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Ferrugem | Resenha Crítica

publicado em:3/09/18 1:46 PM por: Kamila Azevedo Cinema

Vencedor do prêmio principal do último Festival de Cinema de Gramado, Ferrugem, filme dirigido e co-escrito por Aly Muritiba, tem uma estrutura narrativa muito interessante. A história é dividida em dois atos. No primeiro deles, acompanhamos a descrição de uma ação. No segundo, vemos serem retratadas as consequências desta ação, por meio da reflexão das personagens e, também, da necessidade iminente da tomada de uma decisão importante – e corajosa.

A trama escrita por Muritiba e Jessica Candal lida com temas bastante atuais. Numa sociedade altamente conectada, em que, além de consumidores de informação, somos também produtores de conteúdo, é algo comum que registremos e compartilhemos situações vividas em nosso dia a dia. Tati (Tiffany Dopke) age desta maneira, assim como seus demais colegas de colégio, bem como cada um de nós.

O que é corriqueiro se transforma em algo perigoso a partir do momento em que um vídeo íntimo de Tati vaza entre os estudantes do colégio, modificando por completo a rotina da garota, que vê um momento pessoal seu se converter em motivo e desculpa para que desconhecidos passem a julgar, de maneira cruel, a sua postura pessoal e, principalmente, a maneira como ela conduz a sua vida.

Ferrugem vai além ao nos mostrar que, ao contrário do que diz o senso comum, a Internet não é uma terra sem lei. Para cada ação, existe uma reação. Para cada decisão, existe uma consequência. Para cada ato de compartilhar, existe também a exposição a pontos de vista contrários. E é preciso coragem para enfrentar tudo isso. O linchamento moral que Tati sofre serve, também, como propósito para um processo de auto análise, também de cunho ético, em que outros jovens enxergam o seu papel – e suas responsabilidades – diante de uma conjuntura desse tipo.

Em muitos momentos, Ferrugem é um filme muito forte, que ataca diretamente as nossas posições morais e o nosso senso de justiça. Aly Muritiba acerta na escolha da divisão da história em dois atos, mas, ao mesmo tempo, peca no desenvolvimento dos arcos particulares de suas personagens. O segundo ato, principalmente pela presença de atores mais experientes, como Enrique Diaz, é muito melhor do que o primeiro. O final do longa é um verdadeiro soco no estômago que, com certeza, vai fazer você pensar duas vezes antes de sair compartilhando qualquer coisa por aí…

Ferrugem (Rust, 2018)
Direção: Aly Muritiba
Roteiro: Aly Muritiba e Jessica Candal
Elenco: Giovanni de Lorenzi, Tiffany Dopke, Enrique Diaz, Clarissa Kiste

Avaliação/Nota

Nota
8.0

Média Geral



Post Tags

Jornalista e Publicitária


Comentários


Gostei da estréia de Aly Muritiba em “Para Minha Amada Morta” e tenho lido ótimas crítica a “Ferrugem”(o tema como vc mesmo disse é bem atual).Quero conferir!

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Não acho que tenha merecido o prêmio principal em Gramado este ano (“Benzinho” era, disparado, o meu favorito), mas “Ferrugem” também é um filme totalmente sintonizado com os nossos tempos! E eu gosto muito da total virada que a história dá a partir da metade. Em termos de reflexões sobre o nosso momento atual, é também uma obra super importante!

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Matheus, não assisti “Benzinho”, infelizmente, pois ficou somente uma semana em cartaz por aqui e num horário horroroso. Concordo com você sobre a virada que a história dá na metade da duração do filme e acho que é uma obra importante, especialmente pelo tema que aborda.

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