logo

O Mestre

publicado em:7/03/13 12:25 AM por: Kamila Azevedo Filmes

Uma crença fundada na década de 50, baseada em livros escritos pelo seu fundador e com influências de diversas religiões como o espiritismo e o budismo, além de ciências como a psicologia e a hipnose. Não, não estamos falando da Cientologia, polêmica religião criada pelo autor de ficção científica L. Ron Hubbard e que tem seguidores célebres dentro da indústria cinematográfica como John Travolta, Tom Cruise, Juliette Lewis e Paul Haggis. Mas, sim, estamos descrevendo a Causa, uma organização religiosa fictícia também criada na década de 50 por Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman, em excelente atuação indicada ao Oscar 2013 de Melhor Ator Coadjuvante).

O filme “O Mestre”, do diretor e roteirista Paul Thomas Anderson, versa sobre a história por trás da fundação da Causa, tendo como base a mudança que a vivência dessa fé incute na vida de Freddie Quell (Joaquin Phoenix, em atuação indicada ao Oscar 2013 de Melhor Ator), um alcóolatra e ex-combatente da II Guerra Mundial. Freddie tem alguns problemas psicológicos e é pego quase que como uma cobaia experimental por Lancaster Dodd, que vê no ex-militar o candidato perfeito para que ele possa trabalhar os seus mais diversos métodos e, assim, ir consolidando a Causa como religião.

Apesar de “O Mestre” falar sobre a Causa e seu carismático líder, a verdade é que o filme de Paul Thomas Anderson tem como protagonista a personagem interpretada por Joaquin Phoenix. Seu Freddie Quell é mais um dos tipos retraídos e, de certa forma, amargurados que é a especialidade deste talentoso ator norte-americano. Chega a ser até curioso perceber o quanto que ele se dá bem com Lancaster Dodd, um homem inteligente, de forte caráter persuasivo e que tem uma resposta pronta na ponta da língua para cada um de seus detratores. Porém, ambos possuem muitas características em comum e Dodd consegue extrair de Freddie um seguidor fiel à sua Causa, mesmo ele questionando certas coisas da religião.

Um cineasta conhecido pela sua verve e coragem como roteirista e diretor, Paul Thomas Anderson surpreende neste seu mais recente trabalho, principalmente por causa do desejo de fugir de certas polêmicas que poderiam advir de “O Mestre” – especialmente por causa de sua possível inspiração em L. Ron Hubbard e a Cientologia. Porém, se formos analisar seu filme mais a fundo, essa nunca foi a intenção de “O Mestre”. O longa se propõe a fazer um relato de uma história simples, porém cheia de densidade e nuances, sobre a relação do homem com a religião. E isso reflete o desejo do homem de religar-se consigo próprio, por meio da espiritualidade, de seus valores e, por quê não, de um estilo de vida.

Indicações ao Oscar 2013
Melhor Ator –
Joaquin Phoenix
Melhor Ator Coadjuvante – Philip Seymour Hoffman
Melhor Atriz Coadjuvante – Amy Adams



Post Tags

Jornalista e Publicitária


Comentários


Era o meu favorito entre todos os indicados ao Oscar. Fiquei particularmente impressionado com o elenco. Pena que Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman concorreram em um ano tão forte para os atores. Certamente mereciam reconhecimento!

Responder

É um grande filme, em termos de desenvolvimento da temática e da performance de seu elenco. A dita inspiração na Cientologia é o de menos, o que realmente importa é como o filme trata da geração do pós-Guerra e de sua necessidade em encontrar um norte na vida daí em diante. Inteligentemente, Anderson adiciona a questão dos falsos ídolos, dos aproveitadores da miséria alheia, o que é extremamente pertinente atualmente. Enfim, divago hehehe…belo texto, Kamila!

Responder

A inspiração na Cientologia, por assim dizer, é apenas o ponto de partida. A relação do homem com a fé e como isso se bifurca com conceitos como ganância, loucura, retidão, entre outros é um prato cheio para o olhar aguçado de Anderson. Junto com “O lado bom da vida”, na minha avaliação, é o grande filme dessa safra do Oscar.

Responder

Matheus, gostei do filme, mas não era o meu favorito dentre os concorrentes ao Oscar. O elenco, realmente, é o ponto alto de “O Mestre”. Acho que o Philip Seymour Hoffman deveria ter vencido em sua categoria. A tarefa do Joaquin Phoenix era mais difícil, apesar de eu achar que o Daniel Day-Lewis estava numa atuação piloto automático em “Lincoln”.

Yuri, sim, sem dúvida é um grande filme, especialmente na forma como a narrativa se desenvolve. O Paul Thomas Anderson é mestre nisso (sem trocadilhos com o filme! rsrsrs). O elenco também é o ponto alto do filme. Boa divagação! rsrs Obrigada!

Reinaldo, sim, a inspiração na Cientoligia é apenas o ponto de partida para “O Mestre”. Acho que seu comentário está muito pertinente com aquilo que o filme é. Como disse ao Matheus, “O Mestre” não era dos meus favoritos na safra 2012 do Oscar, mas, sem dúvida, trata-se de um ótimo filme.

Responder

Ótimo filme. O Mestre acaba mesmo transcendendo essa proposta de ser um retrato fiel sobre a criação de uma seita. Seu mote acaba lidando bem com o relacionamento entre os dois principais, que tem grandes atuações.

Responder

Celo, pra mim, como eu disse, “O Mestre” se trata da ligação do homem com a religião e como isso vai modificando o seu interno ser. As atuações são o ponto alto do filme, com certeza.

Responder

Eu sou suspeito para falar, O Mestre é obra-prima, e pelos comentários tô percebendo o mesmo que aconteceu com Sangue Negro, ele não ter sido indicado ao Oscar na minha opinião é mais um índicio da sua superioridade. Todos nós sabemos o qto a academia premia o filme no momento atual, e O Mestre é filme eterno.

Responder

Também vejo a história do filme como algo muito simples, mas que nas mãos do PTA ganha contornos de grandiosidade e intensidade. Senti isso logo no início quando os primeiros acordes da música clássica soam no cinema. A dupla de atores estão realmente excelentes em cena.

Responder

É um filme incrível mesmo, muito bem construído e interpretado. E eu gosto exatamente porque é uma obra que investiga, de maneira quase científica a condição humana. Nada é taxativo, nada é definitivo.

Responder

Cassiano, você realmente é suspeito pra falar, tendo em vista a sua admiração pelo cinema do Paul Thomas Anderson. Não consigo enxergar nesse filme uma obra-prima, mas não tenho dúvidas de que se trata de um ótimo filme. A AMPAS faz uma festa do Oscar que é um reflexo do mercado e “O Mestre” foge desse propósito deles.

Rafael, exatamente. A dupla de atores centrais é um grande destaque!

Amanda, concordo! A obra investiga, ao mesmo tempo que instiga. Perfeito o que você disse.

Responder

Filmaço! Há muita coisa para se descobrir nesse filme. Não adianta ver uma vez só. Como o Cassiano colocou muito bem é um filme para a eternidade.

Bjs!

Responder

Otavio, concordo que esse é o tipo de filme para se ver mais de uma vez. Só de ler os comentários de vocês já tirei muita coisa que tinha me passado despercebida em relação a esse filme.

Responder

Concordo com Otávio. Esse é aquele tipo de filme que temos de assistir novamente. Eu concordo muito com a sua crítica, Kamila, mas além desse relacionamento entre o Freddie a religião, teve certos momentos que eu achei que o filme faz uma crítica sutil a essa ganância que vem tomando conta das instituições religiosas na figura do Lancaster Dodd. Graças à atuação soberba do Hoffman e ao roteiro, tive a impressão de que o Mestre não acreditava em nada daquilo e que só usava seu carisma e influência nas pessoas mais influenciáveis como um modo de fazer dinheiro e poder. Posso estar enganado, como eu disse é um filme pra se assistir mais de uma vez, mas ficou essa impressão.

Há muito coisa nesse filme digna de elogios: o roteiro, a direção (e que direção!), a fotografia, etc. Porém, acho que o elenco é quem se sobressai aqui. Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman estão magnéticos em cena e ambos eram os verdadeiros merecedores do Oscar este ano em suas respectivas categorias. Mas não desmereço a Amy Adams. Sua personagem acaba empalidecendo perante os outros dois, mas ainda assim ela entrega uma ótima performance. Sem dúvida, é um dos meus filmes favoritos de 2013 (junto com “A Hora Mais Escura” e “Os Miseráveis”)

Nota: 9,3

Bjs!

Responder

Clóvis, sim, a sua visão sobre a crítica sutil está bem interessante e eu concordo com isso. Mas, não acho que o Mestre não acreditava em nada daquilo. Para ele vender sua religião, ele precisava acreditar e ser convincente nisso. E ele o era. Acho que, do elenco, a Amy Adams foi a que menos me chamou a atenção.

Responder

Kamila, gosto muito do último parágrafo de sua crítica. No entanto, creio que é neste ponto, o da relação do Homem com a Religião, que o filme, ao meu ver, desaponta. Mesmo que inegavelmente envolvente, o drama de Paul Thomas Anderson não arrebata como poderia. Sobrevive apenas as performances de seus dois protagonistas.

Responder

Alex, concordo que o filme não arrebata tanto quanto poderia. Acho que “O Mestre” encontra sua força maior na atuação dos dois atores centrais.

Responder

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.