Selma: Uma Luta pela Igualdade

Quando a Lei dos Direitos Civis foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos, em 1964, pondo um fim à segregação racial no país, com certeza, o Dr. Martin Luther King, uma das personalidades que mais lutou por isso, sabia que a batalha estava muito longe de chegar ao fim. Pelo contrário, ela estava apenas começando. O filme “Selma: Uma Luta pela Igualdade”, dirigido por Ava DuVernay, retrata o esforço empreendido pelo Dr. King (David Oyelowo, em performance indicada ao Globo de Ouro 2014 de Melhor Ator num Filme de Drama) e pelos seus liderados em prol do direito dos cidadãos negros poderem se registrar como votantes – naquilo que culminaria na Lei dos Direitos de Voto de 1965, que foi um verdadeiro marco na história dos Estados Unidos.

Selma é uma cidade localizada no Estado do Alabama (um dos mais preconceituosos contra os negros naquela época) e foi escolhida por Martin Luther King como o palco principal para diversos atos de manifestações (pacíficas e violentas) em favor da luta por um direito básico de qualquer cidadão: o de poder escolher os seus representantes, aquelas pessoas que vão brigar nas casas legislativas e nos cargos públicos pelos nossos interesses. Na cena que é um dos ápices vistos em “Selma: Uma Luta pela Igualdade”, vemos uma passeata que reúne pessoas de diferentes raças, credos e culturas, numa representação perfeita daquilo que o então presidente Lyndon B. Johnson dizia que “não era um problema dos negros, do sul, do norte. E sim, um problema que afeta todos os americanos”.

“Selma: Uma Luta pela Igualdade” é um filme que mexe com os nossos sentimentos e que, principalmente, nos faz refletir sobre uma grande contradição na história dos Estados Unidos. Como um país construído em cima de valores que exaltam a liberdade e a coragem dos seus pioneiros pôde permitir, durante um determinado período de sua história, que os negros sofressem tal tratamento? Por quê foi preciso que pessoas como Martin Luther King chamassem a atenção para algo que parece ser tão natural, uma vez que todos nós somos iguais perante a lei, sem qualquer distinção de raça, classe social ou credo? Por quê foi preciso ocorrer tantos tumultos, tantas mortes, tanta gente ferida para que os governantes daquela época (representados aqui pelos personagens interpretados por Tom Wilkinson e Tim Roth) abrissem os olhos para a importância dessa questão?

Mas, talvez, a pior constatação que “Selma: Uma Luta pela Igualdade” faz é que Martin Luther King estava completamente correto e que a luta dos negros (ou daqueles que fazem parte das chamadas minorias) é diária. Ao receber o Oscar 2015 de Melhor Canção Original pela belíssima “Glory”, o rapper Common fez a seguinte afirmação: “Selma é agora. A luta pela justiça acontece agora.” Por isso mesmo, o papel mais importante do filme fortíssimo de Ava DuVernay é fazer com que essas mesmas minorias percebam que, para as verdadeiras transformações acontecerem, é preciso ter a coragem necessária para não abaixar a cabeça diante das adversidades e ter a abnegação para lutar por aquilo que é certo, em união. Afinal de contas, já dizia o Pink Floyd, na maravilhosa “Hey You”: “juntos, nós resistimos. Divididos, nós caímos”.

Indicações ao Oscar 2015
Melhor Filme
Melhor Canção Original – “Glory” (John Legend e Common) – VENCEDOR!!!

4 comments

  1. Reinaldo Glioche 5 abril, 2015 at 20:14 Responder

    Belíssimo filme que, a despeito de algumas imprecisões históricas, é, como vc bem disse, um atestado dessa lua diária das minorias e de como ela deve ser observada com a merecida atenção por toda a sociedade. David Oweloyo é paranormal aqui!
    Bjs

    • Kamila Azevedo 5 abril, 2015 at 22:29 Responder

      Reinaldo, a atuação do David Oyelowo é excelente aqui, mas eu confesso que não sei mesmo se ele teria espaço na lista do Oscar. Acho que muita gente boa ficou de fora da lista, como ele e o Jake Gyllenhaal.

Deixe uma resposta