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Tempos de Paz

publicado em:17/11/09 10:34 PM por: Kamila Azevedo Cinema

A trama do filme “Tempos de Paz”, do diretor e produtor Daniel Filho, se passa em Abril de 1945, quando o Brasil estava envolvido na II Guerra Mundial (apesar dos combates estarem quase cessando na Europa) e o governo de Getúlio Vargas passava por uma séria crise política. Nesta época, uma das medidas adotadas pelo presidente foi uma anistia a todos os presos políticos. Ao mesmo tempo, o Brasil ainda servia de abrigo para pessoas de origem judaica que estavam saindo de seus países de origem (especialmente aqueles que estavam sendo atacados pelo regime nazista, que, não custa nada lembrar, era admirado por alguns dos membros da equipe política de Vargas) em busca de um lugar seguro, aonde pudessem conviver em paz e serem, principalmente, respeitados como pessoas. 

Os personagens principais de “Tempos de Paz” são uma representação fiel desta realidade em transformação. De um lado, temos Segismundo (Tony Ramos), que trabalha como Chefe da Alfândega do Rio de Janeiro, recebendo os imigrantes que chegam diariamente ao Brasil. Do outro, temos o ator Clausewitz (Dan Stulbach), um judeu polonês que procura abrigo no nosso país e, quem sabe, um recomeço na vida, agora, na profissão de agricultor. Era para Clausewitz entrar tranquilamente no Brasil, o porém é que ele é reconhecido por uma senhora, que o acusa de ser um nazista fugitivo. É assim que ele vai parar em uma das salas da alfândega e será submetido a um criterioso depoimento – que será supervisionado por Segismundo. 

As cenas que se passam na sala da alfândega onde Clausewitz está sendo interrogado fazem parte dos momentos mais inspirados de “Tempos de Paz”. Nelas, encontramos o contraste entre um homem de aparência dura, a qual, na realidade, esconde o medo dele de receber retaliações das pessoas que torturou durante o regime de Vargas – antes de ir parar na Alfândega, Segismundo era um torturador da polícia política de Getúlio; e um outro homem que encarou a oportunidade de recomeçar em outra terra (porque, sinceramente, ele não tinha outra opção) abraçando novos desafios, quando, na verdade, ele já sabe o que quer ser e, principalmente, quem ele é – isso só estava escondido por baixo de todo o sofrimento pelo qual ele passou e das lembranças que isso trazia à tona. 

Baseado na peça de autoria de Bosco Brasil (o qual fez a adaptação para o cinema), “Tempos de Paz” é, talvez, até agora, o projeto mais ambicioso de Daniel Filho como diretor e encontra seu grande trunfo na dupla de atores principal. Tanto Tony Ramos como Dan Stulbach conhecem os seus personagens muito bem, afinal encenaram a peça teatral durante certo período. Chega a ser lindo ver, em certos momentos, Dan Stulbach exercer sua arte – até porque é utilizando o seu talento de ator que Clausewitz tem que convencer Segismundo de que seu lugar é mesmo no Brasil. 

Cotação: 6,5

Tempos de Paz (2009)
Diretor: Daniel Filho
Roteiro: Bosco Brasil (baseado em peça de sua autoria)
Elenco: Tony Ramos, Dan Stulbach, Daniel Filho, Louise Cardoso, Ailton Graça, Bernardo Jablonski, Maria Maya, Anselmo Vasconcelos, Felipe Martins



Jornalista e Publicitária


Comentários


Acho o Dan Stulbach grande ator. Ainda não vi Tempos de paz, mas já desconfiava pelo trailer, e pelo que já havia lido – e vc corrobora isso agora, que reside nos atores a força do filme. Ainda vou conferir.
Bjs Ka!

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Cleber, pois deveria te interessar.

Reinaldo, o Dan é maravilhoso. Excelente! Beijos!

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Esse filme tá passando aqui mas a única coisa que me anima é a presença do Dan que eu adoro. Estou pensando mais seriamente em ver “À Deriva”. Se não me falha a memória vc gostou muito, não foi?

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Não sei quanto a você Kamila, mas eu, particularmente, AMO de paixão cinema nacional (a resenha atual do blog lá é de Eu Sei Que Vou Te Amar).

Como todo lugar aqui há filmes bons e ruins, acredito que o que desmotiva o brasileiro quanto a cinema, é a lavagem cerebral feita pelas novelas!

Eu não assisti esse ainda, preciso ver!

Quanto o “A Deriva” citado em cima, eu achei muito bom, Heitor Dhalia tem 3 filmes excelentes!

Abraço!

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Eu não gosto do Daniel Filho. Acho os filmes dele um tanto pobres. Mas esse aqui parece que tem dois acertos: a dupla de atores e um texto potente. Resta saber o que o diretor fez com tudo isso. Tô curioso para ver.

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Bruno S., se eu fosse você, preferia ver “À Deriva”.

Bruno G., eu AMO cinema nacional também! Não perco a chance de conferir um filme produzido no nosso país. Abraço!

Rafael Carvalho, exatamente. Você está certo em relação aos acertos desse filme.

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Oi Kamila, não vi esse filme, mas nossa, esses dois atores devem detonar hein? São dois grandes nomes do cinema e da televisão brasileira, acho que se o filme não for muito bom, vale pelos protagonistas.

E também gosto muito da Rachel McAdams, acho ela muito linda, talentosa e carismática. E acho que vai surpreender em Sherlock Holmes, assim espero né?

Beijos.
@thiagoomb @nomundoagora

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Confesso que o nome de Daniel Filho em um projeto representa, para mim, quase um repelente quando eu quero ir ao cinema. Dificilmente vejo um filme dele, e não tenho a menor curiosidade quanto a esse, embora considere Tony Ramos e Dan Stulbach dois excelentes atores. Ah, e a minha falta de interesse nada tem a ver com o fato do longa ser brasileiro. 🙂

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Kamila, eu vi a peça aqui em São Paulo há uns 4, 5 anos atrás. E gostei muito. Haviam me dito, na ocasião, que o Dan Stulbach dava um banho de atuação no Tony Ramos, mas achei que os dois estavam muito bem. Talvez digam isso porque o personagem de Stulbach seja… digamos… mais cativante, mais fácil de conquistar a plateia (não quero dizer, claro, que é fácil de interpretar).

Mas fiquei com certo receio de ver a história se alongar no cinema. E a peça é bascamente um extenso diálogo entre os dois. Vou esperar pelo DVD. Até porque já saiu de cartaz aqui.

Bjs!

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Thiago, a dupla de atores detona, sim. Beijos!

Samantha, claro! Eu entendo a sua relutância em relação ao projeto, até porque Daniel Filho tem alguns erros feios em sua carreira cinematográfica, mas eu daria uma chance a este filme.

Otavio, o Dan dá banho aqui também, apesar do Tony estar excelente! Não senti a história se alongando no cinema, pelo contrário – mas, eu não vi a peça, né? Beijos!

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Achei esse filme bem legal, apesar de não ter justificado muito o motivo de ter sido transformado de peça para filme. Grandes atuações!

Beijos!

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Realmente não esperava pelo acolhimento deste filme, pois acho o diretor medícore. Mas agora estou ansioso para assistir…

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Eu gostei do filme, claro não é uma obra de arte da melhor qualidade, mas as atuações mantém o filme de pé e com muita força.
E um filme de atores, não teria como nenhum diretor estragar.

Bjoos

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Wally, eu acho que este filme merece uma conferida.

André, concordo contigo. Beijos!

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Tive o prazer de ver esse filme na pré-estréia no RJ ao lado dos atores e diretor. Não sei se foi pelo clima mas saí com a impressão de que via um grande filme do cinema nacional… Uma belíssima homenagem ao teatro… O melhor de Daniel FIlho, rs…

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O Cara da Locadora, concordo contigo. O melhor filme do Daniel Filho. Um tributo mesmo ao ator.

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