>O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, 2007)
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“O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford”, filme do diretor e roteirista neozelandês Andrew Dominik, é um daqueles casos em que você assiste ao longa já sabendo o que irá acontecer. Você tem idéia de que alguém será assassinado. Você sabe quem será a vítima e quem é o responsável pelo crime. No entanto, isso não estraga de maneira alguma a obra, já que a trama da película prefere colocar o foco na construção dos personagens – em especial da dupla destacada no título – e em como as escolhas feitas por eles irão afetar suas respectivas vidas.
“Às vezes, eu mal consigo me reconhecer quando estou nervoso. Eu embarco em jornadas fora de meu corpo aonde eu observo as minhas mãos vermelhas e minha cara malvada e penso sobre este homem que escolheu um caminho tão errado. Eu tenho me tornado um problema para mim mesmo”.
Jesse James (Brad Pitt) é o líder – ao lado do irmão mais velho Frank (Sam Shepard) – de um lendário grupo de foras-da-lei (fazem parte da gangue os atores Sam Rockwell, Garret Dillahunt, Paul Schneider e Jeremy Renner). Ele rouba dos ricos para dar aos pobres. É figura procurada pelos governantes e policiais. É o esposo de Zee (Mary-Louise Parker) e o pai ausente de Mary (Brooklynn Proux) e Tim (Dustin Bollinger). Homem, ao mesmo tempo, admirado e temido, mas que desperta naqueles que fazem parte de seu círculo mais próximo um respeito enorme. É capaz de reconhecer a traição de longe e esconde muito bem todos os seus medos por trás de uma persona forte.
“Eu fui um ninguém toda a minha vida. Eu era o caçula; eu era aquele a quem eles faziam promessas que nunca cumpriam. E, desde que eu me entendo por gente, Jesse James é tão grande quanto uma árvore. Eu estou preparado para isto, Jim. E eu vou conseguir. Eu sei que eu só vou ter esta única oportunidade e você pode apostar a sua vida que eu não vou estragá-la”.
Robert Ford (Casey Affleck, numa performance que lhe rendeu uma indicação ao Oscar 2008 de Melhor Ator Coadjuvante) é um jovem de 19 anos e que tem um grande ídolo: Jesse James. Seu irmão mais velho, Charley (o já citado Sam Rockwell), faz parte da gangue dos irmãos James e realiza um constante lobby para que Bob possa também ser integrante do grupo. De personalidade introvertida, Robert é um ser extremamente observador e tem o desejo de ser tão famoso quanto Jesse. Poderá obter isso se conseguir colocar em prática seu plano de assassinar aquele a quem tanto admira.
Podemos dizer que “O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford” é um filme que fala muito a respeito do que é ser uma celebridade, alguém que inspira nos outros sentimentos contrastantes de heroísmo e vilania. No entanto, o que o roteiro de Andrew Dominik nos mostra é que até mesmo os heróis têm seu lado podre e, quando isso está exposto de forma clara, todo aquele fascínio vem por água abaixo – e é isso que leva Robert Ford a tomar a decisão a qual o título do filme faz referência.
No entanto, mais do que ser uma obra sobre pessoas célebres, “O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford” é um filme sobre o peso que as escolhas que fazemos possuem na edificação daquilo que somos. Quando encontramos Robert Ford pela primeira vez, ele é um jovem impetuoso, movido por uma arrogância – ainda – sadia. Quando o vemos no final do longa, Bob é um homem que carrega em suas costas o peso daquilo que fez e que tem a sabedoria para analisar friamente as razões por trás de seu ato e como isso só lhe trouxe infelicidade.
Poderíamos ficar aqui escrevendo linhas e linhas sobre a genialidade do roteiro de Andrew Dominik (que teve como base o livro de Ron Hansen). A necessidade que ele tem de colocar tudo em pratos limpos, mostrando razão e conseqüência, pode fazer com que muitos acreditem que “O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford” é um filme longo e cansativo. Pelo contrário, para aquilo que ele quer alcançar, os 160 minutos de narrativa são mais do que necessários. Além de ser um roteirista talentoso, o que o neozelandês revela é que também é um diretor de muitos recursos. Seu filme é muito sofisticado e se apóia num trabalho excelente por parte da equipe técnica, com destaque para a edição de Curtiss Clayton e Dylan Tichenor, a fotografia de Roger Deakins, a direção de arte de Troy Sizemore e Janice Blackie-Goodine e a trilha sonora de Nick Cave e Warren Ellis.
Cotação: 9,5
O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, EUA, 2007)Diretor(es): Andrew Dominik
Roteirista(s): Andrew Dominik (com base no livro de Ron Hansen)
Elenco: Brad Pitt, Mary-Louise Parker, Brooklynn Proulx, Dustin Bollinger, Casey Affleck, Sam Rockwell, Jeremy Renner, Sam Shepard, Garret Dillahunt, Paul Schneider, Joel McNichol, James Defelice, J.C. Roberts, Darrell Orydzuk, Jonathan Erich Drachenberg
[…] próprio ritmo; bem como a atuação de Casey Affleck que, mesmo repetindo os trejeitos vistos em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, consegue transmitir bem todo o peso que existe sobre os ombros de Lee – uma pessoa que nunca […]