Wolverine: Imortal

Nos filmes da série “X-Men”, somos acostumados a ver o Wolverine (Hugh Jackman) como um grande heroi destemido e sempre pronto para agir em prol dos interesses dos mutantes contra grandes ameaças. Por isso mesmo, a forma como a personagem nos é apresentada durante o filme “Wolverine: Imortal”, do diretor James Mangold, chega a ser surpreendente, uma vez que, pela primeira vez, encontramos o Wolverine de uma forma muito vulnerável do ponto de vista emocional.

Tendo que lidar com o sentimento de perda e, principalmente, diante da culpa frente às situações que ele viveu, o Wolverine começa a renegar aquilo que ele é: um soldado sempre em busca da próxima batalha a vencer. Vivendo uma existência no anonimato, em localizações remotas e completamente longe da civilização, o Wolverine é descoberto justamente por alguém que ele ajudou no passado (Hal Yamanouchi) e que quer reencontrá-lo de forma a obter uma ajuda preciosa dele.

Desta forma, temos o desenho do grande conflito do roteiro escrito por Mark Bomback e Scott Frank e que aborda uma discussão em torno daquela que pode ser considerada como a maior característica do Wolverine: o fato de que ele tem o poder de se regenerar e de se curar de qualquer tipo de ferimento ou enfermidade. Se, de um lado, temos uma personagem que, devido às desilusões da vida, gostaria de não carregar tal tipo de dom; de outro, temos pessoas que dariam tudo para usar esse tipo de poder, pois não conseguem ser desapegadas diante do seu destino final.

Por mais que essa discussão seja interessante, a forma como ela foi abordada pelo roteiro de “Wolverine: Imortal” faz com que isso fique em segundo plano em detrimento de uma outra trama que envolve o relacionamento que começa a nascer entre Wolverine e a jovem Mariko Yashida (Tao Okamoto). Além disso, o filme ainda perde a boa chance de utilizar um dos ganchos mais legais dessa história: a volta de Wolverine e a sua aceitação definitiva daquilo que ele realmente é. Quando o longa enxerga esses pequenos momentos e os dá o merecido destaque é quando o filme de James Mangold alcança o seu ponto mais alto.

Ou seja, ainda não foi dessa vez que a personagem mais icônica do universo narrativo dos “X-Men” conseguiu um filme à sua altura. Talvez, seja o caso de a Marvel Comics deixá-lo restrito a esta franquia, apesar do enorme carisma de Hugh Jackman à frente do personagem e, no caso particular de “Wolverine: Imortal”, dos bons nomes envolvidos na produção do filme, como o próprio diretor James Mangold (um diretor muito versátil e experiente, que conduz com competência as cenas de ação) e o roteirista Scott Frank (indicado ao Oscar, em 1998, por “Irresistível Paixão”).

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