Chamada de Emergência

Um dos maiores clichês do cinema ocorre quando a personagem principal quebra uma regra que você sabe que ela impôs para si mesma. Isso ocorre duas vezes com a protagonista de “Chamada de Emergência”, filme dirigido por Brad Anderson. Jordan Turner (Halle Berry) tem um trabalho que é, no mínimo, extenuante e estressante: operadora do 911, serviço telefônico de emergência dos Estados Unidos, passando os seus dias atendendo a ligações que vão de pedidos de atendimento e resoluções simples até aqueles que podem ter um resultado desastroso.

O excelente prólogo de “Chamada de Emergência” mostra aquele que seria o pior momento da carreira de Jordan como operadora: quando um de seus casos (o da jovem Leah Templeton) termina de forma trágica, com o corpo da vítima que solicitava socorro sendo encontrado. Seis meses depois, Jordan deixou de ser operadora e passou a se dedicar ao treinamento dos seus futuros novos colegas de trabalho. Numa rodada de visitas ao seu antigo posto, ela assume, sem ainda estar pronta emocionalmente para isso, as rédeas de um caso muito similar ao que a levou à “aposentadoria” forçada.

Casey Welson (Abigail Breslin, a menininha de “Pequena Miss Sunshine” que cresceu - e muito!) foi sequestrada no estacionamento de um shopping. Presa no porta malas do carro de seu sequestrador, sua única esperança é a ligação que faz para o 911 e a conexão que ela estabelece com Jordan Turner, que quebra justamente a maior regra de quem trabalha num serviço como esse: nunca se envolver emocionalmente com os casos que atende. Ao se dedicar por completo à situação vivida por Casey, Jordan revive, de uma certa maneira, o caso de Leah Templeton (Evie Thompson), com uma singular diferença: no que diz respeito à Casey Welson, Jordan vai fazer de tudo para que o destino seja outro.

Dirigido com competência por Brad Anderson (cujo crédito mais conhecido no cinema é o filme “O Operário”, com Christian Bale), “Chamada de Emergência” é um longa do gênero de suspense que envolve por completo a plateia na história que relata (a ponto de você sentir um incômodo frio na barriga em vários momentos), criando um clima de tensão que não se dissipa em nenhum instante. Contribui - e muito - também para o envolvimento da plateia as atuações excelentes do trio central, formado por Halle Berry e Abigail Breslin, além de Michael Eklund, que cria um vilão frio e calculista. Uma pena, somente, o fato de que o roteirista Richard D’Ovidio tenha optado por um final tão inconsequente e irresponsável, que mancha um pouco o resultado final obtido por Brad Anderson.

2 comments

  1. bruno knott 26 setembro, 2013 at 00:24 Responder

    O Operário é um excelente filme. Esse novo trabalho do Brad Anderson passou despercebido por mim. Apesar das ressalvas, parece valer a pena. A Halle Berry andava meio esquecida, mas parece ter ressurgido esse ano com este Chamada de Emergência e A Viagem.

    • Kamila Azevedo 29 setembro, 2013 at 22:48 Responder

      Bruno, não assisti ainda a “O Operário”. Esse filme passou despercebido, mas acho que funciona muito bem na tela pequena. A Halle Berry está ótima aqui. Fiquei feliz de vê-la dando uma atuação inspirada.

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