Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo

publicado em:7/09/16 11:14 PM por: Kamila Azevedo Cinema

Parece até uma história digna de filme. No último dia 09 de julho, quase sete meses após perder o cinturão da categoria de peso pena para aquele que é seu grande rival, o lutador irlandês Conor McGregor, o lutador brasileiro José Aldo Junior conquista a glória novamente, após ganhar o cinturão, ainda que interino, desta categoria, em luta contra o norte-americano Frankie Edgar. Não sou de assistir às lutas de UFC, mas, quem conhece bem o esporte, afirma: Aldo mostrou, nessa luta, o MMA da sua época áurea, em que ele era considerado um dos astros do UFC. Na oportunidade, José Aldo Junior ainda demonstrou toda a sua gratidão ao técnico Dedé Pederneiras, a quem credita todo o sucesso que ele conquistou.

Mas era uma história digna de filme! Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo Junior, filme dirigido e escrito por Afonso Poyart, está há quase um mês nas salas de cinema do Brasil contando a história dele, José Aldo Junior (interpretado por José Loreto), que foi nascido e criado em Manaus, cidade que deixou para trás quando, com o apoio do pai, viajou ao Rio de Janeiro em busca de uma oportunidade para se transformar naquilo que ele sempre desejou ser: um grande lutador, um herói do esporte!

É interessante perceber a maneira como Afonso Poyart retrata a trajetória de José Aldo, mostrando como a raiva esteve sempre presente dentro dele mesmo, como se fosse a grande força motriz por trás de todos os seus atos. Esse sentimento de revolta está presente em José Aldo quando ele encontra-se diante da truculência de seu pai, José (Jackson Antunes), que, além de alcóolatra, era um marido extremamente abusivo. Esse sentimento de revolta está presente em José Aldo quando ele se depara com a condição extremamente pobre na qual ele foi criado, sem qualquer perspectiva de crescimento. Esse sentimento de revolta está presente em José Aldo até mesmo diante de brincadeiras com os amigos (seu passatempo favorito era dar uma porrada com uma tábua nos transeuntes, enquanto ele passava de carro com seus parceiros).

Se José Aldo tinha inúmeros fantasmas em seu passado, de forma a que ele pudesse se transformar num vencedor, era necessário que ele deixasse tudo isso para trás. É aí que entra a figura de Dedé Pederneiras (interpretado por Milhem Cortaz) em sua vida. Quando chega no Rio de Janeiro, é na academia de Dedé que José Aldo encontra um lar, um emprego e uma oportunidade de lapidar o seu dom para a luta, de dominar a sua raiva e de canalizá-la em prol de algo positivo dentro do ringue. É certo dizer que, se José Aldo Junior se transformou no grande nome que ele é hoje, isso se deve ao trabalho feito por Dedé Pederneiras. Por isso toda a gratidão que ele possui ao seu técnico, como demonstrado no início de nossa resenha crítica.

Em Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo, Afonso Poyart confirma os elementos principais do seu cinema: a edição estilizada e o excesso no uso de câmeras lentas. Mas, aqui, o diretor abusa dos simbolismos para mostrar as diversas motivações que José Aldo Junior tinha para lutar. O resultado é um filme que funciona, até mesmo para aquelas pessoas como eu, que não têm o mínimo de familiaridade com o MMA ou o UFC. E é justamente essa a grande vitória de Poyart, com esse filme: universalizar o apelo de uma história de vida como a de José Aldo.

Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo (2016)
Direção: Afonso Poyart
Roteiro: Afonso Poyart (com a colaboração de Marcelo Aleixo Machado)
Elenco: José Loreto, Cleo Pires, Milhem Cortaz, Romulo Neto, Claudia Ohana, Paloma Bernardi, Robson Nunes, Felipe Titto, Jackson Antunes, Thaila Ayala, Rafinha Bastos



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária



Comentários


Brasileiro fazendo filmes para norte-americanos, talvez esteja enganado, mas é esse a percepção que tenho dessa pelicula.

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Cassiano, não sei se é filme para americano ver, mas a obra é interessante e tem apelo, mesmo para quem não gosta de UFC, como eu.

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o filme parece ser melhor do que se espera. também não sou o maior fã de UFC, mas a história tem o seu apelo. ainda não tive a oportunidade de assistir, mas está na lista.

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Concordo com a análise do Museu do Cinema:Brasilero fazendo filme para americano.Mas não tenho dúvidas que Afonso Poyart tem talento e vai fazer uma bela carreira no cinema.

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