Rush: No Limite da Emoção

publicado em:28/01/14 1:34 AM por: Kamila Azevedo Filmes

A minha geração conhece uma grande rivalidade dentro dos circuitos nos quais se passam as corridas de Fórmula 1: a do brasileiro Ayrton Senna contra o francês Alain Prost, a qual foi muito bem retratada no documentário “Senna”, de Asif Kapadia. O filme “Rush: No Limite da Emoção”, dirigido por Ron Howard, nos apresenta a uma outra rivalidade clássica ocorrida no mundo da Fórmula 1: a que envolveu, nos anos 70, o austríaco Niki Lauda (Daniel Bruhl, indicado ao Globo de Ouro 2014 e ao Screen Actors Guild Awards 2014 de Melhor Ator Coadjuvante) e o inglês James Hunt (Chris Hemsworth).

Os dois foram protagonistas de uma das temporadas mais equilibradas da história da Fórmula 1, quando, em 1976, Lauda e Hunt mantiveram o ritmo competitivo que só decidiria o campeonato na última corrida daquele ano, o Grande Prêmio do Japão. O lado curioso – e, ao mesmo tempo, trágico – desta temporada foi que, por boa parte daquele ano, Niki Lauda ficou ausente das corridas após sofrer um gravíssimo acidente no Grande Prêmio da Alemanha (quando ele ficou preso, por vários minutos, nas ferragens da sua Ferrari coberta por um incêndio).

O senso de competição que fez com que Niki Lauda voltasse ao circuito de Fórmula 1 somente após seis semanas do grave acidente que sofreu é um dos elementos mais importantes do roteiro de “Rush: No Limite da Emoção”, que foi escrito por Peter Morgan. Desde a primeira cena, a construção de Niki Lauda e James Hunt nos leva a crer que estamos diante de dois homens extremamente competitivos e que fizeram da rivalidade que tinham nas pistas – bem como, fora delas – o grande motor de incentivo para seguirem em frente, sempre tentando ultrapassar os (seus) limites.

A superação de limites parece ser uma característica comum entre aqueles que dedicam sua existência a esportes nos quais eles correm sérios riscos de vida. Neste sentido, “Rush: No Limite da Emoção” é um filme que consegue capturar muito bem as particularidades que fazem o caráter de cada um desses personagens. Ron Howard transmite, com o apoio das ótimas atuações de seus dois atores centrais, aquilo que fazia com que os dois sempre ficassem um de encontro ao outro – é importante frisar que sempre de forma muito leal e justa, sem espaço para situações antiéticas.

Um outro ponto positivo de “Rush: No Limite da Emoção” é a reconstituição de época perfeita, que retrata muito bem como era o circuito mundial de Fórmula 1 na década de 70 – um período que foi muito negro para o esporte, com muitos acidentes (alguns fatais) e em que os carros ofereciam pouca segurança para os pilotos. Sem dúvida alguma, as cenas de corrida fazem parte dos pontos mais altos deste filme, com destaque para o trabalho desenvolvido pela equipe técnica, especialmente a edição e o trabalho de edição e mixagem de som, além da trilha sonora de Hans Zimmer, oferecendo os pontos de emoção certos nos momentos necessários.



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


É isso, “Rush” devolve à Fórmula 1 a grandeza que o presente lhe nega. Acho que mais do que um eficiente filme esportivo, Howard entregou um belo filme sobre a importância da rivalidade, de como ela fomenta nossa evolução como profissional (no caso, esportistas) e ser humano.
Bjs

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Gostei muito de Rush, não apenas por retratar tão bem a rivalidade e o espírito esportivo da Formula 1, como na forma como a câmera nos leva em cada curva, na reconstituição de época que você citou e na caracterização dos dois personagens. Foi uma das maiores surpresas que tive ano passado.

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Amanda, também gostei muito de “Rush”. Concordo com o seu comentário, que reflete muito da minha opinião sobre este filme.

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