Lady Bird: A Hora de Voar | Resenha Crítica

publicado em:8/03/18 10:52 AM por: Kamila Azevedo Cinema

Uma vez eu li uma entrevista em que um pai falava que os filhos são como balões; chega uma hora em que eles começam a voar pelo mundo, por conta própria, e os pais têm que estar preparados para isso. Não sei se é uma simples coincidência, mas me lembrei muito dessa frase quando assisti a Lady Bird: A Hora de Voar, filme dirigido e escrito por Greta Gerwig. Neste longa, acompanharemos a história de Christine “Lady Bird” McPherson (Saoirse Ronan, numa performance indicada ao Oscar 2018 de Melhor Atriz), uma jovem que está no último ano do colegial e que tem uma ambição que é comum a muitos adolescentes norte-americanos: a de que possam cursar uma faculdade o mais longe possível da cidade que eles consideram como seu lar.

Na verdade, Lady Bird: A Hora de Voar é muito mais do que um filme sobre esse desejo da sua personagem. O longa, na realidade, fala sobre relacionamentos familiares (especialmente os que ocorrem entre uma mãe e sua filha); sobre a descoberta e a vivência do primeiro amor; sobre a vontade de pertencer a algo; sobre as transformações pelas quais passamos, ao longo de nossas vidas; e, principalmente, sobre como as nossas amizades e experiências acabam nos moldando. Lady Bird aprenderá que nem sempre as coisas acontecem da maneira como a gente quer, que muitas vezes a gente gostaria de viver sob circunstâncias diferentes, porém são justamente esses detalhes que compõem a sua jornada e o seu crescimento pessoal.

É compreensível perceber o por quê de Lady Bird ter uma atitude tão confusa sobre si mesma. Nascida numa família que vive constantemente em dificuldades financeiras, com uma criação um tanto dura por parte da sua mãe (Laurie Metcalf, numa performance indicada ao Oscar 2018 de Melhor Atriz Coadjuvante) e um pai (Tracy Letts) extremamente amoroso; Lady Bird estuda num colégio tradicional católico, onde não encontra vazão para os seus pontos fortes, para a sua vontade de se expressar. Ela acha que a solução para a vida dela é fugir da cidade onde ela nasceu e cresceu e acredita que é dessa maneira que as pessoas vão enxergar seu verdadeiro valor.

Os conflitos que vemos serem desenhados em Lady Bird: A Hora de Voar são extremamente reais. É um filme sobre gente como a gente. Chama a atenção na obra a maneira linda como a jornada de Lady Bird está intrinsecamente ligada à mãe dela e, principalmente, ao relacionamento entre as duas. E é muito bonito de se ver que é preciso Lady Bird se afastar de sua zona de conforto para ela compreender tudo que ela viveu ao longo de sua vida e quem ela realmente é de verdade. Lady Bird: A Hora de Voar é um filme sobre uma jornada de autodescoberta, tendo como base o amor e cuidado parental. Nem sempre compreenderemos as vontades de nossos pais, mas o filme nos deixa com uma certeza: eles sabem o que fazem – mesmo que isso nos doa muito! E, se o fazem, é porque nos amam MUITO!

Lady Bird: A Hora de Voar (Lady Bird, 2017)
Direção:
Greta Gerwig
Roteiro: Greta Gerwig
Elenco: Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Lucas Hedges, Timothée Chalamet, Beanie Feldstein, Lois Smith, Stephen Henderson

Indicações ao Oscar 2018
Melhor Filme
Melhor Atriz – Saoirse Ronan
Melhor Atriz Coadjuvante – Laurie Metcalf
Melhor Direção – Greta Gerwig
Melhor Roteiro Original – Greta Gerwig

Avaliação/Nota

Nota
9.5

Média Geral



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Kamila Azevedo

Jornalista e Publicitária


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