O Homem de Aço

Um dos super herois mais populares, com aparições em mídias das mais diversas, como cinema, rádio, literatura, televisão e video games, Clark Kent/Kal-El/Superman divide os corações do grande público com outros dois super herois: Bruce Wayne/Batman e Peter Parker/Homem-Aranha. Se o homem-morcego e o aracnídeo puderam recomeçar as suas trajetórias cinematográficas em anos recentes pelas mãos de Christopher Nolan e Marc Webb, respectivamente, chegou a vez, agora, do Homem de Aço ter uma nova chance nos cinemas, por meio da imaginação de David S. Goyer e - olha ele de novo! - Christopher Nolan, que já haviam trabalhado juntos justamente na trilogia “Batman”.

“O Homem de Aço”, assim como outros filmes que abordam personagens que possuem habilidades extraordinárias e super poderes, parte do princípio de que pessoas como Clark Kent/Kal-El (Henry Cavill, conhecido pelo papel na série de TV “The Tudors”) não sabem direito como lidar com essas características que eles carregam ou não compreendem direito qual o lugar que eles ocupam no mundo, tendo em vista essas particularidades que eles possuem. No caso desta personagem, as respostas podem ser encontradas a partir do instante em que Clark Kent entra em contato com suas origens no planeta de Krypton.

Kal-El foi transportado de Krypton por decisão de seus pais (Russell Crowe e Ayelet Zuret) justamente porque eles queriam que o filho tivesse uma chance de forjar seu próprio caminho e suas próprias escolhas no mundo. Por isso também que a Terra foi escolhida para abrigar um ser tão especial como Kal-El. Como estamos inseridos num mundo em que existe uma polaridade tão grande entre o bem e o mal, alguém com as habilidades de Clark Kent é um ser que, com certeza, tem muito a oferecer à humanidade em termos de inspiração e de modelo de comportamento e de esperança.

Desta forma, o Superman é um dos super herois mais humanos e altruístas que conhecemos, com um senso de moralidade muito bem definido. Na forma como foi retratado pela visão de David S. Goyer, Christopher Nolan e pelo diretor Zack Snyder, o Super-Homem irá assustar muita gente, especialmente porque ele não mede o dano colateral consequente de sua disputa - pra lá de violenta - com seu inimigo, o General Zod (Michael Shannon, como sempre roubando a cena). Porém, ao mesmo tempo, isso também faz parte de um dos maiores conflitos internos de uma pessoa que, criada por pais adotivos (Kevin Costner e Diane Lane) extremamente íntegros e honestos, tem como origem um povo em que cada novo habitante nascia com uma função predefinida a exercer em vida.

Por isso mesmo, “O Homem de Aço” foi uma obra um pouco mal interpretada. O filme tem como propósito mostrar o princípio do caminho de Clark Kent/Kal-El para dominar completamente aquilo que o Superman é.  A maior prova de que, provavelmente, nem os idealizadores desta nova franquia sabem o que o futuro reserva para o personagem é que, ao invés de apostarem numa sequência para este filme, de maneira a trabalhar melhor Clark Kent/Kal-El/Superman e suas motivações, a DC Comics vai preferir realizar um longa em que o Superman vai colaborar junto com o Batman, tendo o “visionário” Zack Snyder como diretor. A DC Comics está fazendo uma aposta muito arriscada, em ambos os casos, tendo em vista que, apesar de trabalhar muito bem com o conceito visual de seus filmes (a fotografia deste longa é um primor, por exemplo), Snyder tem um defeito: não saber desenvolver bem uma história - como bem prova a falta de linearidade do roteiro de “O Homem de Aço”, como editado por David Brenner, o que deixa o longa um pouco difícil de acompanhar, em alguns de seus segmentos.

9 comments

  1. Pablo 25 julho, 2013 at 21:19 Responder

    Em primeiro lugar, eu adorei o filme, Superman para mim é o melhor superherói que existe.
    O problema que eu estou vendo nesse filme, é que muita gente esta indo assistir o filme, e como Christopher Nolan é um dos produtores, estão indo com a ideia que vão ver um Cavaleiro das Trevas vestido de Homem de Aço, e quando vêem que não é isso, se decepcionam.
    Eu adorei a história, o jeito como o filme foi contado, a questão como a fé foi abordada, e principalmente Russell Crowe e Kevin Costner como os pais de Kal-el/Clark Kent e Michael Shannon como o General Zod, o melhor vilão do ano no cinema até agora. Também gostei muito de Henry Cavill como o homem de aço, mas ainda esta atrás de Christopher Reever.
    Para um filme que foi feito para trazer de voltar o Superman para o cinema, o Homem de Aço é espetacular assim como foi Batman Begins. Agora é esperar para a continuação, pois Zach sabe onde errou e onde acertou.

    • Kamila Azevedo 25 julho, 2013 at 22:32 Responder

      Raspante, eu acho que o filme tem elementos bem positivos, mas não corresponde mesmo às expectativas que tínhamos em relação à “O Homem de Aço”.

      Pablo, eu também gosto muito do Superman, um dos meus superherois favoritos. Mas, acho que esse filme não faz jus ao personagem, apesar de ele ter alguns elementos bem positivos. No geral, acho que temos que dar tempo ao tempo a esse filme, para que ele seja desenvolvido da forma correta em futuras continuações. Acho que o problema é que “O Homem de Aço” está sendo mal interpretado, como coloquei em meu texto. Gostei da forma como o conflito interno de Clark Kent/Kal-El/Superman foi abordado. Para mim, um dos pontos mais positivos do filme.

  2. Matheus Pannebecker 26 julho, 2013 at 01:18 Responder

    Pelo jeito, o Superman não tem sorte no cinema mesmo… Os trailers eram de arrepiar e, até pouco tempo atrás, estava louco para assistir ao filme. Mas aí vieram as críticas e estou adiando até hoje!

    • Kamila Azevedo 27 julho, 2013 at 00:01 Responder

      Matheus, eu também gostei dos trailers e acho uma pena que o filme não tenha correspondido às expectativas, mas, como eu bem disse em meu texto, acho que “O Homem de Aço” tem sido uma obra muito mal interpretada.

  3. Brenno Bezerra 29 julho, 2013 at 20:08 Responder

    O “Super-Homem” sempre foi o super-herói que eu menos gostei. Sabia que eu ia achar esse filme muito ruim, mas não sei porque ainda quis crer que poderia estar errado. Número exagerado de tragédias, coisas acontecendo rápido demais… Eu, hein!?

    Beijos

    • Kamila Azevedo 8 agosto, 2013 at 00:59 Responder

      Otavio, sim, o Superman não mata, mas essa é uma reinvenção do personagem. Dizem que, no início das histórias em quadrinhos desse personagem, ele tinha um perfil bem diferente, mais obscuro do que aquele pelo qual ele ficou mais conhecido.

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