Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual

O cartaz de “Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual”, filme escrito e dirigido por Gustavo Toretto, faz a seguinte pergunta: “como encontrar o amor se você não sabe onde ele está?”. Eu diria ainda mais depois de assistir ao longa: como encontrar o amor se você não sabe onde ele está e, principalmente, se você não faz praticamente nada para encontrá-lo? É essa a situação em que estão os dois personagens centrais da obra: Martin (Javier Drolas) e Mariana (Pilar López de Ayala).

Os dois vivem na mesma rua, são praticamente vizinhos de prédio, foram feitos um pro outro (isso fica claro para a plateia na medida em que vamos conhecendo as personagens), mas nunca se encontraram ou se viram, casualmente, na rua. Martin vive confinado dentro do seu apartamento e faz tudo que ele precisa para viver dali de dentro (trabalha, faz compras no supermercado e se diverte). Mariana também evita ao máximo sair de casa - só o faz isso se precisa desempenhar o seu trabalho como vitrinista. Cada um tem uma desculpa para isso: Martin diz que tem uma fobia, enquanto Mariana diz que o seu medo de elevador a faz pensar duas vezes antes de sair de casa.

Apesar de viverem uma vida estritamente solitária, Martin e Mariana não eram tão sozinhos assim. Os dois vêm de relacionamentos recentemente terminados e estão naquela fase em que desejam (inconscientemente) conhecer novas pessoas, mas ainda estão com medo e com as marcas do que viveram no passado. Ao inserirem-se novamente no grande mundo, numa cidade de 3 milhões de habitantes, voltamos à pergunta inicial do cartaz de “Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual”: como encontrar o amor?

Isso fica ainda mais difícil em se tratando de duas personalidades extremamente introvertidas. Isso fica ainda mais difícil quando consideramos o fato de que, atualmente, nosso mundo é virtual, passado em frente às telas de computadores, smartphones e tablets, construindo relacionamentos que são mais virtuais do que reais. O filme escrito e dirigido por Gustavo Toretto faz um retrato muito interessante sobre a nossa sociedade atual. A verdade é que deixamos de perceber o mundo ao nosso redor e, principalmente, as pessoas que fazem parte do nosso dia a dia. Para nós, é mais confortável estabelecer um relacionamento com uma máquina, de uma forma totalmente impessoal; do que um relacionamento real - e isso também é uma forma de nos defendermos de decepções e do sofrimento.

Retornando à pergunta que move “Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual”, é interessante também perceber a metáfora utilizada por Gustavo Toretto. Para o diretor e roteirista, encontrar o amor, hoje em dia, é uma tarefa difícil, é quase como tentar achar Wally no livro “Onde Está Wally?”. Porém, a maior constatação que tiramos do longa é que, apesar de “Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual” ser um filme feito em 2011, a obra continua atualíssima e nos faz refletir sobre algo que é tão simples, entretanto muito maior: deixemos de ficar vidrados nas telas, passemos a olhar o mundo ao nosso redor, porque o seu grande amor pode estar ao seu lado e você nunca percebeu isso antes.

4 comments

  1. Paulo Ricardo 23 Abril, 2014 at 03:16 Responder

    Esse filme argentino é lindo e muito atual.Fala da nossa geração que evita relacionamentos,presos na internet,imaturos(Martin conta que já “zerou” o jogo de futebol do playstation diversas vezes) e um filme humano.Não se tem julgamentos dos erros dos protagonistas,mas uma análise de suas vidas. A Buenos Aires “cinzenta”,o excesso de publicidade nas ruas e relacionamentos passageiros(ele com uma moça que leva os cães para passear e ela com um rapaz da natação).Gosto em especial da homenagem a Woody Allen na obra prima “Manhattan” e concordo que achar o amor hoje em dia é uma tarefa dificil.

    • Kamila Azevedo 24 Abril, 2014 at 00:28 Responder

      Paulo, verdade, o filme faz uma análise da vida desses personagens e da nossa sociedade atual sem fazer qualquer tipo de julgamento sobre os fatos apresentados.

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