Cena da Semana: "Diana"

("Diana" [2013] - diretor: Oliver Hirschbiegel)

É certo dizer que Diana Frances Spencer, conhecida como Lady Di ou como a "Princesa do Povo", foi o último grande símbolo célebre mundial. Perseguida por paparazzi por onde quer que passasse, ela se tornou uma espécie de mártir para aqueles que lutam contra a invasão de privacidade em suas vidas. Uma luta que já começa injusta, diga-se de passagem, com o fraco - e covarde - argumento de que pessoas públicas devem satisfação dos seus passos ao cidadão comum.

Seguindo essa linha de raciocínio, podemos dizer, então, que "Diana", filme dirigido por Oliver Hirschbiegel, é uma última tentativa para invadir a privacidade da sua personagem principal (interpretada por Naomi Watts). O roteiro do filme, escrito por Stephen Jeffreys (tendo como base o livro de Kate Snell), fala sobre o relacionamento de Lady Di com aquele que pode ser considerado como o seu último – e grande – amor, o cirurgião paquistanês Hasnat Kahn (interpretado por Naveen Andrews, conhecido pelo papel no seriado “Lost”).

Dessa maneira, o filme de Oliver Hirschbiegel trata sobre os conflitos principais que estavam presentes na vida da princesa, naquele momento, como a constante vigilância do Palácio de Buckingham, que controlava a sua vida ferrenhamente e o desejo de Diana por ter o máximo possível de normalidade na sua vida (o que era praticamente impossível devido ao seu status de realeza). Ao mesmo tempo, a obra trata sobre aquele que era o grande obstáculo para a concretização do amor entre Diana e Hasnat, uma vez que ele se preocupava muito com a possibilidade de se transformar, também, numa celebridade mundial – coisa que ele não queria.

Se colocasse o seu foco nas pessoas, principalmente, no caráter peculiar do romance entre Diana e Hasnat, talvez o filme de Oliver Hirschbiegel pudesse fazer jus a uma mulher que, no fundo, só queria receber o amor que ela tanto oferecia aos outros. O problema é que “Diana” perde esse fio da meada ao colocar também, no mesmo primeiro plano, o trabalho social desenvolvido pela princesa, especialmente no que diz respeito à questão das minas terrestres. Isso que acaba, com o perdão do trocadilho, minando o filme, cena após cena.

2 comments

  1. Alex Gonçalves 13 Abril, 2015 at 01:26 Responder

    Olha, eu gosto dos trechos em que são encenados os trabalhos sociais de Lady Di, são os melhores momentos do filme junto com aquela cena inicial maravilhosamente concebida por Oliver Hirschbiegel. O grande problema do filme, e ele é gravíssimo, está no fato do roteiro se basear nos mexericos mais fajutos para narrar os últimos anos da personagem, além do fato de evidenciar mais do que tudo o seu romance Hasnat Kahn. Sem dizer que o comentário crítico sobre o modo como a vida privada de uma pessoa pública é escancarada pelos paparazzi acaba sendo totalmente ignorado no decorrer dos acontecimentos. É um verdadeiro desperdício, pois Naomi Watts era a atriz perfeita para viver Diana. Agora é esperar para que o tempo possibilite um novo registro cinematográfico sobre ela com uma atriz à altura.

    • Kamila Azevedo 14 Abril, 2015 at 00:17 Responder

      Alex, concordo, de uma certa maneira, com o seu comentário. Apesar de eu achar que o que se encontra fora da proposta é justamente o trabalho social de Diana.

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