Life Itself: A Vida de Roger Ebert

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Existem certas pessoas que se tornam referência naquilo que fazem. Na crítica de cinema, Roger Ebert foi um deles. Sua importância passa pela maneira pessoal como ele escrevia sobre os filmes que assistia e alcança seu ápice quando se constata o fato de que ele foi o único nesse segmento jornalístico a ter vencido um prêmio Pulitzer (o mais importante do Jornalismo). Não bastasse isso, Roger Ebert ainda foi um exemplo de perseverança e superação nos últimos anos de sua vida, pela maneira como enfrentou a batalha contra um câncer que o impediu de se comunicar verbalmente.

Ao assistirmos ao documentário “Life Itself: A Vida de Roger Ebert”, de Steve James, que nos aproxima um pouco dessa luta difícil que Roger travou nos seus últimos anos, é certo dizer que foi o amor pelo jornalismo, pela vida e, principalmente, pelo cinema que lhe deu uma sobrevida, que o fez ter forças para seguir adiante. Nesse sentido, seu site – que é mantido com devoção pela esposa Chaz Ebert –, com suas críticas e suas publicações no blog que manteve até dois dias antes de desencarnar e que, hoje, é atualizado com textos de críticos de cinema de gerações mais recentes é o seu grande legado, a prova maior da influência que ele exerceu em termos de cultura cinematográfica.

O documentário em si nos mostra toda a trajetória de Roger Ebert, desde o início de sua paixão pelo jornalismo; a transição para a crítica cinematográfica, em 1967; a sua paixão – e fidelidade – à cidade de Chicago; a sua parceria – nem sempre harmoniosa – com Gene Siskel (com quem ele apresentou um programa semanal com discussões sobre cinema por 24 anos); o encontro com Chaz (a mulher pela qual ele esperou toda a sua vida); e a maneira como Ebert conseguiu transpor a barreira do crítico “arrogante”, passando a se transformar numa pessoa com bom relacionamento (até próximo demais, de acordo com os seus desafetos) com os profissionais da indústria cinematográfica.

“Life Itself: A Vida de Roger Ebert” é um filme obrigatório para quem gosta de cinema. Mais ainda para quem, como eu, se dedica a escrever sobre a sétima arte. Roger Ebert escrevia mais de 200 críticas de filmes, por ano. Seu estilo definiu toda uma geração de jornalistas que enxergam nele um exemplo a ser seguido. Ebert provou que o cinema, mesmo aquele considerado de arte, pode ser acessível à boa parte da população. O espaço que ele e Gene Siskel possuíam, semanalmente, na rede pública de televisão, atingindo milhões de norte-americanos, para falar e discutir sobre cinema, nunca poderá ser ignorado. O cinema não foi feito somente para tocar, divertir, emocionar e falar com as pessoas. A função maior da sétima arte é nos ajudar a entender a cultura e a sociedade na qual estamos inseridos. Com seus textos pessoais e sinceros, com certeza, Roger Ebert ajudou a cumprir esse papel.

Life Itself: A Vida de Roger Ebert (Life Itself, 2014)
Direção: Steve James
Com: Roger Ebert, Werner Herzog, Ava DuVernay, Errol Morris, Martin Scorsese, Ramin Bahrani, Gene Siskel, Chaz Ebert, Gregory Nava, A.O. Scott, Richard Corliss

3 comments

  1. Amanda Aouad 4 agosto, 2015 at 02:09 Responder

    “Life Itself: A Vida de Roger Ebert” é um filme obrigatório para quem gosta de cinema.” Endosso. E como você também disse, para quem quer seguir o ofício da crítica é ainda mais obrigatório. Um exemplo não apenas de profissional, como de ser humano.

  2. Reinaldo Glioche 4 agosto, 2015 at 02:30 Responder

    Bela crítica. Um filme obrigatório para quem gosta de cinema e recomendável para todos aqueles dispostos a terem contato com um ser humano extraordinário que, apoiado em sua grande paixão, perseverou diante das adversidades. Uma vida, por que não, cinematográfica. O filme só faz jus a ela.
    bjs

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