Extraordinário | Resenha Crítica

publicado em:19/12/17 10:19 PM por: Kamila Azevedo Cinema

Baseado no livro escrito por R.J. Palacio, Extraordinário, filme dirigido e co-escrito por Stephen Chbosky, nos conta uma história inspiradora e que vai servir como exemplo para muitas crianças e jovens que lidam, diariamente, com a percepção de serem vistos – e tratados – como diferentes pelos outros. August “Auggie” Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto que nasceu com uma doença craniofacial congênita. Em decorrência disso, desde cedo, aprendeu a ter uma vida um tanto solitária, na medida em que seu contato com o mundo exterior era restrito aos seus pais (Julia Roberts e Owen Wilson) e à única amiga (Danielle Rose Russell) que sua irmã (Izabela Vidovic) tinha.

Após anos sendo educado em casa pela mãe, quando Auggie chega ao quinto ano do colégio, os pais decidem que é chegado o momento do filho ingressar numa escola, tendo contato com crianças de sua idade e ganhando independência no mundo exterior. Extraordinário acompanha justamente a inserção de Auggie num mundo escolar que o recebe de maneira abrupta, com estranhamento por parte dos colegas, e situações chatas como bullying e isolamento.

O filme enfoca, basicamente, a força interior e a perseverança de Auggie num ambiente que o trata de maneira muito hostil e a grande mensagem do filme reside no fato de que, apesar de entrar em contato com sentimentos como a dor e a decepção, Auggie oferece a outra face, encarando seus dias com muita resiliência e tentando transpor as barreiras que lhe são impostas com lições de humildade e de amor.

É interessante também notar que Extraordinário não se resume somente às batalhas internas e diárias vividas por Auggie. O filme nos mostra que, quando uma família enfrenta uma enfermidade como a que Auggie possui, não é só a vida dele que é afetada, a de todos acaba sendo influenciada. Então, o núcleo familiar dos Pullman gira em torno de Auggie. Por isso mesmo, a decisão muito acertada de Stephen Chbosky de utilizar um recurso narrativo que nos permite enxergar os conflitos internos de boa parte das personagens – uma pena que esse recurso não tenha sido estendido para os pais dele.

Alguns irão acusar Extraordinário de ser um filme que tem a intenção proposital de manipular as emoções da plateia. Discordo disso. A verdade é que, na maneira como foi dirigido por Stephen Chbosky, o filme nos faz sentir muita empatia por tudo o que a família Pullman vive. Mesmo que não tenhamos tido uma experiência como a de Auggie, é impossível não se colocar no lugar dele diante de tudo que ele irá passar. Mesmo percorrendo caminhos que são previsíveis, Extraordinário nos conquista por completo, sendo um longa que emociona, comove e nos faz perceber que a beleza da vida está em enxergar as pessoas pelo que elas são – sem máscaras, sem primeiras impressões, sem influências de aparências. Sem dúvida, um filme obrigatório para todas as idades!

Extraordinário (Wonder, 2017)
Direção: Stephen Chbosky
Roteiro: Stephen Chbosky, Steve Conrad e Jack Thorne (com base no livro de autoria de R.J. Palacio)
Elenco: Jacob Tremblay, Owen Wilson, Izabela Vidovic, Julia Roberts, Noah Jupe, Bryce Gheisar, Elle McKinnon, Danielle Rose Russell, Nadji Jeter

Avaliação/Nota

Nota
9.0

Média Geral



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária


Comentários


É um filme genuinamente emocionante, também concordo que ele não manipula emoções de maneia gratuita. E é verdade, poderia ter o ponto de vista dos pais também, seria bom entender melhor o que passam, principalmente o pai, já que a mãe é contemplada ao falar do quando ela abdicou para cuidar do filho e que também acabou deixando de lado a filha.

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Amanda, pois é. Eu fiquei esperando o ponto de vista dos pais e ele nunca apareceu. Acho que teria enriquecido, ainda mais, o filme.

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Filme lindo! E também não acho que seja manipulador, pelo contrário: a história é muita franca já em sua proposta inicial, quando coloca um garoto tão jovem já tento que lidar com a franqueza de um mundo pouco generoso. Beijo!

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