Indomável Sonhadora

É difícil tentar definir o que é o filme “Indomável Sonhadora”, co-escrito e dirigido por Benh Zeitlin. Acho que seria adequado dizer que o longa é uma grande fábula, em que, apesar das personagens principais não serem animais, nós temos o relato de uma história em que, de uma certa maneira, os seres humanos podem ser associados aos animais, na medida em que as experiências que eles vivem transmitem acontecimentos que possuem o objetivo de nos passar algo de caráter moral, em que as características principais das personagens refletem algo que é inerente aos seres humanos.

A menina Hushpuppy (Quvenzhané Wallis, em atuação indicada ao Oscar 2013 de Melhor Atriz) vive numa área de evacuação com o pai Wink (Dwight Henry, excelente). A comunidade em que eles moram é assolada, com frequência, por tempestades que inundam toda a área. A verdade é que, não só pai e filha, como todas as pessoas que ali habitam, vivem em péssimas condições, quase mesmo como animais. E isso faz com que, em vários momentos de “Indomável Sonhadora”, nós questionemos o fato do pai de Hushpuppy permitir que sua filha vivesse em tal conjuntura.

Porém, essa não é a questão principal por trás de “Indomável Sonhadora”. O filme fala, na verdade, sobre a rotina de Hushpuppy e seu pai, mas de uma forma completamente fantasiosa e repleta de elementos mitológicos, especialmente no que diz respeito à relação de todas essas personagens com a natureza e com o universo em que estão inseridos. Neste sentido, um dos elementos mais fortes do longa é a trilha sonora, de autoria de Dan Romer e Benh Zeitlin, que se encaixa muito bem nesse propósito central da obra e, principalmente, com a força da história de sobrevivência diária dessas pessoas em tal ambiente inóspito.

Indicado a 4 Oscars 2013, “Indomável Sonhadora” é um filme que tem uma mensagem muito positiva, alguns momentos mágicos (como aquele que mostra a cena que é destaque do pôster oficial do longa) e que está perfeitamente representada na seguinte fala da menina Hushpuppy: “quando tudo fica quieto diante dos meus olhos, eu vejo tudo que faz parte de mim ao meu redor em pedaços invisíveis. Quando eu forço minha visão, tudo desaparece. E quando tudo fica quieto, eu vejo que eles estão ali. Eu percebo que eu sou um pequeno pedaço num enorne, enorme universo. E isso faz as coisas parecerem certas. Quando eu morrer, os cientistas do futuro vão descobrir tudo. Eles vão saber que, um dia existiu uma Hushpuppy, e que ela viveu com seu pai em Bathtub”.

Indicações ao Oscar 2013
Melhor Diretor -
Benh Zeitlin
Melhor Filme
Melhor Atriz -
Quvenzhané Wallis
Melhor Roteiro Adaptado -
Lucy Alibar e Benh Zeitlin

10 comments

  1. celosilva365 12 março, 2013 at 15:40 Responder

    Eu acho esse filme interessante, mas acho q tem algumas imperfeições que o deixam capenga, a narrativa as vezes é meio entediante. Contudo, tem um belo visual e atuações comoventes. Não acho que merecia todas as indicações que teve ao Oscar, mas de fato é um trabalho relevante.

    • Kamila Azevedo 12 março, 2013 at 19:24 Responder

      Reinaldo, obrigada!

      Celo, também acho que o filme tem algumas imperfeições. Especialmente no seu primeiro ato. As coisas vão melhorando na medida em que a trama se desenvolve.

      Emerson, obrigada!

  2. Paulo Ricardo 12 março, 2013 at 18:43 Responder

    O filme é muito bom mesmo e mereceu os prêmios em Sundance e a nomeação a melhor roteiro.Benh Zeitlin filma como um jovem Terrence Malick e Quvenzhané Wallis está ótima.Mas será que merece uma nomeação ao Oscar?uma criança de 9 anos e que no periodo das filmagens tinha 6 anos,um peso desnecessário na carreira dela e já vimos que “criança prodigio” não tem longa carreira.Anna Paquin(sucesso na tv em “True Blood”mas uma carreira instavel no cinema),Tatum O´neil,Keisha Castle-Hughes,Haley Joel Osment…são tantos casos.O único caso de “criança nomeada ao Oscar” que teve uma bela carreira é Jodie Foster que com apenas 14 anos foi nomeada por “Táxi Driver” e depois confirmou o talento.Coisas da AMPAS que jamais entenderemos…

    • Kamila Azevedo 12 março, 2013 at 19:25 Responder

      Paulo, acho muito prematura uma comparação entre Benh Zeitlin e Terrence Malick e nem vi esses paralelos entre os dois diretores. A Quvenzhané Wallis tem uma atuação muito sensitiva e intuitiva, mas também contesto a sua indicação ao Oscar. Quem sabe, no entanto, ela não se revela uma exceção à regra das “crianças prodígios”? É muito difícil julgar como será o futuro profissional de alguém que tem tanto ainda a revelar e mostrar.

  3. cleber eldridge 12 março, 2013 at 22:25 Responder

    Eu gostei , achei um filme “fofo” se é que podemos chamar assim (minha irmã de 12 anos amou) – e não é para menos a garotinha é um ótimo personagem , um direção segura , roteiro seguro e uma trilha sonora estupidamente boa – concordo que não entendo como o filme chegou tão longe nas premiações , até entendo que muito gostaram , alguns outros chamaram de “o melhor filme do ano” – ai eu me pergunto , é tudo isso mesmo ou um pouco de exagero?

    • Kamila Azevedo 12 março, 2013 at 23:13 Responder

      Cleber, eu também gostei desse filme, mas nunca classificaria esse filme de “fofo”. Acho que “Indomável Sonhadora” passa longe de ser o melhor filme do ano, mas esse é o meu gosto…

  4. Clóvis Tayllon 13 março, 2013 at 01:06 Responder

    Pra ser bem sincero, não sei o que eu achei desse filme. É uma história sobre o crescimento pessoal da Hushpuppy? É um filme de fantasia ou um drama sobre a pobreza e desigualdade social? Ou é tudo isso junto? O roteiro tenta abordar tudo isso de uma vez só que acaba falando sobre nada.

    A direção do Zeitlin também não ajuda muito. Além de a câmera chocalhar ao ponto de te deixar zonzo, ele passa boa parte do tempo dando planos aéreos sobre a locação como se nem ele mesmo soubesse do que o filme trata. E me desculpem, mas achei a indicação da Quvenzhané Wallis um baita exagero. Ela tem talento e está ótima em cena… Quando consideramos que ela tinha seis anos na época em que gravaram o filme. Mas em termos de atuação ela não entrega nada de excepcional e era a mais fraca entre as indicadas.

    Os pontos altos do filme ficam no último ato quando a atriz mostra, de fato, que se entregou ao papel e que não está sendo apenas comandada pelo o diretor. Além disso, destaco a excelente trilha sonora, a única indicação que o longa merecia ao Oscar, mas que acabou não vindo; e a ótima atuação do Dwight Henry.

    Nota: 7,0

    Abraços!

    • Kamila Azevedo 13 março, 2013 at 01:12 Responder

      Clóvis, o filme não é sobre o crescimento pessoal de Hushpuppy. É uma jornada que mostra alguns valores humanos dentro daquelas condições de vida inóspitas. Pode ser que a indicação da Quvenzhané Wallis tenha sido um exagero, mas acho que ela fez um excelente trabalho aqui, independente disso. Eu adorei o Dwight Henry. Uma atuação fortíssima, a dele.

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