Ernest & Célestine

Indicado ao Oscar 2014 de Melhor Filme de Animação, “Ernest & Célestine”, longa francês dirigido por Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner, fala sobre uma amizade improvável, mas cujo nascimento é muito bonito de se ver. Durante o primeiro ato dessa obra, quando Célestine (dublada por Mackenzie Foy na versão inglesa) ainda está na escola, a professora já alerta os seus alunos, de uma forma muito sisuda e forte, que a amizade entre os ursos e os ratos só acontece no mundo de fadas.

No mundo real, em que se passa a animação francesa, os ursos vivem na superfície do mundo; enquanto os ratos vivem sujeitos ao mundo subterrâneo e só podem dar as caras no mundo habitado pelos seus colegas do reino animal quando eles aparecem para confirmar a lenda da “ratinha do dente”, aquela que recolhe os dentes caídos dos pequenos ursos e os oferece em troca uma moedinha que vem para marcar essa experiência.

Era preciso que, para quebrar esse paradigma, tivéssemos dois personagens diferentes e, por quê não, especiais. Ernest (dublado por Forest Whitaker na versão inglesa) é um urso barulhento, músico e que vive das palhaçadas e das trapalhadas nas quais se mete. Enquanto que Célestine desafia todas as regras do seu próprio mundo, pois, com sua vocação para desenhista, ela não se encaixa em nenhuma das tarefas as quais ela deveria desempenhar quando crescesse.

São esses dois personagens solitários que irão provar que a amizade entre os ursos e os ratos também era possível de acontecer no mundo real. O contato entre eles revela uma série de valores importantes para os pequenos, como a importância de ajudarmos uns aos outros, de respeitarmos as nossas diferenças e de que a boa convivência pede, sim, uma boa dose de sacrifício - de todos. “Ernest & Célestine” nos mostra tudo isso por meio de muita fofura, de um tipo de desenho gráfico que não é comum, mas que faz com que a gente enxergue esses seres com toda a verdade que eles emanam. Por isso mesmo, esse filme é uma obra pra lá de genuína!

2 comments

  1. Amanda Aouad 22 novembro, 2014 at 02:30 Responder

    Também fiquei encantada, gosto muito como eles passam a mensagem da necessidade de tolerância entre raças. Aquela parte final com os acontecimentos em paralelo na superfície e no subsolo é muito boa.

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