incomodado com “Cavalo de Guerra”,a história é implausivel(eu não vou contar pq sei q vc não gosta.Mas pra mim não faz sentido um Cavalo passar por tantas coisas).Voltando a “As Aventuras de Tintin” gostei muito da trilha de John Williams mas o filme não me tocou em nada.Vindo de um diretor que me fez chorar em “ET”,me fez ficar tenso em “Tubarão”(meu filme favorito dele) e tem tantas obras primas no curriculo eu esperava mais dele.Meu nivel de exigencia com Spielberg é alto.Agora é esperar a versão de Peter Jackson.Vc deu nota 7,0 e minha avaliação é 3 estrelas cotação 5.Não é ruim(até pq ele não consegue dirigir um filme ruim),mas podia ser bem melhor.Bjs.

  4. Alyson 4 fevereiro, 2012 at 03:56 Responder

    “Tintim” me decepcionou por errar com bobeira: dinamismo desequilibrado. Acho muita correria e uma história sem consistência. Uma pena. Pois, a estética é perfeita. Beijos!

  5. Paulo Ricardo 4 fevereiro, 2012 at 04:04 Responder

    Kamila,preciso fazer uma justiça rss.Tem mais um diretor que considero com uma filmografia perfeita:Stanley Kubrick.Scorsese,Kubrick e Spielberg são gênios do cinema americano.É uma informação inutil pra quem lê,mais importante pra mim rss,justiça feita até o proximo post. 🙂

    • Kamila 4 fevereiro, 2012 at 19:42 Responder

      Paulo, Spielberg e Scorsese são dois ótimos diretores e é sempre bom vê-los se aventurando em novos territórios. “Tintin” poderia, sim, ter um roteiro melhor, mas acho que o filme envolve e entretém demais. Além disso, tirando a concepção dos olhos inexpressivos, o filme tem técnica excelente. Beijos!

      Alyson, exatamente. Opinião perfeita. Beijos!

      Paulo, os três são grandes diretores, mas nenhum deles tem uma filmografia perfeita. É impossível alcançar a perfeição e todos os três tiveram momentos irregulares em suas carreiras.

  6. bruno knott 4 fevereiro, 2012 at 12:26 Responder

    Também gostei dessa comparação do Scorsese com o Spielberg em 2011… tenho interesse em ver o filme, mas não espero tanta coisa. Quanto ao comentário sobre o Zemicks, você teve em mente filmes como Expresso Polar e A Lenda de Bewoulf? Tb acho que são animações um tanto fraquinhas, apesar de terem bons momentos.

  7. Luis Galvão 4 fevereiro, 2012 at 13:00 Responder

    Moffat, Wright e Cornish fizeram um roteiro tão envolvente que não pude me encantar pela narrativa do filme, uma velha lembrança do passado feita com a melhor tecnologia do futuro. E não achei os olhos opacos não, hhehehe XD

    • Kamila 4 fevereiro, 2012 at 19:46 Responder

      Bruno, obrigada! Isso, tive em mente esses dois filmes do Zemeckis quando fiz a comparação da composição dos personagens.

      Luís, só eu achei os olhos opacos pelo visto! rsrsrs Vocês todos ficaram encantados demais pelo filme para perceber isso também! :p rsrsrsrs

      Hajaso, assista, sim! Abraços!

  8. Andinhu S. de Souza 5 fevereiro, 2012 at 00:31 Responder

    Tbm não concordo sobre os olhos inexpressivos rs.
    Só achei que ficou faltando uma marca, um momento chave, pois a sensação de correria impede isso. Mas os gráficos são melhores que o idolatrado Rango, as cenas no deserto, do navio, o plano sequencia, são de uma perfeição poucas vezes concebidas no cinema

    • Kamila 5 fevereiro, 2012 at 13:33 Responder

      Mayara, a primeira vez que entrei em contato com esse universo narrativo foi com esse filme do Spielberg. Assista ao filme, se puder. Beijos!

      Andinhu, podem discordar à vontade. E eu acho que o filme tem um momento chave, naquela cena que eu citei da perseguição. Essa cena deixa a gente de queixo caído.

  9. Matheus Pannebecker 5 fevereiro, 2012 at 20:47 Responder

    “Tintim” é bem divertido. O que me incomoda no filme é esse impasse da narrativa: apesar de ser uma animação, parece que a história foi feita para ser live action… Não sei, fiquei meio incomodado com isso. De resto, a animação é bem satisfatória – e merecia estar concorrendo ao Oscar!

  10. Weiner 5 fevereiro, 2012 at 21:03 Responder

    Entrei no cinema com o único propósito de me divertir. Não procurei defeitos dentro da narrativa frenética, nem tampouco dei asas à polêmica do live action, simplesmente deixei me envolver pelo que o bom cinema de aventura pode proporcionar. E, claro, adorei TinTin.
    Beijos!

    • Kamila 5 fevereiro, 2012 at 21:20 Responder

      Matheus, eu concordo que a história parece ter sido feita para um filme live action. E o longa merecia demais concorrer ao Oscar.

      Weiner, eu também entrei com o propósito de me divertir, mas os olhos inexpressivos me incomodaram demais, o tempo todo. Beijos!

  11. Rafael Carvalho 5 fevereiro, 2012 at 21:32 Responder

    Nas mãos do Spielberg, acho que um filme sobre o Tintim não podia ser diferente, tem o senso de aventura que se espera dele nesse tipo de projeto (a cena da perseguição ao pergaminho que você citou é exemplar nesse sentido). Só acho que o diretor se esforça demais para mover a “câmera” como se quissesse exibir um certo traquejo com a técnica da animação, fazendo movimentos a todo custo, como que brincando com aquilo. Mas o filme é bom, e adorei os quesitos técnicos do filme.

Deixe uma resposta