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Serra Pelada

Localizada na cidade de Curionópolis, no sul do Estado do Pará, a Serra Pelada foi um local que se tornou muito conhecido na década de 1980 por ter sido o maior garimpo a céu aberto do mundo, ocasionando a descoberta de 30 toneladas de ouro. Para muitos brasileiros, naquela época, a Serra Pelada, além de representar uma verdadeira corrida do ouro, foi um espaço que proporcionava a muitos a vivência do sonho de poder tirar dali o sustento que daria às suas famílias a possibilidade de viverem uma vida melhor e mais confortável.

O filme “Serra Pelada”, dirigido e co-escrito por Heitor Dhalia, destaca justamente uma dessas histórias. Os amigos de infância Juliano (Juliano Cazarré, que, atualmente, está no ar em um dos papéis principais novela “Amor à Vida”, da Rede Globo) e Joaquim (Júlio Andrade, que alcançou o estrelato com o filme “Gonzaga: De Pai para Filho”) deixam o Rio de Janeiro, em 1978, com o sonho de encontrar ouro e tudo aquilo mais que a Serra Pelada representava para gente como eles. A história de Juliano e Joaquim era igual a de muitos outros homens que deixaram seus locais de origem em busca da prosperidade que a serra ocasionava.

Entretanto, o que difere a trajetória de Juliano e de Joaquim da dos outros garimpeiros era o desejo de ambição e a ganância que ambos possuíam. Eles não se contentavam com aquilo que queriam e sempre buscavam muito mais. É aqui também que os dois decidem seguir caminhos diferentes. Enquanto que a ambição de Joaquim era conquistar o máximo que podia para proporcionar uma vida melhor para a sua esposa (Laura Neiva, quase irreconhecível) e para a filha recém-nascida, o desejo de Juliano era ascender socialmente por meio do ganho de poder e de liderança (mesmo que imposta com base na violência) sobre os outros grupos e garimpeiros.

Chama a atenção em “Serra Pelada”, a forma como Heitor Dhalia decide contar a sua história. De uma forma acertada, o diretor decide alternar a história de crescimento de Juliano e Joaquim como garimpeiros e, posteriormente, pequenos empresários com imagens de programas de TV ou de reportagens sobre o significado que a Serra Pelada possuía naquela época e as oportunidades que ela proporcionava para pessoas como Juliano e Joaquim. Isso faz com que o filme ganhe um caráter bastante documental e que nos mostra muito bem o tipo de apelo que aquele lugar exerceu sobre pessoas que deixaram tudo para trás para ali tentarem a sorte.

Entretanto, o ponto alto de “Serra Pelada”, além de sua parte técnica (notadamente a direção de fotografia), acaba sendo o trabalho desenvolvido pelos atores, com destaque para quatro deles: os protagonistas Juliano Cazarré e Júlio Andrade, que oferecem um ao outro o contraponto interessante para entendermos as diferenças que separam Juliano de Joaquim; a surpreendente Sophie Charlotte, que consegue dar muita densidade, sensualidade e dor à sua Tereza, naquela que é a melhor atuação de sua carreira; e Wagner Moura, como Lindo Rico, o pequeno empresário que termina de sepultar de vez a trajetória de Juliano e Joaquim.

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