A Feiticeira

Nicole Kidman é uma atriz curiosa. A australiana construiu a sua carreira em cima de filmes dramáticos e obteve o auge de sua carreira (incluindo as três indicações ao Oscar – das quais ganhou uma estatueta) fazendo filmes do gênero. No entanto, Nicole Kidman não tem sorte quando faz filmes de comédia romântica. Não é que a atriz não leve jeito para fazer rir, o problema é o material que ela escolhe. “Da Magia à Sedução”, filme que Nicole fez com Sandra Bullock, não empolga. “Mulheres Perfeitas” é um fracasso do início ao fim. Já “A Feiticeira”, filme dirigido por Nora Ephron, depois de um começo interessante, acaba decepcionando.

Baseado na famosa – e homônima – série de TV, “A Feiticeira” conta a história de Isabel Bigelow (Kidman), uma bruxa que anseia levar uma vida normal. Por causa disso, ela abandona a casa de seu pai mulherengo (Michael Caine) e vai para Los Angeles, onde fixa residência decidida a nunca mais fazer um feitiço sequer na vida. Enquanto Isabel vai reestruturando a sua vida como um ser humano qualquer, conhecemos Jack Wyatt (Will Ferrell, numa atuação inspirada), um astro de cinema em decadência profissional.

Wyatt planeja a sua grande volta fazendo um remake do seriado “A Feiticeira”. E é na busca pela nova Samantha (a protagonista do seriado) que Jack acaba conhecendo e se encantando com Isabel. Ele faz com que o estúdio a contrate sem que ninguém suspeite (incluindo ele próprio) que ela é a candidata perfeita para interpretar a bruxa mais famosa da televisão norte-americana.

Colocar os personagens do filme para fazer um remake do seriado foi uma excelente sacada das roteiristas Nora e Delia Ephron. As cenas do “filme dentro do filme” são aquelas que rendem os melhores momentos para “A Feiticeira”. São nelas que vemos serem destiladas críticas ao egocentrismo dos grandes atores e ao sistema de Hollywood que impõe suas regras aos seriados e filmes que são criados.

Por falar em regras, quando Delia e Nora Ephron desviam o foco do filme para o romance que está em desenvolvimento entre Jack e Isabel, “A Feiticeira” começa a perder – com o perdão do trocadilho – o encanto. O filme seria bem mais interessante se continuasse a falar do remake do seriado, ao mesmo tempo em que fazia as suas críticas à necessidade que Hollywood tem, atualmente, de ficar voltando ao passado ao invés de investir em novas ideias.

“A Feiticeira” é mais uma prova viva (outro caso, por exemplo, foi “Os Gatões – Uma Nova Balada”) de que transformar bem-sucedidos seriados de TV antigos em filmes não está dando muito certo. Além disso, o longa também é uma constatação de que, até as irmãs Ephron – duas especialistas em comédias românticas e responsáveis pelos melhores filmes de Meg Ryan no gênero – podem errar. Se Hollywood vem comprovando a sua burrice ao insistir em uma coisa que não está dando o resultado esperado, sabemos que esse não é o caso de Delia e Nora Ephron e da talentosíssima Nicole Kidman, pois elas são bem melhores do que “A Feiticeira”.

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