Na Estrada
Baseado em um dos livros mais importantes da história da literatura norte-americana, “Na Estrada”, filme dirigido pelo brasileiro Walter Salles, tenta transpor para a grande tela toda a mitologia que envolve o livro homônimo escrito por Jack Kerouac, que foi lançado nos Estados Unidos no final da década de 50 e que influenciou toda a geração de jovens dos anos 60 – a chamada geração beat – que, assim como as personagens principais do livro, colocaram a mochila nas costas e partiram em viagens em busca de aventuras sexuais e lisérgicas ao redor dos Estados Unidos e, quiçá, do mundo.
Sal Paradise (Sam Riley) é um aspirante a escritor que mora em Nova York e que, após a morte do pai, está sofrendo de um grave bloqueio criativo. Escritores são pessoas que, notadamente, vivem da observação do mundo em que vivem e, principalmente, das pessoas que fazem parte de sua rede de relacionamentos – de forma que eles possam tirar deles a inspiração que eles precisam para compor as suas histórias. É nesse momento crucial de sua vida que Sal conhece a figura enigmática que é Dean Moriarty (Garrett Hedlund), um cara que vive de forma totalmente desprendida, fazendo aquilo que quer, na hora que quer, com as pessoas que ele quer.
Inspirado e fascinado pelo senso de liberdade e de aventura que Dean evoca, Sal embarca com ele em uma vida na estrada. O filme dirigido por Walter Salles fala, principalmente, das descobertas que Sal e Dean fazem em suas viagens, das diversas pessoas que eles conhecem, da filosofia carpe diem que marca a experiência deles na estrada – afinal, é na sensação de prazer que eles tiram dos momentos que vivem ali e da forte ligação que se estabelece entre todos eles que a dupla acaba encontrando os seus próprios caminhos e, no caso de Sal, principalmente, descobre que a história que ele gostaria de contar estava o tempo todo na frente dele e ele nunca tinha percebido isso.
Dirigido com muita competência por Walter Salles, “Na Estrada” se apoia num ótimo trabalho realizado pela equipe técnica do filme, notadamente a fotografia de Eric Gautier (que trabalhou em “Na Natureza Selvagem”) e a trilha sonora composta por Gustavo Santaolalla. Se o roteiro escrito por José Rivera (que foi parceiro de Walter Salles em “Diários de Motocicleta”) é um pouco inconstante, o filme cumpre o seu papel de transpor o mito do livro escrito por Jack Kerouac para a grande tela por meio da performance apaixonada e totalmente comprometida de Garrett Hedlund, como Dean. Ao vê-lo em ação, a gente mesmo entende porque a personagem mexeu tanto com as estruturas do mundo de Sal e das pessoas com as quais entrou em contato.