Malévola

“Malévola”, filme dirigido por Robert Stromberg, veio para quebrar os padrões dos estúdios Disney. Ao contrário do habitual, em que temos o relato das histórias de princesas que encontram o amor verdadeiro e lições de vida em meio aos obstáculos de sua rotina diária; temos, dessa vez, o retrato da história de uma icônica vilã oriunda do conto “A Bela Adormecida”, de autoria dos irmãos Grimm - história adaptada pelo próprio Walt Disney em 1959.

Na forma como nos é mostrada pelo roteiro escrito por Linda Woolverton, Malévola (Angelina Jolie) é o produto direto do meio em que vive. Vivendo numa floresta pacífica do reino, com uma existência bastante bucólica, a sua vida se transforma quando ela conhece Stefan (Sharlto Copley). Os dois se vêem envolvidos num relacionamento, entretanto a ambição de Stefan o leva diretamente ao Rei Henry (Kenneth Crannan) e sua filha, a Princesa Leila (Hannah New).

Abandonada, Malévola se transforma na criatura abominável que os irmãos Grimm retratam em “A Bela Adormecida”. Sua floresta, que antes era pacífica, se torna sombria e um reflexo da dor e da raiva que dominam a sua protetora. Seu coração, que antes era dado a atos bondosos, se transforma em impiedoso. Seu desejo de vingança a leva a jogar sobre a Princesa Aurora (Elle Fanning) um feitiço que diz que ela será picada por um fuso quando chegar ao seu 16º aniversário, sendo confinada a um sono profundo até ser despertada por um beijo de amor verdadeiro.

“Malévola" veio mesmo para quebrar os padrões dos estúdios Disney; assim como, em 2002, “Encantada”, filme dirigido por Kevin Lima, sacudiu os paradigmas desse tradicional estúdio. Os dois filmes possuem muitas semelhanças. A começar pelo fato de contarem histórias clássicas por um ponto de vista diferente, tentando atualizá-las para o nosso mundo corrente, em que a ideia do amor verdadeiro, da bondade e inocência ao extremo e da presença sempre constante do mal são vistas com um cinismo e ceticismo que chegam, também, a surpreender.

As semelhanças alcançam seu ápice quando analisamos os trabalhos de suas respectivas atrizes principais. Em “Encantada”, Amy Adams consegue colocar de uma maneira palpável a ideia de que os valores emulados na figura de uma princesa não estão fora de moda e precisam ser passados de uma geração para outra. Já em “Malévola”, Angelina Jolie consegue, por meio de uma performance extremamente competente, transformar uma vilã em alguém humana, que tem os seus próprios conflitos e que encontra no amor a sua perdição e a sua redenção, num processo de transformações profundas.

“Malévola" é um filme que veio para quebrar os padrões dos estúdios Disney, principalmente ao nos mostrar que o amor verdadeiro pode ser assumido de diferentes formas, basta que você se deixe levar por esse sentimento, sem qualquer tipo de medo. E não existe nada mais atual do que isso!

8 comments

  1. Otávio Almeida 24 junho, 2014 at 14:09 Responder

    Ainda não vi. O ‘Hollywoodiano’ está em Relacionamento Sério com a Copa do Mundo.
    Mas farei isso nesse fim de semana, eu acho. Depois de Brasil x Chile, claro.
    Ah, e lendo seu texto, pergunto: Onde está esse Kevin Lima?

    Bjs!

    • Kamila Azevedo 24 junho, 2014 at 23:29 Responder

      Otávio, também estou vidrada na Copa do Mundo, deixando um pouco de lado o cinema. Não sei por onde anda o Kevin Lima!

  2. alan raspante 9 julho, 2014 at 21:13 Responder

    Disney estava precisando mesmo se… “atentar” (??), ou melhor: se atualizar. Também, né? O estúdio teve tantas frustrações. Estava precisando de algo que levantasse a moral, rs

  3. Clóvis Tayllon 5 agosto, 2014 at 23:16 Responder

    Achei válida a tentativa da Disney de reinterpretar essa trama, mas achei a direção do Stromberg TÃO sem personalidade. O roteiro contém algumas ideias bastantes interessantes, mas peca por uma falta maior de coesão e chega um momento que o alívio cômico das três fadas cansa um pouco. Porém, a Angelina Jolie está extraordinária e a Elle Fanning é uma gracinha como Aurora.

    Nota: 7,0

    Abraços!

    • Kamila Azevedo 6 agosto, 2014 at 00:27 Responder

      Clóvis, discordo em relação à direção do Stromberg. Gostei do trabalho dele na direção. Discordo também em relação à falta de coesão do roteiro. Acho que a história foi muito bem conduzida. Concordamos em relação à Angelina Jolie e Elle Fanning.

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