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Um Conto Chinês

publicado em:1/05/12 11:44 PM por: Kamila Azevedo Cinema

“A vida é um grande absurdo. Nada nela faz sentido”. O protagonista de “Um Conto Chinês”, filme escrito e dirigido por Sebastián Borensztein, um veterano da Guerra das Malvinas chamado Roberto (Ricardo Darín), acredita piamente nessa ideia. E, se a gente for analisar esse personagem bem a fundo, nada nele mesmo também consegue fazer sentido. Vejamos: a rotina diária dele é quase que a repetição constante de rituais (ele dorme no mesmo horário; ele desconfia de tudo – e de todos; ele não deixa quase ninguém se aproximar dele de verdade e, principalmente, ele coleciona notícias absurdas num livrinho que guarda consigo em casa).

Neste sentido, um dos elementos mais interessantes, em “Um Conto Chinês”, é que o relato da história nos é passado de uma forma um tanto leve e divertida, afinal, se a vida é um grande absurdo, para quê levá-la a sério? Conta também a favor do diretor o fato de que o trabalho dele nunca leva o seu filme ao terreno do caricatural e do bizarro. “Um Conto Chinês” tem uma história e personagens que nos envolvem e nos fazem perceber o grande mote do longa, seja pelas situações que eles vivenciam ou pelos atos que eles tomam no decorrer dos 93 minutos de duração da obra.

Quando insere a figura de Jun (Ignacio Huang), um imigrante chinês que é encontrado por Roberto após ser jogado de um táxi e que não fala uma palavra sequer de espanhol, na vida do protagonista, o roteiro escrito por Sebastián Borensztein quer justamente nos mostrar que a vida faz, sim, sentido e que as pessoas não entram nela por acaso, que uma vaca não cai do céu por acaso e que uma foto não sai do nada na capa do jornal. Roberto precisava desse chacoalhão, até mesmo para poder enxergar muitas coisas a respeito de si mesmo.

Neste ponto, é impossível não falar do ator Ricardo Darín. Maior nome masculino da atuação argentina, Darín é um daqueles atores camaleônicos, que se transformam naqueles que estão interpretando. Sua atuação aqui é cheia, curiosamente, de vida, de compaixão, de sofrimento e de amor. E o olhar dele é de matar mesmo, como bem diz a personagem Mari (Muriel Santa Rosa). Falando particularmente de Roberto, personagem que ele interpreta aqui, o olhar dele é quase como uma súplica, como se ele quisesse acreditar mesmo em algo. E, mesmo que não saiba (ou que ainda não tenha se dado conta disso), Roberto acredita – e muito.

Cotação: 8,0

Um Conto Chinês (Un Cuento Chino, 2011)
Direção: Sebastián Borensztein
Roteiro: Sebastián Borensztein
Elenco: Ricardo Darín, Muriel Santa Rosa, Ignacio Huang, Iván Romanelli



A última modificação foi feita em:maio 13th, 2012 as 9:47 pm


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Comentários


hehe, realmente, não faz sentido, mas nos é contado de uma forma tão crível, não? Achei um filme gostoso de acompanhar, nesse encontro / desencontro dos dois. E Ricardo Darín é mesmo um grande ator.

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Dos filmes estrangeiros lançados no Brasil em 2011 esse é o meu favorito.Concordo que as repetições de Roberto(Darín) é tratado de uma maneira leve e bem humorada.Gosto da maneira que ele vai se apegando a Jun(ignacio Huang).Algumas cenas delicadas como o prazo para o chinês sair da casa dele(no momento que ele estipula os dias ele começa a chorar),quando ele estipula uma segundo prazo para saída dele(ele não apanha de um guarda graças ao chinês),ele não consegue pegar no sono(e atrapalha as manias dele).Enfim…um filme humano.Merecia uma nota maior que 8,0.O roteiro é estupendo e concordo em relação ao camaleônico Darín.Um excelente ator.

Beijos

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Amanda, sim, tudo é contado de uma forma muito crível, isso é verdade. Também achei um longa gostoso de se acompanhar, especialmente a partir do momento em que o chinês entra na história.

Paulo, dos estrangeiros lançados no ano passado, esse não é meu favorito. Mas, se trata mesmo de um filme humano. Pra você, merecia uma nota melhor porque você gostou mais do filme do que eu, mas, pra mim, essa nota está de bom tamanho. Beijos!

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2° coment.

Kamila,quando vc fechou a lista dos melhores de 2011 não tinha a categoria filme estrangeiro e perguntei qual era o seu favorito e foi o francês(e ótimo) “O Pequeno Nicolau”.No meu caso eu fiquei entre três filmes: “Em Um Mundo Melhor”(eu vi em DVD),”Um Conto Chinês”(estreou nos cinemas aqui em Volta Redonda,mas eu vi em DVD) e “A Pele Que Habito”(assisti em 2012,mas fechei a lista no final do mês de janeiro).Usei um critério simples e que vc me ensinou:Cotação.Certa vez no msn falei pra vc da dificuldade que eu tinha de fechar lista dos 5 melhores filmes(direção,ator,atriz…é mais pessoal .Não precisa de nota) e vc me deu essa dica.Agora não sei o que faço com o argentino “Medianeiras”.O filme foi lançado em 2011 e assisti em DVD esse ano.Ficou inelegivel,infelizmente.

Beijos

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O início do filme (e também o trailer) me davam uma ideia de um filme mais pastelão, mais bobão mesmo, mas depois daquela cena inicial absurda, os dramas (genuínos) dos personagens me cativaram, ganharam respeito do filme. Eu só não acho que seja assim um filme maravilhoso. Bom na sua proposta, humano, mas só. O próprio Darín está bem como sempre, mas também não vejo motivos para elevá-lo a uma grande atuação.

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A mistura de drama com bom humor é perfeita ao mostrar diferenças culturais e a dificuldade em aceitar mudanças,

Eu comparo Ricardo Darin a Robert DeNiro, são atores camaleônicos como você citou e com um talento indiscutível.

Abraço

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Paulo, coloca “Medianeras” na sua lista do ano passado. Simples assim! Beijos!

Rafael C., pois é, você foi certeiro ao dizer que os dramas genuínos e comuns desses personagens acabam nos ganhando. E entendo o resto da sua opinião sobre o filme.

Hugo, sim, esta é uma mistura que se revela perfeita mesmo! Abraço!

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Não sei pq ainda não vi esse filme. Tenho ele aqui a um tempão. Adoro o Darin e o cinema argentino. Tenho certeza q vou gostar dele, assim como vc. Vou tomar vergonha na cara e ver ainda essa semana..hehehe

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Kamila, dessa vez, vamos discordar. Para mim, “Um Conto Chinês” é um filme completamente convencional. Não vi nada demais na história… Mas, como todo o filme estrelado por Ricardo Darin, fez sucesso. Só que o melhor filme argentino recente ainda é “Medianeras”, que, infelizmente, nem foi notado perto de “Um Conto Chinês”.

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Matheus, pode discordar à vontade. Ainda não assisti “Medianeras”, que todo mundo elogia bastante. Quero muito conferir.

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Até hoje adorei todos, todos mesmo, os trabalhos de Ricardo Darín. Um Conto Chinês é apenas mais uma grande história cinematográfica argentina. Cinema argentino é show. Esta numa fase mágica.

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Acho que perdi meu coração. Digo isso por ter achado Um Conto Chinês apenas bacana. Lembro que estavam falando tão bem do filme que revi para ver se mudava de ideia. Mas não. Ainda sim, é um filme singelo e bonito, com seus momentos cômicas e atmosfera bem agradável e aconchegante. E Ricardo Darin é mesmo um achado!

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Julio, você não perdeu seu coração. Só não se sentiu tão encantado assim pelo filme e essas coisas acontecem. Também acho uma obra bastante singela e bonita. E adoro Ricardo Darín. Um grande ator!

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